Maio Laranja 2026: O que está por trás dessa data e por que especialistas alertam para uma violência invisível que cresce no país
A campanha ganhou força após leis federais ampliarem a conscientização sobre violência sexual contra crianças e adolescentes.
O Maio Laranja voltou a mobilizar escolas, conselhos tutelares, tribunais, prefeituras e organizações sociais em todo o país com campanhas de conscientização sobre abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. A mobilização ocorre durante todo o mês de maio, mas concentra ações no dia 18, data criada para lembrar um dos casos mais violentos já registrados contra uma criança no Brasil.
A campanha surgiu em memória de Araceli Cabrera Sánchez Crespo, menina de 8 anos assassinada em Vitória, no Espírito Santo, em 1973. O crime se transformou em símbolo nacional da luta contra a violência sexual infantil e levou à criação do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, instituído pela Lei Federal 9.970, de 2000.
Mais de duas décadas depois, o tema ganhou novo peso com a Lei Federal 14.432, sancionada em 2022, que oficializou o Maio Laranja como campanha nacional permanente. Desde então, estados e municípios ampliaram ações educativas em escolas, campanhas digitais e programas de orientação para famílias.
Campanha tenta romper silêncio sobre crimes cometidos dentro de casa
Grande parte das ações do Maio Laranja gira em torno de um dado que preocupa especialistas da rede de proteção: muitos casos de abuso sexual infantil acontecem dentro do ambiente familiar ou envolvem pessoas próximas da vítima.
O cenário ajuda a explicar a dificuldade de denúncias e a subnotificação considerada elevada por órgãos públicos e entidades de defesa da infância. Em diversas campanhas, profissionais alertam que mudanças bruscas de comportamento, isolamento, medo excessivo e queda repentina no desempenho escolar podem indicar situações de violência.
O objetivo central do Maio Laranja é estimular denúncias e fortalecer redes de proteção para impedir que casos permaneçam invisíveis.
Além das agressões presenciais, autoridades passaram a incluir com mais frequência alertas sobre violência sexual digital, exposição de menores na internet e aliciamento em redes sociais e plataformas online.
Escolas e órgãos públicos intensificam ações durante o mês
Ao longo de maio, cidades brasileiras organizam caminhadas, palestras, rodas de conversa e distribuição de cartilhas educativas. Em alguns municípios, prédios públicos recebem iluminação na cor laranja como forma de chamar atenção para a campanha.
Entre as iniciativas mais comuns estão:
- palestras em escolas públicas e privadas
- ações educativas sobre segurança digital
- capacitação de professores e profissionais da saúde
- campanhas nas redes sociais
- mobilizações em unidades de assistência social
- orientações sobre canais de denúncia
A flor amarela e laranja utilizada como símbolo da campanha representa fragilidade e necessidade de proteção da infância. A imagem passou a aparecer em materiais educativos, fachadas de instituições e campanhas digitais realizadas em maio.
Denúncias podem ser feitas de forma anônima
O Disque 100 continua sendo um dos principais canais de denúncia usados no país para casos de violência contra crianças e adolescentes. As denúncias podem ser feitas de forma anônima e são encaminhadas para órgãos responsáveis pela apuração.
Além do Disque 100, casos também podem ser comunicados ao Conselho Tutelar, Polícia Civil, Ministério Público e plataformas especializadas em crimes digitais, como a SaferNet.
As campanhas do Maio Laranja devem continuar nas próximas semanas em diferentes regiões do país, com novas ações previstas em escolas, centros comunitários e órgãos públicos voltadas à prevenção e identificação de casos de violência sexual infantil.
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