Geovani do Vasco morreu aos 62 anos; Conhecido como “Pequeno Príncipe”, ídolo encantou o Brasil, venceu a Argentina e virou símbolo eterno do futebol capixaba
Geovani, ídolo histórico do Vasco, morreu aos 62 anos após passar mal em Vila Velha. Ex-meia brilhou no clube carioca, na seleção e no futebol capixaba.
A morte do ex-meia Geovani Silva, aos 62 anos, encerrou nesta segunda-feira uma das trajetórias mais marcantes do futebol brasileiro entre as décadas de 1980 e 1990. Conhecido nacionalmente como “Pequeno Príncipe”, apelido recebido nos tempos de Vasco, o ex-jogador morreu após passar mal de forma repentina durante a madrugada em Vila Velha, no Espírito Santo. Ele chegou a ser socorrido e levado a um hospital da região, mas não resistiu.
A informação foi confirmada pela família por meio das redes sociais do próprio ex-atleta. O comunicado informou que Geovani sofreu um mal súbito e passou por tentativas de reanimação antes da confirmação da morte. O ex-jogador deixa três filhos. Os familiares também anunciaram a realização de um culto de despedida seguido do sepultamento marcado para terça-feira, em Vila Velha.
Problemas de saúde marcaram os últimos anos do ex-jogador
Nos últimos anos, Geovani vinha enfrentando uma sequência de problemas de saúde que reduziram suas aparições públicas e limitaram sua mobilidade. No fim de 2025, ele ficou internado por cerca de 40 dias após sofrer duas paradas cardíacas em Vitória. Antes disso, já havia sido hospitalizado por complicações cardíacas em 2022.
O ex-meia também enfrentou um câncer na coluna vertebral e uma polineuropatia diagnosticada ainda em 2006. Mesmo assim, seguia presente em homenagens, encontros com torcedores e eventos ligados ao futebol capixaba e ao Vasco.
Em fevereiro deste ano, Geovani participou de uma homenagem promovida pelo clube carioca antes de uma partida contra o Volta Redonda, disputada em Cariacica. Na ocasião, recebeu uma placa das mãos de Pedrinho, atual presidente do Vasco e antigo companheiro do ambiente cruz-maltino.
“Quando você é homenageado vivo é bem melhor”, afirmou Geovani durante a cerimônia realizada no Espírito Santo.
Camisa 8 histórico do Vasco marcou geração ao lado de Dinamite e Romário
Revelado pela Desportiva Ferroviária, de Cariacica, Geovani rapidamente chamou atenção pela maneira elegante de conduzir a bola, pelos dribles curtos e pela visão de jogo. Em 1982, chegou ao Vasco, clube no qual construiu a fase mais importante da carreira e virou um dos jogadores mais identificados com a camisa cruz-maltina.
Foi no Vasco que recebeu o apelido de “Pequeno Príncipe”, referência ao clássico livro de Antoine de Saint-Exupéry. A relação com o clube atravessou três passagens diferentes entre 1982 e 2005.
Ao lado de nomes como Roberto Dinamite e Romário, Geovani participou de equipes que marcaram época em São Januário. Conquistou os Campeonatos Cariocas de 1982, 1987, 1988, 1992 e 1993. Ao todo, disputou 408 partidas e marcou 49 gols pelo clube, consolidando a camisa 8 como uma das mais emblemáticas da história recente vascaína.
Título mundial pela seleção e protagonismo contra a Argentina
A trajetória pela seleção brasileira também ajudou a transformar Geovani em personagem importante do futebol nacional. Ele disputou os Mundiais sub-20 de 1981 e 1983. Na edição de 1983, terminou como campeão, artilheiro e autor do gol da vitória sobre a Argentina na final.
O time brasileiro daquela campanha reunia jogadores que mais tarde fariam história no futebol mundial, entre eles Bebeto, Dunga e Jorginho. Cinco anos depois, Geovani conquistaria a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Seul, em uma seleção que contava com Romário, Careca, Bebeto e Taffarel.
Também integrou o elenco campeão da Copa América de 1989, torneio vencido pelo Brasil em casa.
- Campeão mundial sub-20 em 1983
- Artilheiro do Mundial sub-20 com seis gols
- Medalha de prata olímpica em Seul 1988
- Campeão da Copa América de 1989
- Mais de 400 jogos pelo Vasco
Retorno ao Espírito Santo aproximou ídolo da origem da carreira
Depois de experiências no futebol internacional, incluindo uma passagem pelo Bologna, da Itália, Geovani voltou ao Espírito Santo para encerrar a carreira em clubes locais. Atuou por Rio Branco, Serra, Tupy, Vilavelhense e pela própria Desportiva Ferroviária.
Encerrada a trajetória nos gramados em 2002, entrou para a política e exerceu mandato como deputado estadual no Espírito Santo entre 2002 e 2006. Posteriormente, participou de projetos ligados ao esporte no estado e manteve presença constante em ações envolvendo ex-jogadores e categorias de base.
Segundo Oglobo, a morte de Geovani acontece poucos meses depois da última homenagem pública recebida do Vasco, em um momento em que o ex-meia voltava a aparecer diante da torcida mesmo convivendo com limitações físicas decorrentes das complicações de saúde acumuladas nos últimos anos.
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