Prefeitura de Franco da Rocha vira alvo por cesta básica de R$ 408 em pregão milionário
O pregão eletrônico nº 041/2025 da Prefeitura Municipal de Franco da Rocha, marcado para ocorrer às 10h15 de 26 de novembro de 2025, passou a ser investigado após uma representação formal protocolada pela Polimatas Gestão Estruturante e Organizacional Ltda no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. A disputa, avaliada em R$ 17.912.659,32, tem como objetivo a compra e distribuição de cestas básicas destinadas a servidores municipais e pacientes em tratamento de tuberculose, mas as especificações do edital levantaram questionamentos sobre direcionamento, sobrepreço e inconsistências técnicas.
Pontos Principais:
- Representação questiona pregão de R$ 17,9 milhões para cestas básicas em Franco da Rocha.
- Empresa aponta direcionamento em itens como tempero exclusivo e arroz de “safra velha”.
- Valor estimado da cesta chega a R$ 408,87, com suspeita de sobrepreço de 50%.
- Edital teria lacunas na parte logística e falta de equilíbrio entre exigências técnicas.
- Pedido ao TCE-SP inclui suspensão cautelar antes da sessão marcada para 26/11/2025 às 10h15.
O documento assinado pelo advogado Hermano Almeida Leitão afirma que o Termo de Referência da licitação estabelece requisitos incomuns, capazes de restringir a concorrência. Um dos exemplos utilizados para ilustrar a possível distorção é o “tempero completo” exigido pela administração, com uma combinação pouco usual de ingredientes em embalagem de 300 gramas, alinhando-se quase perfeitamente ao produto de uma marca específica do varejo alimentar. Esse tipo de detalhamento, sustentam os representantes, poderia afunilar o número de fornecedores aptos a participar do certame.

Outra linha de argumentação expõe a ausência de uniformidade no nível de informações nutricionais fornecidas no edital. Enquanto alguns itens apresentam exigências técnicas minuciosas, outros aparecem com descrições superficiais, abrindo espaço para manipulação de preços e entrega de produtos aquém da qualidade esperada. Essa assimetria, segundo a representação, compromete a isonomia entre os concorrentes e coloca em risco a integridade da contratação.
As críticas atingem também o item destinado ao arroz tipo 1, descrito como “safra velha”, polido, 100% grãos nobres e com parâmetros de umidade que, na visão técnica apresentada, não seriam compatíveis entre si. A empresa afirma que o edital descreve um produto que praticamente não existe nas condições estipuladas, configurando outro indicativo de possível falha de planejamento ou tentativa de restringir fornecedores.
O ponto mais sensível da denúncia recai sobre o valor estimado das cestas. A Prefeitura calculou que cada unidade custaria R$ 408,87, mesmo adquirindo em grande volume — mais de 50 mil unidades ao ano. A Polimatas sustenta que produtos com composição semelhante são oferecidos no mercado por valores que variam entre R$ 174 e R$ 240, chegando a citar exemplos reais de cestas vendidas por R$ 184 em aquisições avulsas. Para os representantes, essa diferença representaria sobrepreço de pelo menos 50% em relação às referências do setor.
A logística exigida pela administração municipal também figura entre os pontos questionados. O edital prevê entregas domiciliares ponto a ponto, com tentativas múltiplas e possibilidade de retirada em postos específicos, mas sem detalhar de forma clara custos de transporte, composição de frota ou parâmetros operacionais que permitam calcular o impacto desse serviço no valor final. A ausência de estruturação dessa etapa poderia comprometer o equilíbrio econômico-financeiro do contrato.
Outro elemento contestado é a adoção de lote único que unifica fornecimento e logística em um único item. Para a empresa representante, essa escolha reduz a competitividade ao excluir fornecedores que poderiam participar somente da etapa de fornecimento, mas não da distribuição. A legislação atual recomenda, sempre que possível, o fracionamento do objeto para ampliar a participação de empresas de diferentes portes.
A representação reforça que o conjunto das falhas identificadas — do tempero exclusivo ao arroz tecnicamente incompatível, passando pela falta de clareza logística e pelo valor acima do mercado — cria um cenário de potencial dano ao erário. O pedido ao Tribunal de Contas inclui a suspensão cautelar do pregão até que os problemas sejam revisados e corrigidos, com revisão das especificações técnicas e pesquisa de preços.
O processo, registrado oficialmente no TCE-SP no dia 14 de novembro de 2025 às 08h15:20, está sob responsabilidade da conselheira-substituta Cristiana de Castro Moraes, e tramita sob rito sumaríssimo, mecanismo aplicado quando há risco imediato de prejuízo aos cofres públicos. Até o momento, a Prefeitura de Franco da Rocha ainda não apresentou defesa pública sobre as acusações relatadas.
Com a análise do Tribunal, o caso deve ganhar novos contornos nas próximas semanas, especialmente por envolver um contrato de impacto direto em políticas sociais e de assistência alimentar. A definição sobre a suspensão ou continuidade do pregão poderá influenciar outras prefeituras que adotam modelo semelhante para aquisição de cestas básicas.
Leia mais em Notícias
Homem tem perna amputada após ser atingido por trem na Linha 7-Rubi que atravessa cidades do CIMBAJU
Últimas novidades



















