Por que agora a ciência não aconselha a pôr gelo em lesão

Especialistas em fisioterapia e enfermagem da Universidade San Jorge explicam por que o uso de gelo para tratar lesões agudas está sendo desaconselhado. A inflamação, processo natural de cura do corpo, é retardada pelo gelo, comprometendo a recuperação ideal.

Saúde e Bem-Estar
Publicado por em 31/07/2024

Pesquisadores da Universidade San Jorge explicam que a inflamação é uma resposta fisiológica essencial para a cura das lesões. Quando ocorre uma lesão, os vasos sanguíneos inicialmente se contraem para evitar a perda de sangue. Após esse momento, os vasos aumentam de calibre e permeabilidade para permitir a entrada de substâncias e células imunes na área lesionada. Este processo resulta em edema, que é crucial para a recuperação.

Durante a fase inflamatória, o corpo produz uma série de substâncias que iniciam a cicatrização do tecido. Neutrófilos, que são células responsáveis pela “limpeza” da área lesionada, também desempenham um papel anti-inflamatório importante. Para que a cura ocorra de forma adequada, é necessário que a inflamação siga seu curso natural.

Com base em novas evidências científicas, os métodos tradicionais de tratamento de lesões estão sendo revisados. O uso de gelo, que era uma prática comum, agora é desaconselhado, pois retarda a inflamação, crucial para a cura. A nova abordagem recomenda evitar gelo e anti-inflamatórios e promover a mobilização precoce para uma recuperação eficaz. Para lesões graves, é sempre melhor consultar um médico ou fisioterapeuta para obter orientações adequadas.

Protocolos tradicionais e suas limitações

A inflamação é essencial para a cura de lesões, mas o uso de gelo pode retardar este processo, comprometendo a recuperação. Novos protocolos recomendam evitar gelo e promover movimento.
A inflamação é essencial para a cura de lesões, mas o uso de gelo pode retardar este processo, comprometendo a recuperação. Novos protocolos recomendam evitar gelo e promover movimento.

O protocolo RICE, criado em 1978, enfatizava o uso de gelo para tratar lesões agudas. Este protocolo, que significa Repouso (Rest), Gelo (Ice), Compressão (Compression) e Elevação (Elevation), foi amplamente adotado por várias décadas. Na década de 1980, foi modificado para PRICE, incluindo Proteção (Protection).

Em 2012, surgiu o protocolo POLICE, que ainda recomendava o uso de gelo ocasionalmente nas fases agudas das lesões, mas introduziu a ideia de Carga Ótima (Optimal Loading). Este novo enfoque defendia que os pacientes começassem a se movimentar o mais rápido possível, realizando atividades que não envolvessem a lesão e não causassem dor.

Nova abordagem: PEACE and LOVE

Em 2019, os especialistas canadenses Blaise Dubois e Jean-Francois Esculier propuseram o protocolo PEACE and LOVE. Esta abordagem sugere evitar medicamentos anti-inflamatórios, incluindo o uso de gelo. Estudos científicos mostram que a vasodilatação é essencial para a cura, e o uso de gelo pode retardar este processo, alterando as vias ideais de cura.

Uma revisão sistemática de 22 ensaios clínicos publicada em 2004 indicou que havia poucas evidências de que o gelo e a compressão tivessem um efeito significativo na recuperação de lesões. Scott F. Nadler, um especialista americano, afirmou que tratamentos quentes e frios têm efeitos opostos sobre o metabolismo do tecido e a inflamação.

Impacto do gelo na cicatrização

Tanto o gelo quanto alguns medicamentos anti-inflamatórios podem modificar o processo inflamatório, promovendo uma recuperação deficiente e a formação de fibrose. Gabe Mirkin, criador do protocolo RICE, admitiu em 2015 que o gelo retarda a cicatrização. A dor nociceptiva, que é uma resposta a danos nos tecidos, atua como um sinal de alarme, permitindo mudanças adaptativas que ajudam na cura adequada.

Anular essa dor com gelo ou medicamentos pode atrasar ou piorar a lesão, pois o corpo não cumprirá sua função protetora sem o descanso necessário. Portanto, recomenda-se seguir o protocolo PEACE and LOVE e, durante a fase de reparação dos tecidos, consumir alimentos ricos em ômega-3 (EPA e DHA) e suplementar a dieta com vitamina C.

Fonte: G1.

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