Mancha Alviverde fecha acordo de R$ 2 milhões por emboscada na Fernão Dias; família de cruzeirense morto receberá R$ 1 milhão
Mancha Alviverde assinou acordo e vai pagar ao menos R$ 2 milhões às vítimas da emboscada na Rodovia Fernão Dias, em outubro de 2024, que terminou com a morte de José Victor Miranda, de 30 anos, queimado após ataque contra torcedores do Cruzeiro. O Termo de Ajustamento de Conduta foi firmado com o Ministério Público de São Paulo e impõe regras inéditas para que a organizada volte aos estádios.

- Mancha Alviverde firmou TAC e pagará ao menos R$ 2 milhões em indenizações.
- Família de José Victor Miranda receberá R$ 1 milhão.
- 15 feridos dividirão a outra metade do valor.
- 20 acusados irão a júri; 17 presos e 3 foragidos.
- Acordo impõe regras inéditas de transparência para retorno aos estádios.
O acordo estabelece que a família de José Victor receberá ao menos R$ 1 milhão. A outra metade será dividida entre 15 feridos. O valor é mínimo e pode ser ampliado se houver condenação judicial futura. O TAC tem força de título executivo extrajudicial — se não for cumprido, pode ser cobrado diretamente na Justiça.
| Item | Valor |
|---|---|
| Indenização total mínima | R$ 2 milhões |
| Família da vítima fatal | R$ 1 milhão |
| Divisão entre feridos | R$ 1 milhão |
| Número de feridos | 15 |
Na prática, o acordo não encerra o processo criminal. A responsabilidade civil foi reconhecida, mas os acusados continuam respondendo por homicídio qualificado, 15 tentativas de homicídio e por tumulto com base na Lei Geral do Esporte. A investigação conduzida pelo GAECO e pelo DHPP aponta que o ataque foi planejado.
Segundo o Ministério Público, integrantes da organizada usaram paus, pedras, bolas de bilhar, rojões e pregos. Um ônibus foi incendiado no km 65, em Mairiporã. Outro foi depredado. Os torcedores do Cruzeiro retornavam do Paraná quando foram surpreendidos. A rixa entre as torcidas era antiga, mas o episódio elevou o confronto a outro patamar.
Entre os denunciados que irão a júri estão ex-dirigentes da torcida. Dos 20 acusados, 17 estão presos e 3 seguem foragidos. A Polícia Civil ainda busca outros envolvidos apontados na investigação. O Disque-Denúncia 181 recebe informações de forma anônima.
Regras impostas para retorno aos estádios ⚖️
Como condição para manter as atividades, a organizada terá de cumprir obrigações de transparência:
- Enviar periodicamente a lista atualizada de associados às autoridades.
- Comunicar previamente deslocamentos e comboios organizados.
- Manter dados cadastrais disponíveis para fiscalização.
O Ministério Público classificou as exigências como inéditas. A intenção é ampliar o controle e dificultar ações coordenadas fora dos estádios. A medida reacende o debate sobre os limites entre liberdade associativa e responsabilidade coletiva quando crimes são praticados por integrantes de grupos organizados.
O impacto que não cabe em números 🔥
A indenização tenta responder a uma perda irreparável. José Victor tinha 30 anos e viajava para acompanhar o time. A morte ocorreu após o incêndio do ônibus. Familiares relataram à época que ele não conseguiu sair a tempo. O caso provocou repercussão nacional e expôs novamente a violência envolvendo torcidas organizadas.
As próprias imagens gravadas por participantes do ataque ajudaram na identificação dos suspeitos. Vídeos circularam nas redes sociais e se tornaram parte do inquérito. A tecnologia, que amplificou a violência, também consolidou provas.
Especialistas ouvidos ao longo da investigação afirmam que o episódio reforça a necessidade de controle rigoroso em deslocamentos organizados. O futebol segue sendo espaço de mobilização coletiva, mas episódios como o da Fernão Dias transformam rivalidade esportiva em caso de polícia.
A expectativa agora se concentra no julgamento dos acusados pelo Tribunal do Júri. A indenização mínima está estabelecida. O desfecho penal ainda está em curso.
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