Defensoria Pública de Goiás processa emissoras por “linchamento virtual” de mãe após morte de crianças em Itumbiara
A Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE/GO) ajuizou ação no dia 25 de fevereiro de 2026 contra 10 veículos de comunicação, acusando-os de estimular um “linchamento virtual” contra a mãe de duas crianças assassinadas pelo pai em Itumbiara (GO), e pediu R$ 1 milhão por danos morais coletivos, além da retirada de publicações e retratação pública.

- A DPE/GO processou 10 veículos por suposto linchamento virtual.
- A ação pede R$ 1 milhão por danos morais coletivos.
- O crime ocorreu em Itumbiara na madrugada de 12 de fevereiro.
- A investigação aponta duplo homicídio seguido de suicídio.
- O processo questiona limites entre liberdade de imprensa e responsabilidade civil.
A iniciativa partiu do Núcleo Especializado de Defesa e Promoção dos Direitos da Mulher após a repercussão do crime ocorrido na madrugada do dia 12, quando Thales Machado atirou contra os filhos, Miguel, 12 anos, e Benício, 8 anos, e depois tirou a própria vida. A investigação conduzida pelo Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) aponta para duplo homicídio seguido de suicídio, sem indícios de participação de terceiros.
O processo, registrado sob o número 5130386-43.2026.8.09.0051, sustenta que parte da cobertura jornalística e dos comentários publicados em portais e redes sociais teria deslocado o foco da brutalidade do agressor para a vida privada da mãe, Sara Araújo, filha do prefeito de Itumbiara, Dione Araújo. Segundo a Defensoria, esse desvio de narrativa teria alimentado ataques, julgamentos morais e exposição indevida de imagens pessoais.
“A ação busca frear a revitimização e responsabilizar quem manteve conteúdos ofensivos sem a devida moderação”, informou a instituição em nota.
Entre os réus estão CNN Brasil, Globo Comunicação e Participações S/A, Rádio e Televisão Record S/A, Metrópoles Mídia e Comunicação S/A, Televisão Anhanguera S/A, TV Serra Dourada Ltda, além de outros grupos regionais. A Defensoria afirma que alguns conteúdos teriam incluído vídeos e imagens íntimas da mulher, apresentados como justificativa implícita para o crime.
A tragédia ganhou dimensão nacional poucas horas depois do ocorrido, impulsionada por um vídeo publicado pelo próprio agressor nas redes sociais antes dos disparos, no qual aparecia ao lado dos filhos declarando amor aos meninos. O contraste entre a gravação e o desfecho violento ampliou a circulação de comentários e teorias nas plataformas digitais.
- Crime ocorreu na madrugada de 12 de fevereiro.
- Miguel morreu no local.
- Benício faleceu no dia 13 no Hospital Estadual de Itumbiara.
- Investigação aponta ausência de terceiros.
- Ação pede retirada de conteúdos e indenização coletiva.
No centro da disputa judicial está a fronteira entre liberdade de imprensa e responsabilidade civil. A Constituição assegura a livre manifestação e a atividade jornalística, mas também protege honra, imagem e intimidade. A Defensoria não atua como representante individual da mãe, e sim como legitimada para defender interesses coletivos, argumentando que o episódio extrapola o dano pessoal e atinge a proteção social da dignidade feminina.
| Dados do Processo | Informações |
|---|---|
| Órgão autor | DPE/GO |
| Número | 5130386-43.2026.8.09.0051 |
| Valor pedido | R$ 1.000.000 |
| Réus | 10 veículos |
A eventual indenização, se deferida, deverá ser destinada a fundo gerido por conselho federal ou estadual, conforme prevê a legislação para danos morais coletivos. O Judiciário agora terá de avaliar se houve abuso na forma como o caso foi noticiado ou se os conteúdos permaneceram dentro dos limites constitucionais da atividade jornalística.
A cidade de Itumbiara, conhecida por sua relevância econômica no sul goiano, amanheceu em silêncio nos dias seguintes ao crime. O episódio atravessou a rotina local e ganhou o país, deslocando o debate para além da investigação policial e entrando no campo da responsabilidade informacional em tempos de redes sociais.
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