Deolane no Fantástico hoje: Globo revela bastidores da prisão e monitoramento na Itália
A investigação contra Deolane Bezerra avançou após monitoramento da influenciadora na Itália. Polícia aponta suspeita de lavagem de dinheiro e ligação com o PCC.
A prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra ganhou novos contornos após a exibição de uma reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, neste domingo, 24 de maio. A atração revelou detalhes da investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, que aponta suspeitas de lavagem de dinheiro, associação ao tráfico de drogas e ligação com integrantes do Primeiro Comando da Capital, o PCC.
Segundo as autoridades, Deolane vinha sendo monitorada durante uma temporada em Roma, na Itália, enquanto compartilhava registros de viagens e hospedagens de luxo nas redes sociais. A operação contou com apoio da Interpol, organização internacional de cooperação policial.
A influenciadora foi presa preventivamente na madrugada da última quinta-feira, 21 de maio, em um condomínio de alto padrão em Barueri, na Grande São Paulo. Após a detenção, ela foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado.
Investigadores monitoraram rotina da influenciadora na Europa
De acordo com a reportagem exibida pela TV Globo, a polícia brasileira chegou a discutir uma possível prisão em território italiano. O plano acabou não sendo executado porque Deolane retornou ao Brasil antes da deflagração da operação.
Hospedada na região da Piazza di Spagna, uma das áreas mais valorizadas de Roma, a influenciadora publicava vídeos e fotos da viagem enquanto era acompanhada à distância pelas autoridades brasileiras.
A polícia afirma que o monitoramento internacional fazia parte de uma estratégia para acompanhar movimentações financeiras e possíveis conexões do grupo investigado.
As investigações indicam que pessoas conhecidas nas redes sociais seriam utilizadas para pulverizar recursos e dificultar o rastreamento do dinheiro considerado ilícito pelos investigadores.
Relatórios apontam movimentação milionária
Documentos periciais apresentados no programa apontam que mais de R$ 13 milhões circularam pelas contas pessoais de Deolane entre 2018 e 2022. Outros R$ 14 milhões teriam passado por três empresas ligadas à influenciadora.
Segundo os investigadores, parte dessas movimentações chamou atenção pela ausência de registros considerados compatíveis com contratos publicitários ou atividades empresariais declaradas oficialmente.
- Mais de R$ 27 milhões foram analisados na investigação
- Polícia cita suspeita de empresas de fachada
- Investigação teve origem em apuração iniciada em 2019
- Celulares e mensagens foram apreendidos durante operações
A polícia também aponta a existência de empresas registradas em cidades próximas à Penitenciária de Presidente Venceslau, no interior paulista. Segundo os relatórios, alguns endereços seriam compartilhados por dezenas de firmas consideradas fantasmas.
Investigação começou após apreensão de bilhetes ligados ao PCC
O atual inquérito é tratado como desdobramento de uma investigação iniciada em 2019. Na época, autoridades apreenderam bilhetes manuscritos atribuídos a lideranças do PCC dentro da Penitenciária de Presidente Venceslau.
As mensagens levaram os investigadores até uma transportadora suspeita de lavar dinheiro da facção criminosa e auxiliar operações ligadas ao tráfico internacional de cocaína.
Segundo os relatórios policiais, o esquema envolveria operadores financeiros, familiares ligados à cúpula da facção e empresas utilizadas para ocultação patrimonial. O nome de Everton de Souza, conhecido como “Player”, aparece na investigação como suposto gestor financeiro ligado à família Camacho.
Defesa nega qualquer ligação com crime organizado
A defesa de Deolane Bezerra afirma que a influenciadora não possui relação com organizações criminosas nem com movimentações financeiras ilícitas. Em audiência de custódia, ela declarou que os valores recebidos seriam resultado de serviços prestados durante sua atuação como advogada criminalista.
Os advogados dos demais investigados também negam irregularidades e afirmam que as acusações não possuem provas diretas suficientes para comprovar envolvimento com a facção criminosa.
Segundo o Portalleodias, a investigação segue em andamento sob responsabilidade da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo, enquanto os dados bancários, mensagens apreendidas e movimentações financeiras continuam sendo analisados pelas autoridades.
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