Banco enviou R$ 4,5 bilhões por engano e decisão da Justiça sobre quem ficou com o dinheiro chocou Wall Street
Um erro operacional dentro do Citibank acabou provocando uma das disputas financeiras mais comentadas dos últimos anos nos Estados Unidos. O banco enviou por engano cerca de US$ 894 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 4,5 bilhões, para credores da Revlon e precisou enfrentar uma longa batalha judicial para tentar recuperar o dinheiro. O caso expôs fragilidades em sistemas internos, falhas humanas em operações automatizadas e abriu um debate internacional sobre responsabilidade bancária e devolução de valores enviados indevidamente.
O episódio ocorreu quando funcionários do Citibank tentavam processar um pagamento de juros ligado a empréstimos da empresa de cosméticos Revlon. Em vez de transferir apenas US$ 7,8 milhões aos credores, o sistema acabou enviando US$ 894 milhões, valor correspondente praticamente à liquidação total da dívida.
O problema só foi percebido cerca de 24 horas depois. Quando o banco identificou o erro, iniciou imediatamente pedidos de devolução dos recursos enviados indevidamente.
Parte dos investidores aceitou retornar os valores. Outros fundos, porém, mantiveram o dinheiro e sustentaram que o pagamento era válido.
Fundos alegaram que transferência parecia legítima
Entre os grupos que resistiram à devolução estavam instituições como Brigade Capital e HPS Investment Partners. A defesa utilizou uma doutrina jurídica americana segundo a qual um credor pode manter recursos recebidos por engano caso o valor esteja ligado a uma dívida real e não exista motivo evidente para suspeitar da operação.
A argumentação ganhou força porque o dinheiro recebido correspondia exatamente ao montante devido pela Revlon aos investidores.
O banco acabou enviando o equivalente à quitação completa de um empréstimo que ainda tinha anos restantes de vencimento.
Em primeira instância, o juiz Jesse Furman deu razão aos fundos e autorizou a retenção de aproximadamente US$ 500 milhões ainda em disputa. A decisão provocou forte repercussão em Wall Street e levantou dúvidas sobre segurança operacional no sistema bancário americano.
Tribunal mudou decisão e mandou devolver cada centavo
O Citibank recorreu ao Segundo Circuito de Apelações dos Estados Unidos. Em setembro de 2022, os magistrados derrubaram a decisão anterior e concluíram que os credores deveriam devolver integralmente os valores recebidos.
Segundo o entendimento da Corte, investidores experientes deveriam ter desconfiado de um pagamento tão elevado feito anos antes do vencimento da dívida.
A Justiça considerou que a ausência de uma verificação mínima invalidava a tese de recebimento legítimo apresentada pelos fundos.
- O erro ocorreu em agosto de 2020
- O banco enviou US$ 894 milhões em vez de US$ 7,8 milhões
- Cerca de US$ 500 milhões ficaram presos na disputa judicial
- A decisão final do tribunal saiu em setembro de 2022
Banco ainda recebeu multas milionárias
Além da batalha judicial, o Citibank enfrentou consequências regulatórias severas. Reguladores federais americanos aplicaram multas pesadas por falhas nos controles internos e nos sistemas de gerenciamento de risco da instituição.
| Impacto | Valor |
| Multas regulatórias | US$ 400 milhões |
| Valor retido durante a disputa | US$ 500 milhões |
| Transferência equivocada total | US$ 894 milhões |
O caso passou a ser tratado em bancos e consultorias financeiras como exemplo clássico de falha operacional combinada com deficiência em protocolos de conferência.
Falha acelerou revisão de protocolos bancários
Após a repercussão global do caso Revlon, instituições financeiras reforçaram mecanismos de dupla checagem para transferências de alto valor, especialmente em operações automatizadas envolvendo liquidação de dívidas corporativas.
O episódio também aumentou a pressão por modernização de sistemas considerados antigos dentro de grandes bancos internacionais.
Segundo Em, a preocupação voltou ao mercado em abril de 2024, quando outro erro operacional envolvendo o Citibank gerou o crédito equivocado de US$ 81 trilhões na conta de um cliente. Segundo informações divulgadas por agências internacionais, a falha foi corrigida poucos minutos depois e não causou prejuízo financeiro efetivo, mas reacendeu dúvidas sobre a confiabilidade operacional da instituição.
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