Etanol nos caminhões: entenda por que gigantes da indústria aceleraram corrida bilionária no Brasil; Nova tecnologia combina diesel e etanol em caminhão e ônibus
O avanço de uma tecnologia desenvolvida no Brasil para combinar etanol e diesel em caminhões e ônibus ganhou novo impulso após o BNDES aprovar R$ 29,7 milhões em financiamento para projetos da Bosch. A iniciativa envolve motores adaptados para operar com os dois combustíveis simultaneamente e promete reduzir parte relevante do consumo de diesel sem comprometer desempenho, autonomia ou capacidade de carga no transporte pesado.
O desenvolvimento de motores capazes de operar simultaneamente com diesel e etanol em veículos pesados entrou em uma nova fase no Brasil após o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovar um financiamento de R$ 29,7 milhões para projetos conduzidos pela Bosch Soluções Integradas Brasil.
O principal foco do investimento está na evolução do sistema chamado Dual Fuel Diesel Etanol, tecnologia voltada à adaptação de motores de caminhões e ônibus para funcionamento com os dois combustíveis sem perda de desempenho operacional.
Segundo informações divulgadas pela Bosch e pelo BNDES, a expectativa é de que o sistema permita substituir, em média, 35% do consumo de óleo diesel por etanol, podendo alcançar picos de até 60% em determinadas condições de uso.
Projeto mira descarbonização do transporte pesado
O transporte rodoviário segue entre os segmentos mais dependentes do diesel no Brasil e concentra parte relevante das emissões ligadas à logística nacional. A proposta da Bosch surge justamente em meio à pressão global por soluções de menor impacto ambiental sem exigir substituição imediata da frota.
A companhia afirma que a tecnologia foi desenvolvida para manter características consideradas essenciais no setor de transporte pesado.
- Capacidade de carga preservada
- Autonomia operacional mantida
- Desempenho semelhante ao diesel convencional
- Possibilidade de redução do custo operacional
A estratégia também amplia o uso de biocombustíveis produzidos no Brasil, principalmente o etanol derivado da cana-de-açúcar.
O projeto combina redução do consumo de combustível fóssil com aumento do uso de biocombustíveis produzidos no mercado brasileiro.
BNDES vê impacto em transporte, mineração e agronegócio
Os recursos serão liberados por meio da linha BNDES Mais Inovação e destinados à Bosch Soluções Integradas Brasil, empresa sediada em Campinas, no interior paulista, criada para desenvolver soluções tecnológicas e digitais consideradas estratégicas pelo grupo.
Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o projeto reforça a agenda nacional de descarbonização e pode gerar efeitos econômicos em setores fortemente dependentes do transporte pesado.
Segundo ele, a substituição parcial do diesel pelo etanol pode aumentar a competitividade operacional de empresas ligadas ao agronegócio, mineração e logística rodoviária, especialmente em cenários de alta do diesel.
Além do mercado brasileiro, a Bosch avalia a possibilidade de exportar a tecnologia futuramente para países com grande produção de etanol, incluindo Índia e Estados Unidos.
Projetos incluem inteligência artificial e gestão de frotas
O financiamento aprovado pelo banco também contempla projetos ligados à digitalização e inteligência artificial dentro da operação da Bosch.
Entre eles está a plataforma Cortex Hub, desenvolvida para criação, gerenciamento e customização de assistentes inteligentes voltados a operações corporativas e industriais.
Outra frente envolve atualizações do software DriveB, sistema utilizado para gestão de manutenção de frotas e integração entre oficinas, motoristas e gestores logísticos.
Segundo a empresa, os projetos incorporam tecnologias como:
- Inteligência artificial generativa
- Internet das coisas (IoT)
- Visão computacional
- Gêmeos digitais
- Sensoriamento avançado
- Realidade aumentada e virtual
A expectativa da Bosch é ampliar a contratação de profissionais especializados em pesquisa, desenvolvimento e suporte técnico ligados aos novos projetos.
Bosch amplia investimentos em inovação no Brasil
Com mais de 70 anos de atuação no país, o Grupo Bosch mantém atualmente unidades produtivas em Campinas, Itatiba, São José dos Campos, Curitiba e Pomerode, além de escritórios e centros operacionais em diferentes estados brasileiros.
Globalmente, a companhia afirma investir cerca de 8,6% do faturamento mundial em inovação tecnológica. Em 2025, o grupo registrou aproximadamente 6.300 patentes, mantendo posição entre as empresas industriais que mais investem em pesquisa e desenvolvimento.
No Brasil, parte das atividades ocorre em parceria com instituições como Instituto Eldorado, CPQD e SENAI CIMATEC, dentro de projetos ligados à mobilidade, digitalização industrial e novas tecnologias para eficiência energética.
Segundo o BNDES, o desenvolvimento do sistema Dual Fuel Diesel Etanol seguirá nas próximas etapas de testes, validação técnica e adaptação para aplicações comerciais em veículos pesados utilizados no transporte rodoviário brasileiro.
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