UFRJ perde patente internacional da polilaminina após 27 anos de pesquisa e corte de verbas ameaça futuro de tratamento para lesão medular
Universidade Federal do Rio de Janeiro perdeu a patente internacional da polilaminina após falhas no pagamento de taxas, encerrando a proteção fora do país de um medicamento experimental estudado há 27 anos como alternativa para lesões na medula espinhal. A decisão tem impacto direto na exploração comercial da tecnologia e reacende o debate sobre financiamento científico no Brasil.

- A UFRJ perdeu a patente internacional da polilaminina após falta de pagamento de taxas.
- O pedido nacional foi feito em 2007 e a concessão ocorreu apenas em 2025.
- A validade da patente no Brasil termina em 2027.
- O estudo clínico autorizado pela Anvisa segue em andamento.
- O tratamento é testado para regeneração de lesões na medula espinhal.
O anúncio foi feito pela pesquisadora Tatiana Sampaio, responsável pelo Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular da instituição. Segundo ela, o grupo cumpriu todos os trâmites técnicos e regulatórios, mas não conseguiu manter os custos da proteção internacional. A consequência prática é simples e dura: sem patente ativa fora do Brasil, a tecnologia deixa de ter exclusividade em outros mercados estratégicos.
O pedido nacional foi protocolado em 2007, quando o composto demonstrou potencial terapêutico. A concessão saiu apenas em 2025, após quase duas décadas de tramitação no Instituto Nacional de Propriedade Industrial. Como a vigência conta a partir do depósito, a validade expira em 2027.
| Marco | Data | Observação |
|---|---|---|
| Pedido de patente nacional | 2007 | Início da contagem de 20 anos. |
| Concessão no Brasil | 2025 | Reconhecimento formal da invenção. |
| Expiração prevista | 2027 | Fim da proteção nacional. |
| Patente internacional | Perdida | Falta de pagamento de taxas. |
A polilaminina é derivada da laminina, proteína extraída de placenta humana e associada à regeneração celular. O objetivo do estudo é estimular o crescimento de axônios — extensões dos neurônios responsáveis por transmitir impulsos elétricos — em pacientes com lesão medular traumática. Quando a medula é danificada, a comunicação entre cérebro e corpo é interrompida, e a recuperação costuma ser limitada.
Nos testes preliminares, a substância foi aplicada diretamente na medula durante procedimento cirúrgico em cães e em oito voluntários humanos entre 2018 e 2021, sempre nas primeiras 72 horas após o trauma. Os resultados variaram: houve relatos de recuperação completa dos movimentos em alguns casos e melhora parcial em outros. O estudo clínico segue autorizado pela Anvisa.
O protocolo atual utiliza laminina em concentração de 100 μg/mL. A partir desse material ocorre a polimerização, processo químico que transforma moléculas menores em uma estrutura maior e mais estável, formando a polilaminina. A aplicação é única e feita de forma intramedular, no ponto exato da lesão.
A perda da patente internacional não altera a continuidade do ensaio clínico, mas interfere na estratégia de transferência tecnológica. Sem exclusividade fora do Brasil, a negociação com empresas farmacêuticas globais se torna mais complexa. Investidores costumam avaliar o tempo restante de proteção antes de aportar recursos em pesquisas de alto custo.
Para pacientes e famílias que acompanham a evolução do estudo, o tema vai além de contratos e taxas administrativas. Lesão medular representa impacto permanente na autonomia, no trabalho e na vida cotidiana. A possibilidade de um tratamento regenerativo mobiliza expectativa e atenção.
Especialistas em inovação apontam que a manutenção de patentes internacionais envolve despesas contínuas em diferentes países. Sem financiamento regular, universidades públicas enfrentam dificuldades para sustentar esse tipo de proteção ao longo dos anos.
No laboratório da UFRJ, os experimentos continuam. A discussão agora ultrapassa o campo científico e entra no terreno das políticas públicas. A pesquisa avança em ritmo clínico; a proteção intelectual, não.
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