Vespa do DF vira arma contra Alzheimer: UnB testa peptídeo e mira Anvisa, mas falta dinheiro
Às 13h33 de 14 de agosto de 2025, a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal registrou que um grupo interdisciplinar da Universidade de Brasília, em Brasília, passou a desenvolver peptídeos terapêuticos inspirados na peçonha da vespa social Polybia occidentalis, com a ambição de interferir na formação de placas de beta-amiloide associadas ao Alzheimer; a iniciativa, apoiada pelo programa FAPDF Learning 2023, foi apresentada como resposta científica a uma doença que avança com o envelhecimento populacional e pressiona famílias e o sistema de saúde, segundo a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF).
Pontos Principais:
- Um grupo da UnB estuda peptídeos inspirados na peçonha da vespa Polybia occidentalis contra placas de beta-amiloide.
- O projeto é apoiado pelo programa FAPDF Learning 2023 e envolve Física, Farmácia, Nanotecnologia e Neurofarmacologia.
- A octovespina teve resultados pré-clínicos e o laboratório trabalha em análogos para melhorar absorção e entrega.
- A via intranasal é tratada como alternativa promissora e há registro de depósito de patente ligado a essa estratégia.
- A alzpeptidina é descrita como quimera molecular com apoio de simulações in silico para atravessar a barreira hematoencefálica.
- O avanço depende de infraestrutura, insumos importados, recursos financeiros e das etapas regulatórias da Anvisa.

A matéria da FAPDF afirma: “A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência no mundo e afeta cerca de 55 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estima-se que mais de 1,2 milhão de pessoas convivam com a enfermidade, número que tende a crescer com o envelhecimento da população. O impacto é profundo: além de comprometer a memória e a autonomia dos pacientes, gera altos custos para famílias e para o sistema de saúde”
Problema conhecido e implacável
Esta doença é descrita como a forma mais comum de demência mundial, e o ponto de partida, no laboratório, atende pelo nome de octovespina — um peptídeo extraído da peçonha da Polybia occidentalis e reposicionado como candidato farmacológico. Em junho de 2022, o trabalho acadêmico divulgado com base em artigo na revista Neuropeptides descreveu a capacidade do composto de evitar agregação de beta-amiloide em ensaios in vitro e de prevenir déficit de memória induzido por Aβ em camundongos, um tipo de evidência que, embora relevante, ainda se mantém no território pré-clínico.
Na prática, o que se vende como “novidade” não é a existência do peptídeo, mas a engenharia sobre ele. A equipe relata ter desenvolvido um análogo da octovespina, com alteração de aminoácido para melhorar absorção no organismo, e aponta a via intranasal como rota promissora por combinar viabilidade e menor invasividade; essa linha, segundo a própria fundação, já rendeu depósito de patente, um marco jurídico que protege a propriedade intelectual, mas não substitui comprovação clínica.
A busca por eficiência, porém, não se limita a trocar uma peça do quebra-cabeça: ela se estende à arquitetura de novas moléculas. Entre as versões estudadas, aparece a alzpeptidina, descrita como uma quimera molecular que combina elementos da octovespina e de outro peptídeo do mesmo grupo, a fraternina; simulações computacionais (in silico) sugerem potencial para atravessar a barreira hematoencefálica — o filtro biológico que protege o cérebro e, ao mesmo tempo, dificulta a chegada de fármacos.
Infelizmente não basta desenhar a molécula, é preciso entregar o composto no sítio certo, em dose útil, com estabilidade, sem degradar o ativo no caminho e sem produzir efeitos adversos inaceitáveis. A mesma comunicação pública cita o uso de nanotecnologia para otimizar entrega e ação no cérebro, indicando que o projeto está tão preso à bancada quanto à logística da formulação.
E, como quase toda pesquisa que tenta sair do artigo para o mundo real, os gargalos aparecem onde a contabilidade é menos poética: cadeia de suprimentos e infraestrutura. A fundação registra que a importação de reagentes e insumos pode levar de seis meses a um ano e que interrupções no fornecimento de energia já atrasaram experimentos sensíveis — um lembrete de que, sem previsibilidade operacional, até o melhor desenho experimental vira risco material, com impacto direto em cronograma, custos indiretos e gestão de projeto.
Sequência de etapas que não admite atalhos
Eficácia em células e em modelos animais, avaliação de toxicidade, padronização de formulação, governança de dados e, por fim, o rito regulatório. Em linguagem jurídica, trata-se de um percurso de compliance científico e sanitário que passa por autorizações éticas e desemboca na Anvisa, com exigências que funcionam como devido processo legal da saúde pública: prova antes de promessa.
O neurologista Lucas Cruz, do Hospital Anchieta, alertou para o valor do diagnóstico precoce, lembrando que sinais como perda de memória progressiva, desorientação e dificuldade para tarefas diárias — cozinhar, cuidar das finanças, vestir-se — podem ser confundidos com envelhecimento natural; ele citou medicamentos anticolinesterásicos e reforçou que acompanhamento psicológico, fisioterapia e apoio familiar compõem o manejo que sustenta pacientes enquanto a ciência tenta ampliar o arsenal terapêutico.
No fim das contas, a narrativa institucional — atualizada às 16h55 de 20 de outubro de 2025 e repercutida em diferentes redações, como a publicação de 17 de agosto de 2025 às 13h22 — carrega uma tese estratégica: a biodiversidade brasileira pode ser ativo de inovação, desde que haja financiamento contínuo, infraestrutura estável e rigor metodológico; por ora, a octovespina e suas derivadas seguem como candidatas em construção, com a promessa condicionada à prova.
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