SP revelou que mais de 60% dos frequentadores da antiga Cracolândia tinham ficha criminal, e a operação usou tecnologia inédita
O Governo de São Paulo informou que identificou 4,8 mil frequentadores da antiga Cracolândia com apoio de tecnologia e integração entre polícia e serviços públicos.
O Governo de São Paulo detalhou neste domingo, 17 de maio, parte da estratégia usada para desmontar a dinâmica da antiga Cracolândia, na região central da capital. Segundo dados oficiais, 4,8 mil frequentadores foram identificados entre 2023 e meados de maio do ano passado por meio de ações integradas entre as polícias Civil e Militar, com apoio da Guarda Civil Metropolitana.
A operação ocorreu dentro da chamada Operação Resgate e combinou policiamento ostensivo, inteligência policial e integração com setores de saúde e assistência social. O objetivo era separar usuários de drogas de integrantes de organizações criminosas que atuavam na região.
Dos quase 5 mil frequentadores identificados, cerca de 3 mil possuíam antecedentes criminais, o equivalente a mais de 60% do total monitorado pelas forças de segurança.
Tecnologia acelerou identificação de pessoas sem documentos
De acordo com o governo paulista, um dos principais obstáculos encontrados pelas equipes era a ausência de documentos entre os frequentadores da região. A utilização de ferramentas tecnológicas permitiu acelerar o processo de identificação sem necessidade de deslocamentos frequentes para delegacias.
Segundo o tenente-coronel Rodrigo Vilardi, coordenador do Centro Integrado de Comando e Controle, os dados coletados passaram a alimentar um sistema compartilhado entre diferentes órgãos públicos.
“O nome, CPF e outras informações dessa pessoa ficam armazenados em um banco de dados”, afirmou Vilardi ao detalhar o funcionamento do sistema integrado.
O cruzamento das informações permitiu que diferentes áreas do governo acompanhassem históricos individuais de atendimento. Segundo o governo estadual, a Secretaria da Saúde passou a acessar registros médicos, medicações utilizadas e atendimentos realizados anteriormente por cada frequentador identificado.
A gestão estadual afirma que essa individualização ajudou na formulação de estratégias conjuntas envolvendo saúde pública, assistência social e segurança.
Região teve queda nos roubos e furtos após operação
Os dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública apontam redução de 32% nos roubos e furtos registrados na antiga área do fluxo no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2022, quando a Cracolândia ainda concentrava grande movimentação no centro paulistano.
As estatísticas consideram ocorrências registradas nos 3º e 77º Distritos Policiais.
Além do monitoramento dos frequentadores, o governo informou que reforçou investigações voltadas à estrutura financeira que mantinha o funcionamento da cena aberta de uso de drogas.
- 4,8 mil frequentadores identificados
- Cerca de 3 mil com registros criminais
- 32% de queda em roubos e furtos
- 173 armas ilegais apreendidas
- 955 quilos de drogas apreendidos
Prisões e apreensões cresceram na região central
Desde o início da atual gestão estadual, 9,8 mil infratores foram presos na região central ligada à antiga Cracolândia, segundo o balanço divulgado pela Secretaria da Segurança Pública.
No mesmo período, as forças de segurança apreenderam 173 armas de fogo ilegais, recuperaram 454 veículos e retiraram 955 quilos de drogas de circulação.
Segundo a Agenciasp, a administração estadual também ampliou a estrutura de assistência voltada a ex-usuários de drogas. Paralelamente à divulgação dos números da operação policial, o governo informou que programas ligados a casas terapêuticas continuam sendo expandidos na capital paulista para atendimento de pessoas que deixaram a região central após o esvaziamento do fluxo.
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