Perfis “dix” revelam dilemas da Geração Z entre busca por autenticidade e riscos da exposição digital

Uma nova gíria digital desponta como retrato dos dilemas contemporâneos da juventude conectada: “dix”. Assim são chamados os perfis privados e alternativos criados por adolescentes nas redes sociais, especialmente no Instagram. Usados para compartilhar desabafos, bastidores da rotina e momentos espontâneos, esses espaços íntimos surgem como reação direta à pressão dos perfis públicos, onde a imagem pessoal é cuidadosamente filtrada.

Tecnologia
Publicado por Bianca Ludymila em 5/06/2025

Pontos Principais:

  • “Dix” são perfis privados usados por jovens para expressar intimidade e vulnerabilidade.
  • O termo viralizou após polêmica com filhos de celebridades e influenciadores no TikTok.
  • Embora pareçam seguros, os perfis dix estão sujeitos a vazamentos e julgamentos.
  • Adolescentes criam versões distintas de si, o que pode gerar conflitos de identidade.
  • Pesquisas apontam alto tempo de uso das redes e frequente exposição a riscos online.
  • Especialistas recomendam diálogo entre jovens, pais e escolas para mitigar danos.
  • O movimento reflete a busca por autenticidade em um mundo cada vez mais performático.

O termo entrou no radar nacional após um episódio envolvendo Benício Huck, filho de celebridades, e um grupo de jovens influenciadoras no TikTok. O que seria apenas uma solicitação para seguir o “dix” do adolescente foi interpretado como possível flerte, resultando em acusações públicas, vídeos chorosos e viralização com direito a hashtags e julgamento coletivo. Mais uma vez, a tentativa de preservar a autenticidade colidiu com a lógica da exposição.

Jovens usam perfis dix para se expressar longe dos holofotes das redes.
Jovens usam perfis dix para se expressar longe dos holofotes das redes.

Dentro dos “dix”, tudo parece mais leve, mais sincero. Neles, a Geração Z busca expressar o que não cabe no palco central das redes. Porém, essa aparente liberdade vem acompanhada de riscos invisíveis: vazamento de informações, printagens não autorizadas, manipulação emocional e exposição a julgamentos intensos mesmo dentro de bolhas privadas. A falsa sensação de segurança é um dos pontos de maior preocupação.

Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2023, 88% dos brasileiros entre 9 e 17 anos já têm perfil ativo nas redes. E 38% afirmam ter enfrentado situações desconfortáveis ou arriscadas no ambiente digital. O tempo médio gasto por essa faixa etária online chega a oito horas por dia, de acordo com estudo da FAESA. Isso significa que muitos adolescentes usam a rede como espaço principal de interação, inclusive para resolver conflitos e construir identidade.

O fenômeno dos perfis dix também revela uma contradição: ao tentar fugir da performance digital, muitos acabam criando novas versões de si mesmos — menos produzidas, porém ainda pensadas. O desejo de ser “verdadeiro” passa a coexistir com a necessidade de controle sobre quem vê essa versão. O resultado é uma divisão da identidade que pode gerar ansiedade e tensão emocional.

Entre os riscos mais citados por especialistas estão a exposição não consentida de conteúdos íntimos, o cyberbullying entre pares e o uso desses espaços para divulgar comportamentos autodestrutivos ou situações de vulnerabilidade emocional. Como são perfis secretos e, muitas vezes, desconhecidos pelos adultos responsáveis, também se tornam ambientes frágeis para o aliciamento digital e a propagação de informações perigosas.

Ao mesmo tempo, o “dix” também representa uma tentativa legítima de resgatar a espontaneidade perdida entre algoritmos e filtros. Para muitos jovens, esses espaços oferecem alívio, comunidade e pertencimento. Mas, sem orientação e sem discussões francas sobre o que pode ser compartilhado e com quem, o que parece ser abrigo pode se transformar em armadilha.

Por trás da escolha de manter um “dix”, há um grito silencioso por conexão real. Uma necessidade de existir sem o peso das curtidas ou da comparação. Mas, se esse movimento não vier acompanhado de um processo educativo sobre privacidade, ética digital e bem-estar, seu potencial transformador pode se perder no meio do ruído da rede.

Especialistas em comportamento digital defendem que a resposta para essa nova dinâmica não deve ser o veto ou a repressão, mas a escuta ativa. É preciso que pais e educadores entendam os códigos dessa geração e abram espaço para conversas seguras, em vez de agir apenas diante das crises. O “dix” pode ser porta de entrada para um diálogo mais profundo sobre os limites entre o público e o privado na era da superexposição.

A Geração Z cresceu sob os olhos atentos da internet, mas busca hoje uma forma de existir que não seja apenas visível — e sim compreendida. Nesse contexto, os “dix” não são apenas uma moda passageira: são sintoma de um novo desejo coletivo por autenticidade. E também um alerta.

Por Bia Ludymila MTB 0081969/SP.

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