Operação Contrafeixe: investigação revela caminho dos celulares roubados em SP
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou uma operação para atingir a estrutura que recebia e revendia celulares roubados pela quadrilha do quebra-vidro, responsável por ataques a motoristas na capital.
A Polícia Civil de São Paulo realizou nesta quarta-feira uma ofensiva para atingir a cadeia de receptação responsável por receber, comercializar e explorar dados de celulares roubados e furtados pela chamada quadrilha do quebra-vidro. A ação integra uma investigação conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que identificou a estrutura utilizada para dar destino aos aparelhos subtraídos em diferentes regiões da capital paulista.
Batizada de Operação Contrafeixe, a ação cumpre 19 mandados de busca e apreensão contra investigados apontados como integrantes da rede criminosa. O foco principal é interromper a circulação dos aparelhos no mercado clandestino e reunir provas que permitam avançar sobre toda a cadeia envolvida nos crimes.
Segundo as investigações, os criminosos aproveitavam congestionamentos e momentos de parada dos veículos para quebrar os vidros dos automóveis e roubar celulares dos ocupantes. Após os ataques, os aparelhos eram encaminhados para receptadores especializados na revenda e no aproveitamento dos dados armazenados nos dispositivos.
Celulares desbloqueados tinham maior valor para criminosos
As apurações mostram que os aparelhos desbloqueados eram especialmente valorizados no mercado ilegal. Isso porque permitiam acesso rápido a aplicativos bancários, contas digitais e informações pessoais das vítimas.
De acordo com a Polícia Civil, além da revenda dos equipamentos, os criminosos utilizavam os dados obtidos para realizar transferências financeiras, movimentações bancárias e outras modalidades de fraude eletrônica.
O delegado Fernando Santiago, responsável pelas investigações, afirmou que atacar a receptação é uma das formas mais eficazes de reduzir os índices desse tipo de crime.
Segundo a polícia, a existência de compradores e revendedores mantém ativo o mercado ilegal de celulares roubados e furtados, estimulando novas ações criminosas.
Investigação utilizou inteligência para rastrear a rede criminosa
A operação recebeu o nome de Contrafeixe em referência à chamada “Batalha dos Feixes”, episódio da Segunda Guerra Mundial marcado pela interceptação de sistemas de comunicação utilizados pelos alemães.
A escolha faz alusão ao trabalho de inteligência realizado pelos investigadores para identificar os integrantes da organização criminosa, rastrear a circulação dos aparelhos e reconstruir o funcionamento da rede de receptação.
O levantamento permitiu conectar roubos praticados por integrantes da quadrilha do quebra-vidro a pessoas responsáveis pela revenda dos celulares e pela exploração das informações contidas nos dispositivos.
Operação mobiliza dezenas de policiais
A ofensiva é coordenada pela 2ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio (Disscpat), vinculada ao Deic.
Ao todo, a operação mobiliza 50 policiais civis e 22 viaturas. As equipes atuam simultaneamente em diferentes endereços da capital paulista para apreender equipamentos, documentos, registros financeiros e outros elementos que possam reforçar as investigações, revelou a Agenciasp.
- 19 mandados de busca e apreensão foram expedidos;
- 50 policiais civis participam da operação;
- 22 viaturas foram empregadas na ação;
- o alvo principal é a rede de receptação ligada à quadrilha do quebra-vidro.
As diligências continuam para identificar outros envolvidos e aprofundar o mapeamento da estrutura criminosa. Conforme a Polícia Civil, os investigados podem responder por associação criminosa, roubo, furto, receptação e furto eletrônico, enquanto novas análises de materiais apreendidos devem orientar os próximos desdobramentos da investigação.
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