Nunes Marques ,ministro indicado por Bolsonaro, assume comando das eleições de 2026 e gesto protocolar com ex-presidente agita bastidores
A posse do ministro Kassio Nunes Marques na Presidência do Tribunal Superior Eleitoral, marcada para esta terça-feira (12), em Brasília, abriu nova movimentação política em torno das eleições de 2026 após o convite protocolar enviado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar. A cerimônia também marca a chegada de André Mendonça à vice-presidência da Corte Eleitoral, consolidando no comando do TSE dois ministros indicados ao STF durante o governo Bolsonaro.
A cerimônia de posse do ministro Kassio Nunes Marques como novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral ganhou repercussão antes mesmo de acontecer por causa do convite enviado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar de Bolsonaro cumprir prisão domiciliar, integrantes da Justiça Eleitoral consideram o gesto uma formalidade institucional aplicada tradicionalmente a atuais e ex-chefes de Estado.
Além de Bolsonaro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi convidado para a solenidade marcada para as 19h desta terça-feira no plenário do TSE, em Brasília. O evento marcará oficialmente a saída antecipada da ministra Cármen Lúcia da presidência da Corte Eleitoral. O mandato dela terminaria apenas em junho, mas a mudança foi antecipada para maio.
Nos bastidores do Judiciário, a presença ou ausência de Bolsonaro no evento virou assunto político por envolver diretamente dois ministros indicados por ele ao Supremo Tribunal Federal. Tanto Nunes Marques quanto André Mendonça chegaram ao STF durante o governo do ex-presidente e agora assumirão os principais cargos do tribunal responsável pela condução das eleições presidenciais de 2026.
TSE terá desafio com inteligência artificial e desinformação
A nova gestão do TSE assume em um cenário de pressão crescente sobre o sistema eleitoral brasileiro, especialmente após o avanço do uso de inteligência artificial em campanhas políticas e conteúdos digitais manipulados.
Foi durante a gestão de Cármen Lúcia que o tribunal aprovou regras mais rígidas contra deepfakes eleitorais. A norma prevê punições severas e até cassação imediata de candidatos que utilizarem conteúdos falsos produzidos com IA para enganar eleitores.
A expectativa dentro do TSE é que a eleição de 2026 represente o maior teste já enfrentado pela Justiça Eleitoral no combate à desinformação digital.
O tribunal também intensificou ações públicas para reforçar a confiança nas urnas eletrônicas e no processo eleitoral. Entre as iniciativas recentes estão o lançamento da mascote “Pilili”, criada para representar os 30 anos da urna eletrônica, além da realização de novos testes públicos de segurança das urnas.
Como funciona a escolha do presidente do TSE
A presidência do Tribunal Superior Eleitoral segue um sistema de rodízio entre ministros do Supremo Tribunal Federal que integram a Corte Eleitoral. O critério utilizado é o da antiguidade.
Segundo o próprio TSE, o modelo busca garantir estabilidade administrativa, alternância institucional e continuidade das ações ligadas à organização das eleições brasileiras.
- Nunes Marques assume a presidência do TSE em 12 de maio de 2026
- André Mendonça ocupará a vice-presidência da Corte
- Cármen Lúcia deixou o cargo antes do prazo previsto inicialmente
- As eleições gerais de 2026 serão conduzidas pela nova gestão
Quem são os ministros que assumem o comando da Corte Eleitoral
Kassio Nunes Marques, de 53 anos, nasceu em Teresina, no Piauí, e integra o STF desde 2020. Antes da Suprema Corte, atuou como desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, passou pelo Tribunal Regional Eleitoral do Piauí e exerceu a advocacia por cerca de 15 anos.
André Mendonça, também de 53 anos, nasceu em Santos, no litoral paulista, e assumiu vaga no STF em dezembro de 2021. Ao longo da carreira, comandou a Advocacia-Geral da União em duas ocasiões e também ocupou o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Segundo o R7, a chegada da dupla ao comando do TSE acontece em um momento de forte tensão institucional envolvendo regras eleitorais, investigações ligadas ao 8 de janeiro, debates sobre liberdade de expressão nas redes sociais e decisões recentes do STF relacionadas à Lei da Dosimetria. O tribunal também acompanha discussões sobre segurança das urnas eletrônicas e mecanismos de fiscalização digital que deverão ganhar peso durante a campanha presidencial de 2026.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.
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