Lucro BBAS3 2026: Banco do Brasil perdeu quase metade do lucro e os números escondem um problema que preocupa o mercado
Banco do Brasil registra lucro de R$ 3,4 bilhões no 1º trimestre de 2026, com queda de 53,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
O Banco do Brasil iniciou 2026 com um resultado abaixo do registrado nos últimos anos e apresentou uma queda expressiva no lucro em meio ao avanço da inadimplência e à redução da rentabilidade das operações de crédito. O banco estatal encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões, recuo de 53,5% na comparação com o mesmo período de 2025.
O resultado também ficou abaixo do registrado no último trimestre do ano passado. Na comparação com os três meses finais de 2025, a queda chegou a 40,2%, segundo balanço financeiro divulgado nesta quarta-feira (13).
O lucro líquido ajustado considera receitas e despesas extraordinárias que não fazem parte da operação recorrente da instituição. Mesmo assim, o desempenho acendeu atenção no mercado financeiro porque ocorre em um momento de crescimento da carteira de crédito e expansão dos ativos do banco.
Rentabilidade recua e inadimplência sobe
O retorno sobre patrimônio líquido, indicador conhecido como ROE e usado para medir eficiência e capacidade de geração de lucro, caiu para 7,3% no trimestre. No mesmo período do ano anterior, o índice estava em 16,7%. Há três meses, era de 12,4%.
O avanço da inadimplência também apareceu nos números apresentados pelo banco. As operações com atraso superior a 90 dias fecharam março em 5,05%. O índice subiu 1,41 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre de 2025.
Apesar da deterioração em parte da carteira, o Banco do Brasil continuou ampliando sua presença no crédito. A carteira expandida chegou a R$ 1,3 trilhão, crescimento de 2,2% em 12 meses.
Segundo o banco, o avanço foi puxado principalmente pelas operações destinadas a pessoas físicas, especialmente o crédito consignado e a linha chamada Crédito ao Trabalhador, lançada em março do ano passado.
O desempenho mais fraco do trimestre ocorre mesmo com crescimento de ativos, patrimônio líquido e receitas de serviços.
Banco amplia ativos, mas margem com clientes cai
O Banco do Brasil encerrou o trimestre com R$ 2,6 trilhões em ativos totais e patrimônio líquido de R$ 194,9 bilhões. Os ativos cresceram 7,6% em relação ao mesmo período do ano anterior e 6,3% frente ao trimestre anterior.
O patrimônio líquido também avançou. Há um ano, o valor estava em R$ 184,1 bilhões.
A margem financeira total do banco somou R$ 27,4 bilhões no trimestre. Na comparação anual, houve alta de 14,8%, mas o resultado mostrou desaceleração em relação aos três meses anteriores, quando ocorreu queda de 1,3%.
Dentro dessa linha, a margem financeira com clientes ficou em R$ 22,9 bilhões. O indicador caiu 6,9% frente ao primeiro trimestre de 2025 e recuou 6,1% em relação ao último trimestre do ano passado.
Já o resultado das operações de tesouraria atingiu R$ 8,85 bilhões. Houve crescimento de 23% em um ano, embora o número tenha ficado 12,8% abaixo do trimestre anterior.
Receita de serviços cresce pouco no trimestre
As receitas com prestação de serviços chegaram a R$ 8,8 bilhões entre janeiro e março. O crescimento foi de 5,5% em relação ao mesmo período de 2025, mas praticamente ficou estável na comparação trimestral, com leve queda de 0,2%.
A administração de fundos teve receita de R$ 2,7 bilhões no trimestre. O valor representou alta de 8,6% em um ano e avanço discreto de 0,4% frente aos três meses anteriores.
- Lucro líquido ajustado: R$ 3,4 bilhões
- Queda anual do lucro: 53,5%
- ROE do trimestre: 7,3%
- Carteira de crédito: R$ 1,3 trilhão
- Ativos totais: R$ 2,6 trilhões
- Patrimônio líquido: R$ 194,9 bilhões
- Inadimplência acima de 90 dias: 5,05%
O resultado do primeiro trimestre reforça o movimento registrado ao longo de 2025. No acumulado do ano passado, o Banco do Brasil informou lucro líquido ajustado de R$ 20,7 bilhões, queda de 45% na comparação com 2024.
O lucro bruto da atividade bancária somou R$ 103,1 bilhões em 2025. Apenas no quarto trimestre, o resultado ficou em R$ 27,8 bilhões, com alta de 5,4% sobre o trimestre imediatamente anterior e avanço de 3,8% na comparação anual, revelou o UOL.
O balanço foi divulgado no mesmo dia em que o mercado acompanhou nova pressão sobre o dólar e queda da Bolsa brasileira. A moeda norte-americana fechou cotada a R$ 5,009, enquanto o Ibovespa caiu 1,80%, encerrando o pregão aos 177.098 pontos.
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