Escala 6×1 vira batalha no Congresso e pressiona empresas e trabalhadores em 2026
Rick Azevedo afirmou nesta semana que o fim da escala 6×1 deve ir a votação ainda no primeiro semestre de 2026, após declaração do presidente da Câmara, Hugo Motta, colocando o tema entre as prioridades do ano legislativo. A sinalização reacendeu o embate entre trabalhadores que defendem mais tempo livre e empresários que alertam para impactos imediatos nos custos e no emprego formal.

- Rick Azevedo afirma que o fim da escala 6×1 pode ser votado em 2026.
- Pesquisa Genial/Quaest mostra 72% de apoio popular.
- No Congresso, apenas 42% dos deputados apoiam a proposta.
- Micro e pequenas empresas concentram 80% dos empregos formais.
- A PEC propõe jornada 4×3 com 36 horas semanais.
A proposta, que ganhou tração após uma petição com quase 3 milhões de assinaturas, saiu das redes sociais para o centro da agenda política. O debate deixou de ser apenas um desabafo viral e passou a integrar articulações formais no Congresso. Hoje, duas frentes se movimentam: a que defende a transição para jornadas reduzidas e a que pede cautela diante do cenário econômico.
Pesquisas da Genial/Quaest indicam que 72% da população apoia o fim da 6×1. No Parlamento, o apoio é menor: 42% dos deputados se dizem favoráveis, enquanto 45% são contrários. Em julho do ano passado, a resistência chegava a 70%. A curva mudou, mas ainda está longe de consenso.
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Apoio popular | 72% |
| Deputados favoráveis | 42% |
| Deputados contrários | 45% |
| Assinaturas da petição | 3 milhões |
A proposta em discussão inclui uma alternativa mais ampla apresentada por Erika Hilton, prevendo jornada 4×3 com 36 horas semanais. Como se trata de PEC, a aprovação depende de três quintos dos votos em dois turnos. A matemática legislativa é rigorosa, e cada voto tem peso decisivo.
Empresários argumentam que a mudança pode afetar principalmente micro e pequenas empresas, responsáveis por cerca de 80% dos empregos formais. Setores como varejo farmacêutico, supermercados e serviços contínuos alegam dificuldade operacional para reduzir carga horária sem ampliar equipes ou repassar custos ao consumidor.
Do lado dos trabalhadores, o discurso enfatiza exaustão e qualidade de vida. A defesa central é que jornadas extensas reduzem produtividade e ampliam afastamentos por saúde. O movimento Vida Além do Trabalho sustenta que reorganização de turnos e incentivos fiscais podem amortecer impactos.
Nos bastidores, técnicos discutem alternativas como:
- Transição gradual de jornada.
- Incentivos fiscais temporários.
- Revisão de escalas por setor.
- Compensação via banco de horas.
A discussão também dialoga com o avanço do trabalho por aplicativo. Plataformas como iFood e Uber cresceram oferecendo flexibilidade, enquanto parte dos trabalhadores migra em busca de autonomia. O governo tenta regulamentar esse modelo desde 2023, mas enfrenta resistência tanto de empresas quanto de motoristas e entregadores.
Especialistas em mercado de trabalho apontam que redução de jornada, isoladamente, não garante aumento de produtividade. Países europeus que testaram semanas mais curtas combinaram a mudança com reorganização operacional e investimento tecnológico. No Brasil, a implementação dependerá de desenho fiscal e negociação coletiva.
O tema deve se consolidar como eixo eleitoral em 2026. Aliados do presidente Lula avaliam que a pauta dialoga com jovens e trabalhadores de baixa renda. Já opositores defendem que qualquer alteração estrutural precisa considerar o momento econômico e a capacidade de adaptação das empresas.
Entre pressão popular, cálculo político e alerta empresarial, a escala 6×1 deixa de ser apenas uma rotina de trabalho para se tornar um divisor de rumos no debate sobre produtividade, direitos e crescimento econômico.
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