“É uma ruptura grave dentro da Igreja”, diz fiel sobre excomunhão de bispos lefebvrianos após ordenação sem autorização do papa Leão XIV
Vaticano pune bispos lefebvrianos e reacende disputa com grupo ultraconservador que cresce no Brasil, rejeita reformas modernas e mantém missas em latim.
O Vaticano declarou nesta quinta-feira (2) a excomunhão de bispos ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, grupo católico ultratradicionalista sediado na Suíça, depois que a congregação ordenou quatro novos bispos sem autorização do papa Leão XIV.
O decreto foi publicado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, órgão responsável pela supervisão doutrinária da Igreja Católica, e afirma que a Fraternidade celebra sacramentos de forma ilícita, enquanto seus padres e fiéis que aderem formalmente ao grupo passam a ser tratados como cismáticos e excomungados.
“A missa em latim sempre foi vista por muitos fiéis como sinal de tradição, mas ordenar bispos sem o papa muda tudo, porque coloca a obediência a Roma no centro da crise.” – Carlos Menezes, São Paulo
Ordenação na Suíça abriu nova crise com Roma
A punição atinge os bispos Alfonso de Galarreta e Bernard Fellay, que conduziram a cerimônia em Écône, na Suíça, além dos quatro padres ordenados bispos: Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier.
Com a excomunhão, os religiosos ficam impedidos de receber sacramentos até que se arrependam e peçam perdão, e o decreto também afirma que o grupo não poderá celebrar casamentos nem ouvir confissões de forma válida.
A crise repete uma ruptura histórica dentro da Igreja Católica, já que o fundador da Fraternidade, o arcebispo francês Marcel Lefebvre, também foi excomungado em 1988, quando ordenou quatro bispos sem autorização do papa João Paulo 2º.
Grupo rejeita reformas do Vaticano 2º e mantém missa em latim
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X nasceu em 1970, na Suíça, como reação às mudanças do Concílio Vaticano 2º, realizado entre 1962 e 1965, que permitiu missas no idioma local, aproximou fiéis da leitura da Bíblia e abriu diálogo com outras religiões.
Os lefebvrianos rejeitam essas reformas, mantêm a missa em latim, com o padre de costas para os fiéis durante boa parte da celebração, e defendem um modelo de Igreja anterior às mudanças feitas nos anos 1960.
Movimento tem capelas no Brasil e cresce entre católicos conservadores
No Brasil, o grupo ganhou força após a reconciliação da Diocese de Campos dos Goytacazes com o Vaticano, em 2002, quando parte dos fiéis que rejeitava essa aproximação passou a buscar a Fraternidade Sacerdotal São Pio X.
Hoje, segundo os endereços citados nos boletins distribuídos aos fiéis, a congregação está presente em 14 capelas, em cidades como São Paulo, Indaiatuba, Ribeirão Preto, Sorocaba, Itapetininga, São José do Rio Preto, Passos, Curitiba, Cuiabá, Campo Grande, Fortaleza, Parnaíba, Teresina e São Luís.
O movimento reúne cerca de um milhão de fiéis no mundo e aproximadamente 700 padres, número pequeno diante dos 1,4 bilhão de católicos, mas relevante para o avanço do catolicismo tradicionalista e para a nova tensão entre Roma e grupos que rejeitam o Concílio Vaticano 2º.
Fonte: Vaticannews e G1.












