Vaticano: Quem foi Nazareno Lanciotti e por que o Papa Leão XIV destacou sua beatificação com destaque para o Brasil
O Papa Leão XIV destacou no Vaticano a beatificação de Nazareno Lanciotti, missionário que atuou por décadas em Mato Grosso e foi morto após denunciar crimes ligados à exploração de menores e tráfico.
O Papa Leão XIV recordou neste domingo a beatificação de Nazareno Lanciotti, sacerdote italiano que dedicou grande parte de sua vida ao trabalho missionário no Brasil e foi assassinado após denunciar atividades criminosas na região onde atuava. A menção ocorreu ao final da oração do Angelus, na Praça São Pedro, diante de milhares de fiéis.
Homenagem aos novos beatos
Durante sua manifestação, o pontífice também lembrou outros religiosos recentemente beatificados na Europa. Ao citar os novos beatos, ressaltou que muitos deles foram vítimas de perseguições promovidas por regimes totalitários devido à fidelidade à fé cristã.
Em seguida, voltou a atenção para o caso brasileiro e destacou a trajetória de Nazareno Lanciotti, cuja cerimônia de beatificação foi realizada no sábado, no Mato Grosso.
“Ele também foi mártir porque, em nome do Evangelho, defendia os mais pobres”, afirmou o Papa ao mencionar o sacerdote que trabalhou por décadas no interior brasileiro.
Quem foi Nazareno Lanciotti
Nazareno Lanciotti chegou ao município de Jauru, no Mato Grosso, em 1972. Ao longo de quase três décadas de atuação, fundou a Paróquia Nossa Senhora do Pilar e ficou conhecido por iniciativas religiosas e sociais voltadas à população local.
Seu trabalho ultrapassava as atividades tradicionais da vida paroquial. O sacerdote denunciava situações envolvendo exploração de menores, prostituição e tráfico de drogas, temas que provocavam forte impacto na região.
Segundo o histórico apresentado durante o processo de beatificação, sua atuação em defesa dos mais vulneráveis acabou transformando o religioso em alvo de grupos criminosos.
- Atuou em Jauru a partir de 1972;
- Fundou a Paróquia Nossa Senhora do Pilar;
- Desenvolveu ações evangelizadoras e sociais;
- Denunciou crimes ligados à exploração de menores;
- Também combateu prostituição e tráfico de drogas.
Assassinato levou ao reconhecimento como mártir
Em 2001, Nazareno Lanciotti foi baleado dentro de sua residência. O missionário não resistiu aos ferimentos e morreu após o ataque.
A Igreja Católica reconheceu que sua morte teve relação direta com a missão que exercia e com as denúncias feitas ao longo dos anos. Esse entendimento foi determinante para que o sacerdote fosse reconhecido como mártir, condição que abriu caminho para a beatificação.
A cerimônia realizada no sábado foi presidida pelo cardeal João Braz de Aviz, prefeito emérito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica.
Papa também falou sobre Espanha e Filipinas
Após mencionar os novos beatos, Leão XIV agradeceu pela recente viagem apostólica realizada à Espanha. O pontífice dirigiu palavras de gratidão aos bispos, religiosos e fiéis espanhóis, além de fazer referência especial ao rei Felipe VI.
Na mesma mensagem, o Papa voltou seus pensamentos às Filipinas, atingidas por um terremoto de magnitude 7,8 registrado em 8 de junho. O tremor teve epicentro na região de Mindanao e deixou mais de 40 mortos, centenas de feridos e mais de 32 mil pessoas desabrigadas.
Ao final da manifestação, Leão XIV afirmou que reza pelas vítimas, pelos familiares dos mortos e por todos os afetados pela tragédia, enquanto a Igreja acompanha os desdobramentos da situação nas áreas atingidas pelo terremoto.

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