Dinheiro do crime: Áudio atribuído ao crime organizado reforça indiciamento de Deolane em investigação sobre lavagem de dinheiro
A Polícia Civil incluiu um áudio com referências a "dinheiro do crime" entre os elementos usados para indiciar Deolane Bezerra por lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A conclusão do relatório complementar da operação Vérnix acrescentou um novo elemento ao caso que envolve a influenciadora e advogada Deolane Bezerra. A Polícia Civil de São Paulo passou a considerar um áudio enviado a uma ex-funcionária da família como uma das evidências que reforçam a tese de lavagem de dinheiro investigada pelas autoridades.
O material foi entregue aos investigadores por Denise Rosane Bastos, que trabalhou como diarista para a família desde 2021. Segundo o inquérito, ela passou a receber ameaças após ser acusada de ter furtado R$ 80 mil em espécie da residência de Kayky Bezerra, filho da influenciadora, no bairro do Tatuapé, na zona leste da capital paulista.
Gravação passou a integrar a investigação
Na gravação analisada pela polícia, um homem afirma ter ligação com o crime organizado e faz referências ao que chama de “dinheiro oriundo do crime”. O conteúdo também menciona supostas operações de lavagem de recursos e faz ameaças relacionadas ao desaparecimento do dinheiro.
De acordo com os investigadores, a linguagem utilizada e os nomes citados foram confrontados com outras informações reunidas durante a apuração. O relatório sustenta que o episódio reforça a suspeita de que pessoas ligadas ao núcleo investigado lidavam com grandes quantidades de dinheiro em espécie.
Para a polícia, a gravação não representa apenas um conflito particular envolvendo uma ex-funcionária, mas um elemento que fortalece a linha investigativa desenvolvida ao longo da operação.
Denise também relatou ter recebido ofensas e ameaças por telefone. Segundo seu depoimento, pessoas ligadas ao grupo investigado teriam realizado buscas em sua residência, veículo e celular. Ela nega ter cometido qualquer furto e move ação judicial contra Deolane e seu filho.
Operação resultou em sete indiciamentos
O Departamento de Polícia Judiciária do Interior formalizou o indiciamento de sete pessoas apontadas como participantes da estrutura investigada.
- Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola
- Alejandro Juvenal Herbas Camacho
- Deolane Bezerra Santos
- Everton de Souza
- Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho
- Paloma Sanches Herbas Camacho
- Eduardo Affonso Rodrigues
Segundo o relatório, Eduardo Affonso Rodrigues teria atuado como responsável técnico por uma extensa rede empresarial. A polícia afirma que mais de 2.400 empresas teriam sido constituídas para conferir aparência de legalidade às operações financeiras investigadas.
Transportadora aparece como núcleo da apuração
As investigações apontam a empresa Lopes Lemos Transportes Ltda. como peça central do esquema analisado. A polícia sustenta que a companhia teria sido utilizada como instrumento operacional para movimentação de recursos e ocultação patrimonial.
O caso começou a ganhar forma após a análise de bilhetes e manuscritos apreendidos anos atrás em um presídio de Presidente Venceslau. A partir dessas informações, os investigadores passaram a monitorar empresas ligadas ao entorno da unidade prisional e chegaram à transportadora.
Segundo o inquérito, a evolução da apuração permitiu identificar repasses financeiros e conexões empresariais que posteriormente levaram ao nome de Deolane, revelou o UOL.
Bens de luxo e bloqueios patrimoniais
Durante a operação foram apreendidos veículos de alto valor, joias, relógios, computadores, celulares e quantias em dinheiro. Entre os automóveis citados pelas autoridades estão uma Lamborghini Huracan EVO, uma Mercedes-Benz AMG G63 e um Cadillac Escalade.
A polícia também pediu o bloqueio de contas bancárias e o sequestro cautelar de bens dos investigados. Documentos encontrados durante as buscas indicariam planos de reorganização empresarial, proteção patrimonial e expansão de negócios ligados ao setor de apostas.
A defesa de Deolane afirma que a influenciadora é inocente e considera as medidas adotadas desproporcionais. Já a defesa de Marcola declarou que ele nega qualquer ligação com a transportadora investigada. Com o encerramento da fase policial, o material foi encaminhado ao Ministério Público, que avaliará a apresentação de denúncia ou a necessidade de novas diligências.

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