Datafolha revela número que assusta o Brasil: 68 milhões vivem sob presença de facções e milícias

Uma pesquisa nacional divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha aponta que cerca de 68 milhões de brasileiros vivem em áreas onde há presença percebida de facções criminosas ou milícias. O número representa 41% da população e expõe o avanço do crime organizado sobre bairros, serviços e hábitos da população em diferentes regiões do país.

Brasil
Publicado por em 11/05/2026
Datafolha revela número que assusta o Brasil: 68 milhões vivem sob presença de facções e milícias

Uma pesquisa realizada pelo Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou que aproximadamente 68 milhões de brasileiros percebem a atuação de facções criminosas ou milícias nos bairros onde vivem. O dado corresponde a 41% da população e mostra a expansão da influência do crime organizado sobre o cotidiano urbano em diferentes regiões do país.

Segundo o levantamento, quase metade das pessoas que convivem com esse cenário afirma que a atuação desses grupos é “visível” ou “muito visível”. O estudo foi divulgado em meio ao debate crescente sobre segurança pública e sobre o impacto das organizações criminosas em serviços, comércio local e circulação de moradores.

Medo da violência mudou a rotina de milhões de brasileiros

Além da percepção da presença criminosa, a pesquisa aponta mudanças concretas de comportamento causadas pela insegurança. O relatório mostra que 57% dos brasileiros alteraram hábitos nos últimos 12 meses por medo da violência.

Entre as principais mudanças relatadas pelos entrevistados estão evitar sair à noite, mudar trajetos habituais e deixar de usar celular em espaços públicos.

  • 36,5% mudaram percursos rotineiros
  • 35,6% deixaram de sair à noite
  • 33,5% passaram a evitar sair com celular
  • 26,8% retiraram alianças ou acessórios pessoais
  • 22,5% deixaram de adquirir bens por medo de roubo ou furto

O estudo também identificou que 96,2% dos entrevistados afirmam sentir medo de ao menos uma situação relacionada à violência urbana.

Crime organizado amplia influência sobre bairros e serviços

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o cenário atual vai além dos crimes tradicionais e mostra estruturas criminosas consolidadas em territórios urbanos.

“O momento atual que o Brasil vive é de consolidação criminal em torno de organizações que controlam territórios, mercados, economias e a vida da população”, afirmou Renato Sérgio de Lima, presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O relatório cita organizações como PCC e Comando Vermelho ao abordar a expansão das cadeias criminosas ligadas a roubos, receptação, fraudes digitais e domínio territorial.

A pesquisa também mostra que parte da população afirma sofrer influência direta dessas organizações nas regras de convivência dos bairros onde mora. Um terço dos moradores dessas regiões disse que o crime organizado interfere fortemente na dinâmica local.

Outro dado apontado pelo levantamento envolve a exploração econômica em áreas dominadas. Segundo a pesquisa, 12% dos entrevistados disseram já ter sido obrigados a contratar serviços controlados por criminosos, como internet, TV a cabo, água, energia ou telefonia.

Levantamento coloca segurança no centro da eleição de 2026

O estudo foi encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com o objetivo de subsidiar o debate eleitoral deste ano. O relatório critica discursos políticos baseados apenas em confronto ou endurecimento penal e defende ações coordenadas entre governos para retomada de territórios dominados pelo crime.

A diretora-executiva do Fórum, Samira Bueno, afirmou que o medo altera a mobilidade da população e produz impactos econômicos e psicológicos nas comunidades afetadas.

A pesquisa ouviu presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios brasileiros entre os dias 9 e 10 de março de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Dado da pesquisa Percentual
Brasileiros que percebem presença de facções ou milícias 41%
Pessoas que mudaram hábitos por medo da violência 57%
Entrevistados com medo de ao menos uma situação de violência 96,2%
Pessoas que deixaram de sair à noite 35,6%
Moradores obrigados a contratar serviços ligados ao crime 12%

Segundo Oglobo, o levantamento deve alimentar discussões sobre segurança pública ao longo da campanha eleitoral de 2026, enquanto governos estaduais e federal seguem pressionados por resultados diante da expansão das organizações criminosas em áreas urbanas do país.

Bianca Ludymila Peres Corrêa
Bianca Ludymila Peres Corrêa
Jornalista (MTB 0081969/SP) dedicada à cobertura de temas regionais e nacionais, atua com olhar atento ao cotidiano, política e sociedade. Produz conteúdo claro, informativo e relevante para diferentes públicos.

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