Corinthians foi condenado a pagar pensão até os 75 anos a ex-atleta da base
A Justiça do Trabalho condenou o Corinthians a pagar pensão vitalícia e indenizações a um ex-jogador da base após uma disputa envolvendo lesão no joelho, tratamento médico e encerramento precoce da carreira.
O Corinthians foi condenado em segunda instância pela Justiça do Trabalho a pagar indenizações e uma pensão mensal ao ex-jogador Kauê Moreira de Souza, que encerrou a carreira após sofrer uma lesão no joelho direito enquanto atuava nas categorias de base do clube paulista.
A decisão foi tomada pela 8ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), que reformulou parte da sentença anterior e manteve a condenação em valores próximos de R$ 2,5 milhões. Ainda cabe recurso ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Kauê chegou ao Corinthians em 2019, aos 18 anos, depois de passagens pelas categorias de base de São Paulo, São Bernardo e Taboão da Serra. O meia nunca chegou a atuar pelo time profissional e disputou apenas 13 partidas na base do clube.
Lesão mudou trajetória do jogador
O processo judicial aponta que o atleta sofreu uma entorse no joelho direito em abril de 2021 durante um treinamento. Exames posteriores identificaram espessamento fibrocicatricial do ligamento colateral medial e tendinopatia patelar, condição semelhante à enfrentada pelo meia Rodrigo Garro, revelou o Ge.
Segundo a defesa do ex-jogador, houve falhas no tratamento conduzido pelo departamento médico do clube, o que teria agravado o quadro clínico ao longo dos anos seguintes.
Kauê afirma que convive até hoje com dores e limitações para atividades básicas, como subir escadas, dirigir, andar de bicicleta e praticar exercícios físicos.
O ex-atleta passou por fisioterapia, infiltrações e duas cirurgias no joelho, em março de 2022 e julho de 2023. Mesmo após os procedimentos, as dores continuaram e ele não voltou a atuar profissionalmente.
Valor da pensão foi reduzido, mas prazo aumentou
A decisão da segunda instância alterou a forma de cálculo da pensão. Inicialmente, o Corinthians havia sido condenado a pagar integralmente o salário do jogador até os 35 anos.
Agora, os desembargadores reduziram o valor mensal para 15% do salário que Kauê recebia em 2021, equivalente a R$ 1.800 por mês. Em compensação, ampliaram o período de pagamento até os 75 anos, usando como referência a expectativa de vida masculina do IBGE.
- Indenização por danos morais: R$ 200 mil
- Indenização por danos materiais: R$ 144 mil
- Pensão mensal: R$ 1.800
- Pagamento previsto até os 75 anos
O valor referente à pensão deverá ser quitado integralmente pelo clube em parcela única, conforme o acórdão.
Corinthians enfrenta pressão financeira em meio ao processo
A condenação acontece em um momento de pressão financeira sobre o Corinthians. O clube divulgou recentemente déficit de R$ 131 milhões e já trabalha com expectativa de venda de jogadores na próxima janela de transferências para equilibrar as contas.
Internamente, o departamento jurídico do clube entende que ainda existem argumentos para tentar reverter parte da condenação no TST. A defesa de Kauê, por outro lado, sustenta que houve negligência médica e perda definitiva da capacidade de exercer a profissão.
Enquanto o processo segue em tramitação, o caso aumentou a pressão sobre os protocolos médicos adotados nas categorias de base e voltou a levantar discussões sobre responsabilidade trabalhista de clubes em lesões que interrompem carreiras antes da chegada ao profissional.
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