Caso Ypê: produtos não devem ser usados; veja como pedir reembolso
Anvisa suspendeu detergentes, lava-roupas e desinfetantes da Ypê após encontrar falhas na fábrica e detectar bactéria em mais de 100 lotes.
A fabricante Ypê orientou consumidores de todo o país a interromperem imediatamente o uso de produtos atingidos pela suspensão determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A medida envolve detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes com lotes cuja numeração termina em 1.
A empresa informou que os itens não devem ser utilizados nem descartados até que haja uma nova manifestação das autoridades sanitárias. A recomendação foi divulgada após a repercussão nacional da decisão da Anvisa, que abriu uma crise envolvendo uma das marcas mais populares do setor de limpeza doméstica no Brasil.
“A orientação é que os produtos sejam guardados adequadamente e não sejam utilizados nem descartados até novas orientações da Anvisa”, informou a empresa.
A fabricante também reafirmou que consumidores que desejarem devolver os produtos podem solicitar reembolso pelos canais oficiais de atendimento. A devolução vale para todos os itens incluídos na decisão sanitária.
O que levou à suspensão dos produtos
O caso começou após inspeções realizadas na fábrica da empresa em Amparo, no interior de São Paulo, com participação de órgãos de vigilância sanitária estaduais.
Segundo a Anvisa, os fiscais encontraram falhas consideradas críticas no processo produtivo. Entre os problemas apontados estão sistemas de controle de qualidade inadequados, equipamentos com sinais de corrosão e armazenamento incorreto de resíduos industriais.
A agência também informou ter identificado a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca.
A bactéria é amplamente encontrada no ambiente e costuma apresentar baixo risco para pessoas saudáveis. O alerta maior envolve grupos vulneráveis, como pacientes imunossuprimidos, pessoas em tratamento contra câncer, transplantados, idosos fragilizados, bebês e indivíduos com feridas, queimaduras ou dermatites.
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Especialistas ouvidos pela imprensa apontam que o risco aumenta principalmente em situações de contato com mucosas, olhos ou lesões na pele.
Quais cuidados consumidores devem tomar
A principal orientação é interromper o uso dos produtos atingidos pela suspensão. Quem utilizou os itens e não apresentou sintomas não precisa buscar atendimento médico apenas por causa da exposição.
Ainda assim, médicos recomendam atenção a sinais persistentes, como:
- irritações na pele;
- ardência nos olhos;
- secreções;
- febre;
- desconfortos incomuns após contato com os produtos.
Também foi recomendada a troca de esponjas de pia usadas com detergentes afetados. Em alguns casos, especialistas orientam relavar roupas íntimas, toalhas e peças de bebês com outro produto de limpeza como medida preventiva.
Ypê contesta conclusões da Anvisa
Apesar da suspensão, a disputa entre a empresa e a agência sanitária continua em andamento.
A Ypê afirma que as inspeções não encontraram contaminação nos produtos comercializados e sustenta que imagens divulgadas da fábrica mostram áreas sem contato direto com os itens vendidos aos consumidores.
A companhia também argumenta que o uso comum dos produtos reduz drasticamente qualquer carga bacteriana e afirma não existirem registros na literatura médica de infecções provocadas por roupas lavadas com detergentes domésticos contaminados.
A empresa informou ainda que pretende apresentar novos testes conduzidos por laboratórios independentes autorizados pela própria Anvisa. Os exames devem servir como base para discutir a manutenção ou eventual revisão da medida aplicada pela agência sanitária.
Enquanto isso, a suspensão segue válida para todos os produtos dos segmentos afetados que tenham lotes terminados em 1.
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