Caso Henry Borel: acusação endurece discurso “Um psicopata e uma narcisista”; Julgamento chega ao momento decisivo
O julgamento de Jairinho e Monique Medeiros chegou ao décimo dia no Rio de Janeiro com a fase de debates entre acusação e defesa e expectativa de definição pelos jurados.
O julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e de Monique Medeiros entrou nesta quarta-feira (3) em sua etapa decisiva no Rio de Janeiro. Após dez dias de sessões, o processo chegou à fase de sustentação oral da acusação e dos debates com as defesas, etapa que antecede a deliberação dos jurados sobre a responsabilidade dos réus pela morte de Henry Borel, ocorrida em 2021.
Considerado um dos julgamentos de maior duração já realizados no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, o caso mobilizou testemunhas, peritos, assistentes técnicos e representantes das partes ao longo de quase duas semanas de sessões.
A expectativa é que, após o encerramento dos debates, os integrantes do conselho de sentença se reúnam para responder aos quesitos apresentados pelo tribunal e decidir se os acusados serão condenados ou absolvidos das acusações que enfrentam.
Acusação reforça argumentos na reta final
Durante a apresentação final da acusação, os promotores concentraram seus argumentos na reconstrução dos fatos e na análise dos elementos produzidos durante a instrução processual.
Segundo os representantes do Ministério Público, o conjunto de provas apresentado ao longo do julgamento indicaria que havia sinais de violência contra a criança antes da morte. A acusação sustentou que Monique Medeiros teria conhecimento de situações envolvendo o filho e que não teria adotado medidas capazes de interromper as agressões.
“Quando a gente olha e se debruça nesse processo, a gente vê os gritos desse garoto pedindo socorro para a mãe”, afirmou o promotor Fábio Vieira durante sua sustentação.
Os promotores também rebateram a versão apresentada pela defesa de Monique, que sustenta que ela não teria identificado as agressões atribuídas a Jairinho.
Depoimento de Monique marcou etapa anterior do julgamento
Um dos momentos de maior repercussão ocorreu durante o depoimento prestado por Monique Medeiros na terça-feira (2). Pela primeira vez desde o início do processo, ela declarou acreditar que Jairinho possa ter sido responsável pela morte de Henry.
Ao responder questionamentos durante a sessão, Monique afirmou que passou a considerar essa possibilidade após tomar conhecimento de relatos relacionados ao comportamento do ex-companheiro e de informações reunidas ao longo dos anos de investigação e tramitação judicial.
O depoimento representou uma mudança em relação a posicionamentos anteriores apresentados ao longo do caso e passou a integrar os elementos discutidos pelas partes durante a fase de debates, revelou o Estadao.
Julgamento chega ao momento mais importante
Com o encerramento da produção de provas, o processo avança para o momento mais relevante do rito do Tribunal do Júri.
- Encerramento das sustentações da acusação
- Apresentação dos argumentos das defesas
- Réplicas e tréplicas previstas na legislação
- Reunião reservada dos jurados
- Leitura da sentença após a votação
A decisão caberá exclusivamente aos jurados, que deverão avaliar os fatos apresentados ao longo do julgamento e responder aos quesitos formulados pelo tribunal.
Enquanto os debates prosseguem no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, a expectativa permanece concentrada na conclusão do julgamento, prevista para esta quarta-feira, quando o conselho de sentença deverá iniciar a análise que definirá o desfecho de um dos casos criminais de maior repercussão dos últimos anos no país.
Foto: Brunno Dantas/TJRJ

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