Carro elétrico pega fogo com mais facilidade? Veja o que os especialistas revelaram sobre o verdadeio problema das baterias
Especialistas explicam por que incêndios em carros elétricos são menos frequentes que nos modelos a combustão, mas exigem combate mais complexo por causa das baterias.
Incêndios envolvendo carros elétricos continuam sendo raros quando comparados aos veículos movidos a gasolina, etanol ou diesel. Ainda assim, cada novo caso costuma gerar grande repercussão porque as imagens são impressionantes e o combate às chamas normalmente exige muito mais tempo do que em ocorrências tradicionais.
O debate voltou a ganhar força após episódios registrados no Brasil e no exterior, incluindo casos envolvendo modelos elétricos de diferentes fabricantes. Embora as cenas chamem atenção, especialistas em engenharia automotiva afirmam que o foco da discussão não deve estar apenas no fogo, mas principalmente no comportamento das baterias de alta tensão quando ocorre uma falha.
Por que os incêndios são diferentes
A principal diferença está no conjunto de baterias que equipa esses veículos. Instaladas geralmente no assoalho, elas concentram uma grande quantidade de energia distribuída em centenas ou milhares de células.
Quando uma dessas células sofre superaquecimento, pode ocorrer um fenômeno conhecido como fuga térmica. Nesse processo, o calor gera reações químicas que produzem ainda mais calor, criando uma reação em cadeia capaz de atingir outras células do conjunto.
Segundo especialistas, essa característica explica por que incêndios em carros elétricos costumam ser mais complexos. Mesmo após as chamas aparentes serem controladas, o calor interno pode permanecer ativo e provocar uma nova ignição horas depois.
Os elétricos pegam fogo menos do que os carros comuns
Dados internacionais frequentemente utilizados por especialistas indicam cerca de 25 incêndios para cada 100 mil veículos elétricos. Entre os automóveis a combustão, esse número chega a aproximadamente 1.500 casos no mesmo universo de veículos.
A diferença ajuda a explicar por que o risco estatístico é menor nos elétricos. A percepção pública, porém, costuma seguir direção oposta por causa da intensidade visual dos incêndios e da ampla circulação de vídeos nas redes sociais.
Além disso, quando uma bateria entra em fuga térmica, a emissão de fumaça, gases e pequenas explosões torna as imagens mais impactantes do que em incêndios convencionais.
As principais causas apontadas por engenheiros
- Danos provocados por colisões, impactos ou perfurações que comprometem a estrutura da bateria.
- Problemas durante o carregamento, especialmente quando há uso de equipamentos inadequados ou instalações fora dos padrões recomendados.
- Falhas internas relacionadas à degradação das células ao longo do tempo ou, mais raramente, defeitos de fabricação.
Os especialistas destacam que nem sempre os danos são visíveis. Um impacto aparentemente pequeno pode afetar componentes internos e criar condições para um aquecimento gradual que só será percebido posteriormente.
Por que o combate ao fogo demora mais
O maior desafio está no resfriamento da bateria. Diferentemente de um incêndio comum, apagar as chamas não significa necessariamente eliminar a fonte do problema.
Em alguns casos, equipes de emergência precisam utilizar milhares de litros de água para reduzir a temperatura interna do conjunto. Há estimativas que apontam operações capazes de consumir até 40 mil litros durante o combate e monitoramento do veículo.
A dificuldade ocorre porque a reação química pode continuar acontecendo dentro das células mesmo quando o fogo visível já foi controlado.
O motorista costuma receber sinais antes
Os veículos elétricos atuais contam com sistemas eletrônicos responsáveis por monitorar temperatura, tensão e funcionamento das baterias em tempo real.
Quando alguma irregularidade é identificada, o carro pode reduzir potência, limitar o carregamento ou exibir alertas no painel. Em muitos casos, o motorista percebe perda de desempenho antes que a situação evolua para um problema mais grave.
Especialistas também descartam a ideia de que o calor típico de países como o Brasil seja, por si só, responsável por incêndios em baterias. Da mesma forma, a exposição à água não representa risco direto quando o veículo permanece dentro das condições previstas pelos fabricantes.
Segundo o Estadao, o principal ponto de atenção continua relacionado a danos estruturais, reparos inadequados e intervenções fora dos padrões recomendados. À medida que a eletrificação avança, fabricantes e entidades do setor trabalham em sistemas mais eficientes de monitoramento e proteção, enquanto normas internacionais seguem sendo atualizadas para reduzir ainda mais a ocorrência desses episódios.

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