Barbeiro de SP criou método para atender crianças autistas e hoje atrai famílias até da Austrália
Empresário de Mauá faturou cerca de R$ 70 mil mensais ao criar um salão adaptado para crianças autistas, com atendimento focado em acolhimento.
O que começou como uma tentativa de tornar o corte de cabelo menos traumático para crianças acabou se transformando em um dos negócios mais comentados do setor de beleza infantil no ABC paulista. Em Mauá, na Grande São Paulo, o barbeiro Renan Santana construiu uma clientela fiel ao adaptar o atendimento para crianças neurodivergentes e criar um ambiente pensado para reduzir estímulos que costumam causar desconforto.
O modelo de atendimento fez o salão ultrapassar o limite de um serviço convencional. Hoje, o espaço recebe famílias de várias regiões do Brasil, além de clientes vindos de países como Canadá e Austrália. A agenda virou uma disputa permanente e a fila de espera já supera 4,5 mil pessoas.
O crescimento também apareceu no caixa. Segundo o empreendedor, o faturamento médio mensal gira em torno de R$ 70 mil.
Demanda surgiu após dificuldades enfrentadas por famílias
Filho de profissionais da área da beleza, Renan cresceu cercado por tesouras, espelhos e máquinas de corte. Antes de assumir a profissão definitivamente, chegou a iniciar uma faculdade de engenharia. A mudança aconteceu quando percebeu uma demanda pouco atendida dentro das barbearias tradicionais.
Ao começar a trabalhar com crianças, observou que muitas delas tinham dificuldade extrema para lidar com sons, movimentos bruscos, espelhos ou permanência prolongada na cadeira. Em alguns casos, o corte se transformava em uma experiência estressante tanto para os filhos quanto para os pais.
Foi nesse momento que ele decidiu adaptar completamente o atendimento.
“Se você resolve uma dor, existe um mercado”, resumiu o barbeiro ao explicar o crescimento do negócio.
O foco inicial no público infantil acabou evoluindo para um nicho ainda mais específico. O salão passou a receber crianças com transtorno do espectro autista, síndrome de Down e outras condições que exigem abordagens mais cuidadosas durante o atendimento.
Salão mudou ambiente e rotina dos cortes
O espaço foi reformulado para diminuir estímulos sensoriais considerados agressivos por muitas crianças neurodivergentes. Os espelhos, por exemplo, deixaram de ficar posicionados diretamente na frente das cadeiras.
Além disso, o ambiente ganhou brinquedos sensoriais, elementos lúdicos e áreas mais acolhedoras para reduzir ansiedade e resistência durante o corte.
- Espelhos foram reposicionados
- Brinquedos sensoriais passaram a integrar o ambiente
- Atendimento respeita o tempo de adaptação de cada criança
- Estratégias evitam excesso de estímulos visuais e sonoros
Renan também buscou formação complementar em ABA, sigla para Análise do Comportamento Aplicada, abordagem frequentemente utilizada no acompanhamento de pessoas com autismo.
Segundo ele, a especialização ajudou a entender melhor padrões de comportamento, gatilhos sensoriais e formas de conduzir os atendimentos com menos desgaste emocional.
Vídeo viral mudou o tamanho do negócio
O salto de visibilidade aconteceu após um vídeo publicado nas redes sociais mostrar o atendimento de uma criança que tinha dificuldade em aceitar o corte de cabelo. As imagens alcançaram milhões de visualizações e fizeram o salão ganhar notoriedade nacional.
A repercussão aumentou drasticamente a procura pelo serviço e trouxe um novo perfil de clientes. Muitas famílias passaram a viajar longas distâncias em busca de um ambiente considerado mais preparado para lidar com situações que, em barbearias tradicionais, frequentemente terminavam em frustração.
Segundo Renan, o impacto emocional também se tornou parte importante do trabalho. Muitos pais chegam ao local já desgastados por experiências anteriores mal sucedidas.
“Aqui é um espaço que acolhe a criança no âmbito geral”, afirmou.
Mesmo com a expansão da procura e o crescimento financeiro do negócio, o salão mantém a proposta de atendimento individualizado. A operação segue concentrada no espaço localizado na Rua Aquidabam, 445, no térreo, em Mauá, onde a equipe continua lidando diariamente com uma fila que não para de crescer.
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