Banco Master escondia ativos no Caribe? A Justiça das Bahamas reconheceu a liquidação do banco de Vorcaro
Decisão internacional permite que liquidantes do Banco Master rastreiem patrimônio nas Bahamas, incluindo fundos e empresas investigados por ligação com o grupo.
A liquidação do Banco Master ganhou um novo capítulo fora do Brasil. A Justiça das Bahamas reconheceu oficialmente o processo conduzido pelo Banco Central e autorizou a atuação da liquidante responsável pela recuperação de bens ligados ao grupo financeiro que teve Daniel Vorcaro como principal nome.
A decisão amplia o alcance das investigações e permite que ativos localizados no país caribenho sejam rastreados, preservados e eventualmente recuperados. O caso envolve não apenas o Banco Master, mas também outras instituições financeiras vinculadas ao grupo.
O que foi decidido nas Bahamas
A autorização foi concedida em 26 de maio pela Justiça local após pedido apresentado pela EFB Regimes Especiais de Empresas, responsável pela liquidação das instituições.
O reconhecimento abrange:
- Banco Master
- Letsbank
- Master Banco de Investimento
- Master Corretora de Câmbio
- Banco Múltiplo
Com a decisão, a liquidante passa a ter autorização para agir em nome dessas entidades nas Bahamas, buscando informações financeiras, identificando patrimônio e tentando impedir eventuais movimentações consideradas irregulares.
Nove empresas e fundos estão no radar
A ofensiva mira pelo menos nove empresas e fundos registrados nas Bahamas que seriam ligados ao grupo investigado.
| Liquidity Strategies Fund Ltd. |
| Phoenix Multimarket Fund Ltd. |
| Faex Fund Ltd. |
| PMLS Ltd. |
| Octa Investments Ltd. |
| Sunshine Company Ltd. |
| Golden Star Investment Fund Ltd. |
| Artress Ltd. |
| Mosaic Financial Ltd. |
Os valores eventualmente existentes nessas estruturas ainda não foram divulgados. Segundo os documentos citados na investigação, o mapeamento patrimonial segue em andamento.
Um dos casos que chamou atenção envolve a empresa Octa Investments. De acordo com informações apresentadas no processo, ela teria sido utilizada para a aquisição de aproximadamente R$ 30 milhões em obras de arte.
Por que a decisão tem peso internacional
O ponto central analisado pela Justiça das Bahamas foi determinar se o processo conduzido pelo Banco Central brasileiro poderia ser equiparado a um procedimento de insolvência reconhecido internacionalmente.
A legislação local exige que os bens de uma entidade em liquidação estejam submetidos à supervisão de uma autoridade competente. Embora o Banco Central não seja um tribunal, os argumentos apresentados sustentaram que a autarquia exerce função semelhante à de um administrador judicial em processos de falência.
O entendimento foi aceito pelo juiz responsável pelo caso, permitindo que a liquidação brasileira passasse a ter reconhecimento formal no país caribenho.
A decisão autoriza a busca de ativos, o bloqueio de transferências consideradas fraudulentas e a obtenção de informações sobre operações realizadas nas Bahamas.
Fundos já haviam levantado suspeitas
As Bahamas já apareciam em outras apurações relacionadas ao Banco Master. Durante negociações envolvendo ativos oferecidos ao Banco de Brasília (BRB), foram apresentados fundos localizados nas Bahamas e na Ilha de Jersey, ligados a investimentos em títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
Após diligências realizadas pelo BRB, surgiram questionamentos sobre a existência efetiva dos ativos apresentados. Na Ilha de Jersey, segundo as verificações realizadas, o fundo não possuía recursos em conta desde 2023.
Nas Bahamas, representantes enviados para analisar o investimento receberam informações de que não havia títulos do Tesouro americano nem ações de grandes companhias nas estruturas apresentadas. Também não foi permitido acesso ao conteúdo completo dos fundos, revelou o Metropoles.
Enquanto o rastreamento patrimonial avança, a liquidação segue em curso e a identificação dos ativos ligados ao grupo permanece sob investigação em diferentes jurisdições, incluindo Bahamas e Ilha de Jersey.

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