Arte urbana ressignifica Concha Acústica e destaca produção artística local em Caieiras
Artistas transformam a Concha Acústica de Caieiras com uma intervenção de arte urbana que reúne referências à memória, à cultura e à identidade local, aproximando diferentes gerações por meio da linguagem contemporânea.
A Concha Acústica de Caieiras ganhou uma nova composição visual por meio de uma intervenção de arte urbana que reúne referências à história, à cultura e à identidade do município. O trabalho contou com a participação dos artistas Bonga Mac, Gravetos, Joks Johnes, Tioch e Xyrox, além da assistência de Guetus, Josimar Silva e Karen Kinomoto. A direção artística ficou a cargo de Tamires Santana, com produção executiva da Bonga Produções e coprodução da Atairu Cultura e Multimídia. O projeto foi realizado para a Prefeitura de Caieiras, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.
A proposta transforma a superfície da Concha em suporte para uma narrativa visual que combina elementos da memória local com características da arte urbana contemporânea. Mais do que uma alteração estética do equipamento público, a intervenção coloca em evidência o trabalho de artistas ligados à cena cultural e amplia a presença desse tipo de manifestação artística em um espaço tradicional da cidade.
Para Bonga Mac, participar da intervenção teve significado particular justamente pela relação da Concha Acústica com a história de Caieiras.
“Para mim foi extremamente importante participar desse projeto, porque é um marco da cidade, é um símbolo da cidade, e revitalizar esse espaço significa fazer parte dessa história também”, afirma.
Na percepção do artista, trabalhos realizados em espaços públicos podem permanecer como registros de determinado período da cidade e estabelecer uma relação com moradores que acompanharão essas transformações ao longo dos anos. Nesse sentido, a pintura passa a integrar não apenas a paisagem urbana, mas também a experiência cotidiana de quem circula pelo local.
A concepção artística procurou estabelecer relações entre referências de Caieiras e elementos mais amplos da cultura brasileira. Tamires Santana, responsável pela direção artística, explica que o desenvolvimento da composição foi precedido por pesquisa, observação do espaço e discussões sobre pertencimento.
“Para processo de criação da composição, envolveu observação, pesquisa e perguntas, entre elas, como fortalecer o pertencimento desse lugar? Para que tudo ganhasse vida, foi fundamental contar com uma equipe com conhecimentos complementares e com grande sinergia, dando espaço para a escuta e leveza nas decisões técnicas”, explica.
A execução também envolveu desafios próprios da arquitetura da Concha. As dimensões, os diferentes níveis da estrutura e a exposição às condições climáticas exigiram planejamento e trabalho conjunto entre os profissionais envolvidos.
Moradora de Caieiras durante toda a vida, Karen Kinomoto, de 36 anos, participou da assistência da pintura e acompanhou de perto a execução do projeto. Para ela, a experiência também proporcionou intercâmbio entre profissionais com diferentes repertórios e técnicas.
“Foi muito enriquecedor! A equipe foi muito profissional e receptiva, me senti à vontade rapidamente para agregar com meu trabalho”, relata.
Um dos trabalhos que mais marcaram a artista foi realizado na área externa superior da Concha. A execução exigiu atenção à altura, às características da estrutura e às condições do tempo durante os quatro dias de trabalho.
“Como fã da cena urbana, vi e vivi de perto o empenho da equipe para entregar em quatro dias um trabalho dessa dimensão”, conta.
A participação de artistas que possuem vínculos com Caieiras acrescenta outra dimensão ao projeto: a possibilidade de moradores contribuírem diretamente para a construção da paisagem cultural da própria cidade. No caso de Karen, a relação com o município antecede a própria intervenção e influencia sua leitura sobre o resultado.
“As novas pinturas vêm para trazer cor e recontar histórias de uma maneira mais urbana e contemporânea, conversando com a nova geração também”, afirma.
A presença da arte urbana em equipamentos públicos também amplia as formas pelas quais a história local pode ser apresentada. Em vez de permanecer restrita a documentos, fotografias, livros ou espaços expositivos, parte dessas referências passa a integrar o cotidiano da população por meio da linguagem visual.
Nesse processo, a própria Concha Acústica assume papel relevante. Historicamente associada a apresentações e encontros culturais, a estrutura passa a funcionar também como suporte artístico e espaço de interpretação. Para Karen, essa relação com a cultura já fazia parte da identidade do lugar.
“Sinto que a Concha Acústica possui uma energia de cultura, é um lugar de resistência da arte”, diz.
A artista espera ainda que as imagens despertem a curiosidade de quem passar pelo espaço, especialmente sobre referências ligadas à memória e ao imaginário caieirense. Nem todos os elementos precisam, entretanto, produzir uma única leitura.
“A arte está aí para livre interpretação”, resume.
A intervenção na Concha Acústica evidencia, assim, uma das possibilidades da arte urbana no espaço público: estabelecer diálogo entre o patrimônio afetivo de uma cidade e as linguagens de seu próprio tempo. Ao reunir artistas, referências locais e diferentes técnicas em um equipamento conhecido pelos moradores, o trabalho acrescenta uma nova camada à paisagem cultural de Caieiras.
Mais do que apresentar uma obra acabada, a iniciativa também chama atenção para quem produz arte na cidade e em seu entorno. São artistas, produtores e profissionais que participam da construção da identidade cultural local e que, ao ocuparem espaços públicos com seus trabalhos, deixam registros do presente para que também possam integrar a memória de Caieiras no futuro.
Créditos:
Mariana Mascarenhas – Assessoria de Imprensa
Foto: Lucas Gossi












