Idealizada por César Santos, nova revista on-line nasce ligada ao festival de teatro, mas amplia o olhar para a memória, o turismo, os artistas e a identidade cultural da cidade.
Caieiras ganhará uma nova forma de contar suas próprias histórias. A REVISTECA, revista on-line idealizada pelo artista, educador e produtor cultural César Santos, nasce no universo do FESTECA com uma proposta que ultrapassa a divulgação da programação teatral: transformar o festival em uma porta de entrada para que moradores, artistas e visitantes descubram — ou redescubram — a cidade.
A ideia é aparentemente simples, mas carrega uma ambição cultural maior. Quem chegar a Caieiras para assistir a um espetáculo poderá encontrar na revista informações sobre o festival e seus grupos, mas também histórias, memórias, curiosidades, causos, espaços culturais, pontos turísticos e diferentes aspectos de uma cidade que nem sempre é apresentada em toda a sua dimensão.
É justamente nessa intersecção entre teatro, memória e território que a REVISTECA pretende construir sua identidade.
Mais do que dizer o que está acontecendo no FESTECA, a publicação quer responder a outra pergunta: onde esse festival acontece e que cidade é essa que recebe artistas e público?
Do palco para a cidade
A REVISTECA surgiu a partir de referências que César Santos encontrou em revistas e projetos desenvolvidos em outros lugares. A experiência despertou uma inquietação: por que o FESTECA não poderia ter sua própria publicação?
A primeira intenção era criar uma ferramenta prática para facilitar a experiência de quem participa do festival. No entanto, à medida que o projeto começou a tomar forma, também cresceu a percepção de que havia muito mais a contar.
Programação e informações sobre os espetáculos continuaram importantes, mas passaram a dividir espaço com matérias sobre os grupos participantes, histórias de Caieiras, lugares para conhecer, personagens, curiosidades e elementos da memória local.
A revista, então, deixou de ser pensada exclusivamente como instrumento de divulgação.
Passou a assumir também a função de registro cultural.
“Quanto mais eu pesquisava e criava, mais coisas eu queria colocar.”
A frase de César ajuda a explicar como o projeto foi se ampliando durante sua construção.
Essa mudança de perspectiva também ajuda a compreender o próprio conceito da REVISTECA: registrar aquilo que acontece durante o festival sem separar o teatro do território onde ele acontece.
Um convite para conhecer Caieiras
Existe ainda outro público que a publicação pretende alcançar: os artistas e grupos teatrais que chegam de diferentes cidades para participar do FESTECA.
Para César, receber essas pessoas significa também apresentar Caieiras.
A intenção é permitir que alguém que venha ao município exclusivamente para uma apresentação descubra que existe muito mais ao redor do palco. Há lugares para visitar, histórias para conhecer, memórias preservadas e uma identidade cultural própria.
Nesse sentido, a revista funciona quase como uma anfitriã digital.
“Venha ao FESTECA pelo teatro, mas fique com vontade de conhecer Caieiras.”
A frase sintetiza a proposta da publicação e traduz uma estratégia interessante de valorização cultural: o evento deixa de ser percebido isoladamente e passa a dialogar com a cidade que o recebe.
Para o visitante, surge a oportunidade de conhecer Caieiras. Para o morador, existe a possibilidade de olhar novamente para lugares e histórias que a rotina muitas vezes torna invisíveis.
E, para a própria cidade, fica um registro.
Cultura também constrói memória
Essa talvez seja uma das dimensões mais relevantes do projeto.
Festivais são acontecimentos essencialmente temporários. Espetáculos começam e terminam, artistas chegam e partem, cenários são desmontados e novas edições substituem as anteriores.
O registro permite que parte dessa história permaneça.
Ao reunir informações sobre espetáculos, grupos, personagens e acontecimentos relacionados ao FESTECA, a REVISTECA pode funcionar também como uma memória digital do festival e, consequentemente, de parte da produção cultural desenvolvida em Caieiras.
É uma construção que ganha importância conforme as edições se acumulam.
O material produzido hoje poderá, amanhã, ajudar a contar como o festival cresceu, quem passou por seus palcos, quais grupos participaram e de que maneira o movimento teatral se relacionou com a cidade em determinado período.
A REVISTECA nasce, portanto, olhando simultaneamente para o presente e para o futuro.
César Santos: a inquietação por trás da ideia
Por trás do projeto está alguém que admite ter certa dificuldade para falar sobre si mesmo.
César Santos prefere fazer.
Artista, educador e produtor cultural, ele define sua trajetória a partir da crença na capacidade do teatro e da cultura de transformar pessoas e lugares.
Sua relação com o teatro começou antes que pudesse imaginar que um dia estaria envolvido na produção de festivais, no desenvolvimento de projetos culturais ou na reflexão sobre como uma cidade pode se reconhecer por meio da arte.
O teatro foi ocupando espaço gradualmente até tornar-se parte de sua própria identidade.
Há, porém, outra característica importante nessa trajetória: a inquietação.
César se descreve como alguém que dificilmente consegue encontrar uma boa ideia e simplesmente abandoná-la.
Quando acredita em um projeto, procura caminhos para realizá-lo — mesmo diante de negativas, dificuldades e portas que nem sempre se abrem imediatamente.
É nesse processo de tentativa, erro, aprendizado e insistência que ele diz ter construído sua trajetória.
E também foi assim que Caieiras entrou em sua história.
De quem chegou de fora a alguém que ajuda a contar a cidade
César não nasceu dessa relação já estabelecida com o município.
Chegou a Caieiras como alguém de fora, sem saber exatamente como seria recebido. Aos poucos, construiu relações, fez amizades, encontrou parceiros e conquistou espaço.
Nesse percurso, surgiu também uma percepção importante: uma cidade não é construída somente por ruas, edifícios ou documentos oficiais.
Ela também é construída pelas histórias que seus moradores e artistas contam.
Talvez por isso a REVISTECA dialogue tão diretamente com a trajetória de seu idealizador. Existe no projeto o olhar de quem precisou conhecer Caieiras para, posteriormente, começar a contá-la.
E é justamente essa experiência que agora pode ser oferecida a outras pessoas.
Quem chegar para o festival poderá descobrir a cidade.
Quem já mora nela poderá reencontrá-la.
Um projeto individual que depende de muitas histórias
Embora a concepção da REVISTECA tenha partido de César Santos, ele faz questão de não apresentar a publicação como uma realização isolada.
Isso porque o conteúdo só existe a partir das pessoas que constroem o FESTECA: artistas, grupos teatrais, produtores, profissionais, parceiros e todos aqueles que, direta ou indiretamente, fazem parte das histórias registradas pela revista.
Nesse aspecto, existe uma diferença importante entre autoria e construção.
A ideia pode ter começado com uma pessoa, mas a memória que ela pretende registrar é necessariamente coletiva.
É também essa característica que permite que o projeto continue crescendo.
Novos espetáculos produzem novas histórias. Novos artistas apresentam outros olhares. Outros lugares podem ser descobertos. Memórias podem ser recuperadas. Personagens podem ganhar voz.
A revista permanece aberta ao movimento da própria cidade.
Quando o festival não termina no último aplauso
A REVISTECA chega em um momento em que iniciativas culturais locais disputam algo especialmente valioso: atenção.
Em meio à velocidade das redes sociais e à circulação constante de conteúdos, preservar histórias e criar espaços capazes de contextualizar a produção artística tornou-se também uma forma de valorizar quem produz cultura.
É nesse ponto que a revista encontra sua finalidade mais profunda.
O FESTECA leva pessoas ao teatro.
A REVISTECA pretende levá-las um pouco além.
Para uma praça, uma história, uma curiosidade, um personagem ou um lugar que talvez estivesse ali há anos sem receber a devida atenção.
E, quando isso acontece, o festival deixa de ocupar apenas os palcos e passa a ocupar também a memória.
César Santos diz gostar de pensar que ainda está no começo. Há outras ideias, projetos e caminhos que pretende desenvolver.
Talvez a própria REVISTECA seja uma demonstração dessa inquietude: nasceu de uma pergunta aparentemente simples — “por que não criar a nossa própria versão?” — e terminou transformada em uma proposta maior de valorização cultural.
No fundo, a publicação parte de uma ideia que deveria acompanhar qualquer cidade que queira preservar sua identidade: para valorizar um lugar, primeiro é preciso conhecê-lo; para que ele permaneça vivo na memória, é preciso contar suas histórias.
E Caieiras tem muitas delas esperando para serem contadas.












