Lula vira o jogo, vence Flávio Bolsonaro e é eleito presidente pela quarta vez
O resultado garantiu a Lula o quarto mandato como presidente da República. Ele já havia vencido as eleições de 2002, 2006 e 2022 e, com a vitória de 2026, amplia uma trajetória eleitoral iniciada ainda na redemocratização. O novo mandato terá início em janeiro de 2027 e se estenderá até o final de 2030.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), ao conquistar 51,79% dos votos válidos no segundo turno da eleição presidencial de 2026. O petista recebeu 64.256.232 votos, contra 59.826.041 de Flávio Bolsonaro (PL), que alcançou 48,21%. A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos, encerrando uma disputa marcada pelo equilíbrio e por uma virada entre o primeiro e o segundo turno.

A eleição deste ano também produziu um fato inédito desde que o Brasil passou a realizar eleições presidenciais em dois turnos. Lula havia terminado o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, na segunda colocação, com 45,16% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro liderou aquela etapa com 47,03%. Até então, desde 1989, o candidato mais votado no primeiro turno de uma eleição presidencial também havia vencido o segundo.
A mudança de cenário ocorreu durante as três semanas que separaram as duas votações. Com a eliminação dos demais candidatos, Lula e Flávio Bolsonaro passaram a disputar diretamente os votos dos eleitores que haviam escolhido outras candidaturas, além de tentar ampliar a participação de apoiadores que não compareceram às urnas no primeiro turno. O resultado mostrou crescimento suficiente do presidente para superar a vantagem inicial do adversário.
A própria apuração do segundo turno foi marcada por alternância na liderança. Lula apareceu inicialmente à frente, mas Flávio Bolsonaro assumiu a primeira posição durante parte da totalização. Posteriormente, o candidato do PT retomou a liderança e ampliou gradualmente a diferença. Com o avanço da contabilização dos votos, o resultado tornou-se matematicamente irreversível e confirmou a reeleição.
O segundo turno também ocorreu sob circunstâncias excepcionais em algumas localidades. Problemas relacionados ao deslocamento de eleitores e às condições provocadas pelas chuvas levaram à extensão do horário de votação em seções que ainda permaneciam abertas. A situação exigiu adaptações na operação eleitoral e interferiu no ritmo inicial de recebimento e processamento de parte dos boletins de urna.
Com a vitória, Lula chega ao quarto mandato presidencial mais de duas décadas depois de sua primeira eleição para o Palácio do Planalto. Ex-metalúrgico e ex-líder sindical, ele disputou pela primeira vez a Presidência em 1989 e foi derrotado naquele ano e novamente em 1994 e 1998. A primeira vitória ocorreu em 2002, seguida pela reeleição em 2006. Após permanecer fora da Presidência por três mandatos, retornou ao cargo ao vencer a eleição de 2022.
O resultado de 2026 também confirma a permanência da polarização política observada nas últimas eleições nacionais. Embora Lula tenha vencido, Flávio Bolsonaro recebeu quase 60 milhões de votos, demonstrando a dimensão eleitoral do campo político representado por sua candidatura. A diferença relativamente estreita entre os dois concorrentes revela um eleitorado dividido e antecipa um cenário de intensa disputa política durante o próximo mandato.
Após a confirmação da vitória, Lula afirmou que pretende modificar aspectos da condução do governo e apresentou mensagens de diálogo e unidade nacional. As declarações feitas após a eleição, entretanto, representam compromissos políticos que precisarão ser confrontados com as medidas efetivamente adotadas a partir de 2027. O presidente reeleito também terá de negociar com um Congresso politicamente diverso para aprovar projetos e executar parte de sua agenda.
A eleição de 25 de outubro de 2026 entra, assim, para a história política brasileira por reunir diferentes marcos: a conquista de um quarto mandato presidencial por Lula, a reversão do resultado do primeiro turno e uma disputa decidida por margem relativamente pequena. Encerrada a campanha, o foco passa agora para a transição entre os mandatos, a composição do próximo governo e a relação que o Executivo estabelecerá com o Congresso e com uma sociedade que saiu das urnas novamente dividida entre dois grandes campos políticos.












