Alcides Martins Ribeiro Filho: Desembargador desaparecido no Rio é encontrado morto; investigação tenta esclarecer morte após mais de um mês sem respostas
O desembargador Alcides Martins Ribeiro Filho, desaparecido desde 14 de abril, foi encontrado morto nesta terça-feira perto da Vista Chinesa, na Floresta da Tijuca. Polícia investiga circunstâncias.
O corpo do desembargador federal Alcides Martins Ribeiro Filho foi encontrado na tarde desta terça-feira nos arredores da Vista Chinesa, no Parque Nacional da Tijuca, Zona Norte do Rio. O magistrado do Tribunal Regional Federal da 2ª Região estava desaparecido desde 14 de abril, quando saiu de Ipanema e seguiu de táxi em direção ao mirante localizado na Floresta da Tijuca.
A localização do corpo mobilizou agentes da Delegacia de Descoberta de Paradeiros, bombeiros e equipes da Delegacia de Homicídios da Capital, responsável pela perícia realizada no local. Segundo a Polícia Civil, não foram identificados sinais aparentes de violência. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal, onde será feita a confirmação oficial da identidade e exames complementares.
Caso mobilizou o alto escalão do TRF-2
O desaparecimento do magistrado vinha sendo acompanhado de perto pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Nos bastidores da Corte, o caso era tratado com preocupação desde os primeiros dias do sumiço. O Gabinete de Segurança Institucional do tribunal realizava reuniões frequentes com investigadores da Polícia Civil para acompanhar as buscas e o avanço das apurações.
Em nota divulgada nesta terça-feira, o TRF-2 afirmou receber a notícia com “profundo pesar” e informou que a identificação oficial ainda depende da conclusão dos procedimentos das autoridades responsáveis. O presidente do tribunal, desembargador federal Luiz Paulo da Silva Araújo Filho, prestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas do magistrado.
Último trajeto levou investigadores até a Vista Chinesa
As investigações apontam que Alcides Martins Ribeiro Filho foi visto pela última vez em 14 de abril. Naquele dia, ele sacou R$ 1 mil e entrou em um táxi com destino à Vista Chinesa no fim da tarde. A informação sobre o trajeto foi repassada à polícia pelo motorista identificado durante as investigações.
O irmão do desembargador, o contador aposentado José Paulo Martins Ribeiro, havia relatado na semana passada que a identificação do taxista foi decisiva para direcionar as buscas.
“Um dia após registrarmos o caso, a Polícia Civil identificou o táxi e o taxista, que passou a informação sobre o destino do meu irmão”, afirmou.
Na última quarta-feira, familiares organizaram uma missa em homenagem ao magistrado na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, na Tijuca. Durante a cerimônia, foram distribuídos cartazes com informações sobre o desaparecimento, incluindo a roupa usada pelo desembargador no dia do sumiço, descrita como calça e casaco pretos.
- O desaparecimento ocorreu em 14 de abril
- O destino informado ao taxista foi a Vista Chinesa
- O corpo foi encontrado nesta terça-feira
- A perícia foi feita pela Delegacia de Homicídios
- O caso segue sob investigação
Afastamento do cargo aumentou pressão sobre magistrado
O desaparecimento ocorreu cerca de um ano após o desembargador ter sido afastado do cargo pelo Conselho Nacional de Justiça sob suspeita de agressões contra a ex-mulher. O caso tramita sob sigilo no Superior Tribunal de Justiça e inclui medidas protetivas em favor da vítima, segundo a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro.
A defesa institucional da ex-mulher informou que o magistrado havia sido denunciado pelo Ministério Público Federal por crimes relacionados à violência doméstica e outros tipos penais. Em nota, a Defensoria afirmou repudiar qualquer tentativa de revitimização da assistida durante a repercussão do desaparecimento.
Familiares relataram que a situação pessoal e o afastamento da filha caçula teriam abalado emocionalmente o desembargador nos últimos meses. O irmão chegou a declarar, antes da localização do corpo, que acreditava em um “desfecho positivo” e suspeitava que Alcides pudesse ter se afastado voluntariamente para aliviar a pressão emocional provocada pelos processos judiciais e pelo afastamento familiar.
Segundo Oglobo, separado, o desembargador tinha três filhos, incluindo uma menina de 8 anos. A Polícia Civil informou que as circunstâncias da morte continuam sendo investigadas e aguarda os resultados da perícia do Instituto Médico-Legal para definir os próximos passos do inquérito.
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