Google reformula pesquisa após 25 anos e aposta no Gemini para transformar buscas em tarefas automatizadas e recomendações inteligentes
Gemini no Google: busca ganha IA capaz de responder perguntas longas, monitorar sites e integrar Gmail e Docs em tempo real.
O Google iniciou a maior reformulação visual e funcional da sua ferramenta de busca em décadas ao integrar de forma ampla os recursos do Gemini à experiência principal da plataforma. A tradicional barra retangular de pesquisas, praticamente inalterada desde os anos 2000, agora passa a operar como uma interface conversacional com inteligência artificial, capaz de responder comandos complexos, interpretar imagens, organizar tarefas e executar ações automáticas.
A mudança marca uma tentativa clara da empresa de transformar o mecanismo de busca em um ecossistema fechado, no qual o usuário consegue resolver praticamente tudo sem sair do ambiente do Google. A estratégia já vinha sendo testada em partes isoladas do Gemini, mas agora passa a atingir o núcleo do produto mais lucrativo da companhia.
Busca deixa de ser lista de links e vira assistente operacional
A nova experiência abandona parcialmente o modelo clássico baseado em links azuis e passa a priorizar respostas contextualizadas geradas por IA. O usuário pode escrever perguntas extensas, anexar fotos ou vídeos e solicitar tarefas completas em linguagem natural.
Em demonstrações apresentadas pela empresa, a IA consegue monitorar sites imobiliários para avisar quando um apartamento atende determinados critérios, sugerir produtos compatíveis durante compras online e até evitar erros comuns, como selecionar peças incompatíveis para computadores ou filtros errados para cafeteiras.
A lógica agora é reduzir etapas. Em vez de pesquisar, comparar e navegar manualmente, o usuário delega tarefas para a IA executar.
Segundo Sundar Pichai, CEO do Google, a nova fase só se tornou possível graças ao Gemini 3.5 Flash, modelo desenvolvido para operar com velocidade elevada e custo reduzido em larga escala. A empresa afirma que usuários que utilizam recursos de IA tendem a realizar mais pesquisas e permanecer mais tempo dentro do ecossistema do Google.
Gemini Spark conecta Gmail, Docs e produtividade automática
Outra aposta apresentada foi o Gemini Spark, ferramenta integrada ao Gmail e ao Google Docs que funciona como um agente permanente de produtividade. A proposta é automatizar rotinas que antes dependiam de organização manual.
Entre as funções demonstradas estão:
- Transformação automática de anotações soltas em documentos organizados
- Redação de e-mails completos a partir de poucas instruções
- Resumo de reuniões integrado ao Gmail e Docs
- Organização automática de tarefas e informações espalhadas
A movimentação amplia a disputa direta com plataformas de IA generativa que passaram a ameaçar áreas estratégicas do Google nos últimos anos.
Vídeos, compras e entretenimento entram na nova ofensiva da IA
A empresa também expandiu o uso do Gemini para entretenimento e criação multimídia. O Gemini Omni, nova ferramenta apresentada pelo Google, promete editar vídeos por comandos de voz, remover pessoas do fundo de gravações e gerar vídeos curtos com qualidade cinematográfica para assinantes dos serviços de IA.
Na área de comércio eletrônico, a integração entre Google Search e YouTube foi ampliada para permitir compras diretas sem precisar acessar lojas externas. O sistema utiliza IA para sugerir produtos, alertar incompatibilidades e simplificar decisões de compra.
A mudança acontece em um momento em que empresas de tecnologia disputam espaço no mercado de inteligência artificial aplicada ao consumo cotidiano, setor considerado estratégico para publicidade digital e monetização de serviços online.
Especialistas apontam risco para sites e produtores de conteúdo
O avanço do Gemini também acendeu debates sobre o impacto da inteligência artificial no funcionamento da internet aberta. O analista financeiro Richard Kramer afirmou que a nova lógica reduz o papel dos sites independentes, já que boa parte do tráfego pode passar a começar e terminar dentro do próprio Google.
Na prática, produtores de conteúdo, portais de notícias e plataformas especializadas correm o risco de se tornarem apenas fornecedores de dados para sistemas de IA que entregam respostas prontas sem necessidade de clique externo.
O tema ganhou relevância porque a publicidade digital continua sendo a principal fonte de receita do Google. Mesmo com a pressão crescente da IA generativa, a companhia registrou lucro anual de US$ 132 bilhões desde 2022, enquanto o aplicativo Gemini já alcançou 900 milhões de usuários ativos.
Próxima etapa envolve óculos inteligentes com IA em tempo real
O próximo passo da estratégia envolve hardware. O Google confirmou avanço em projetos de óculos inteligentes desenvolvidos em parceria com a Samsung e fabricantes de acessórios.
Equipados com câmeras e microfones, os dispositivos deverão utilizar o Gemini para interpretar ambientes e oferecer assistência instantânea ao usuário. Entre os exemplos citados estão identificação de monumentos históricos, ajuda em tarefas domésticas e suporte em atividades do dia a dia.
David Gilboa, co-diretor executivo da Warby Parker, afirmou que utilizou os óculos enquanto instalava uma cadeirinha infantil no carro da filha. Segundo ele, o Gemini forneceu orientações em tempo real durante o processo e também passou a ser usado para responder perguntas feitas pela criança no cotidiano, revelou o Tudocelular.
A expectativa do setor é que os novos dispositivos passem a funcionar como uma extensão permanente da IA fora da tela do celular, ampliando ainda mais a integração do Gemini com rotinas pessoais, produtividade e consumo digital.
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