El Niño no Brasil pode ficar entre os mais fortes já registrados e alerta preocupa senadores em 2026
Debate no Senado reuniu cientistas e autoridades para discutir os riscos do fenômeno climático e as medidas necessárias para reduzir prejuízos provocados por eventos extremos.
O avanço das projeções climáticas para os próximos meses levou especialistas, parlamentares e representantes do governo federal a discutir os possíveis efeitos do El Niño sobre o Brasil. O fenômeno, associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, voltou a ocupar o centro das atenções diante da possibilidade de provocar alterações significativas no regime de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do país.
Durante sessão temática promovida pelo Senado, pesquisadores alertaram que o Brasil já possui capacidade técnica para prever boa parte desses eventos, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar previsões em ações preventivas capazes de reduzir perdas humanas, econômicas e ambientais.
A preocupação não se limita ao comportamento do clima. Os possíveis reflexos atingem setores estratégicos como agricultura, geração de energia, transporte fluvial, abastecimento de água e infraestrutura urbana, especialmente em regiões historicamente vulneráveis a enchentes, deslizamentos e períodos prolongados de estiagem.
Previsões indicam alta probabilidade de um evento forte
As discussões foram impulsionadas por projeções apresentadas durante o encontro. Segundo o pesquisador Carlos Nobre, os estudos mais recentes apontam elevada probabilidade de formação do fenômeno e indicam chances de ele atingir intensidade forte ou muito forte ao longo dos próximos meses.
O alerta ocorre em um cenário marcado pelo aumento gradual da temperatura média global. De acordo com o pesquisador, o aquecimento do planeta intensifica fenômenos climáticos naturais ao acrescentar mais energia à atmosfera, favorecendo eventos extremos cada vez mais frequentes.
O senador Hermes Klann afirmou que os desastres climáticos deixaram de ser episódios excepcionais e passaram a integrar uma realidade permanente para diversas regiões brasileiras. Segundo ele, o desafio atual está menos relacionado à previsão e mais à capacidade de prevenção.
Mapa aponta impactos diferentes em cada região
As projeções debatidas durante a sessão mostram que os efeitos do El Niño não serão distribuídos de forma uniforme pelo território nacional.
- No Norte e em áreas do Nordeste, rios podem registrar redução de vazão, afetando atividades econômicas e o abastecimento em algumas localidades.
- Na Amazônia, a diminuição dos níveis dos rios pode comprometer a navegação em hidrovias fundamentais para o transporte regional.
- Partes do Norte, Nordeste e Centro-Oeste podem enfrentar menos chuvas e períodos secos mais prolongados, com reflexos sobre o desenvolvimento inicial de culturas agrícolas como soja e milho.
- No Sul, o aumento das precipitações eleva o risco de cheias, inundações, temporais e transtornos urbanos.
- Excesso de chuva também pode dificultar o plantio e favorecer problemas sanitários em culturas agrícolas como trigo, aveia e soja.
- Setores ligados ao abastecimento hídrico e à geração de energia podem enfrentar impactos decorrentes das alterações climáticas provocadas pelo fenômeno.
Preocupação cresce após eventos extremos recentes
A possibilidade de novas ocorrências severas mobiliza especialmente estados da Região Sul. Durante o debate, o senador Hamilton Mourão destacou a preocupação crescente após os eventos extremos registrados nos últimos anos, que expuseram limitações da infraestrutura urbana diante de volumes excepcionais de chuva.
Segundo ele, novas obras financiadas com recursos públicos precisam considerar parâmetros climáticos atualizados para reduzir vulnerabilidades futuras. A avaliação foi compartilhada por outros participantes do encontro, que defenderam planejamento de longo prazo e integração entre governos, comunidade científica e sociedade civil.
Representantes do Ministério da Ciência e Tecnologia afirmaram que o monitoramento do fenômeno ocorre de forma permanente. Embora os cenários atuais indiquem um El Niño forte, os especialistas ressaltam que a evolução do sistema atmosférico continuará sendo acompanhada por centros nacionais e internacionais.
Governo monitora cenário e acompanha áreas de risco
Outro ponto destacado durante a sessão foi a situação de populações instaladas em áreas suscetíveis a desastres naturais. Pesquisadores lembraram que centenas de milhares de pessoas vivem em regiões de encostas ou locais sujeitos a inundações, especialmente em estados do Sul.
Além das chuvas excessivas, órgãos federais acompanham possíveis efeitos sobre a Amazônia, onde períodos mais secos podem contribuir para o aumento do risco de queimadas.
O presidente da sessão, senador Esperidião Amin, afirmou que as contribuições apresentadas por especialistas, pesquisadores e representantes públicos deverão integrar futuras atualizações da cartilha produzida pelo Senado sobre o fenômeno. Enquanto novas projeções climáticas são divulgadas, órgãos de monitoramento seguem avaliando quais regiões poderão enfrentar excesso de chuva, estiagem ou outras alterações associadas ao avanço do El Niño nos próximos meses.

Foto de capa: Andressa Anholete/Agência Senado.

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