Lula afirmou em Campinas que o Brasil quer acelerar a exploração de terras raras e abriu espaço para acordos com EUA, China e Europa
O presidente disse que o Brasil conhece apenas 30% do potencial mineral do território e defendeu industrialização interna das terras raras para gerar riqueza e tecnologia no país.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (18), em Campinas, que o Brasil pretende acelerar o mapeamento e a exploração de minerais críticos e terras raras, hoje considerados estratégicos para a indústria de tecnologia, defesa militar, baterias, turbinas e produção de equipamentos eletrônicos.
Durante cerimônia de entrega de novas linhas do acelerador de partículas Sirius, o presidente declarou que o país está disposto a negociar com diferentes potências internacionais, incluindo Estados Unidos, China, Alemanha, França e Japão, desde que o controle sobre os recursos minerais permaneça sob soberania brasileira.
Brasil tenta avançar além da exportação de minério bruto
O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas ainda depende de outros países para etapas industriais mais sofisticadas. Atualmente, a China domina cerca de 90% do processamento global desses minerais, usados em setores considerados estratégicos na disputa tecnológica internacional.
Ao comentar o cenário geopolítico, Lula afirmou esperar que Donald Trump “deixe de brigar com Xi Jinping” para que os Estados Unidos possam se associar ao Brasil em projetos ligados à exploração mineral.
“Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas e a gente quer explorar aqui dentro”, afirmou Lula durante discurso em Campinas.
Segundo o presidente, o país precisa ampliar rapidamente o conhecimento sobre o próprio território mineral. Lula afirmou que o Brasil conhece apenas cerca de 30% do potencial existente no país e defendeu investimentos em ciência e tecnologia para acelerar o processo de pesquisa.
Sirius entra no debate sobre mineração estratégica
O presidente citou diretamente o Sirius, acelerador de partículas localizado em Campinas, como possível ferramenta para acelerar estudos ligados ao mapeamento mineral brasileiro. Segundo Lula, depender apenas de métodos tradicionais de perfuração tornaria o processo lento demais diante da corrida global por minerais críticos.
- Terras raras são usadas em smartphones, baterias e turbinas
- Os minerais também têm aplicação militar e tecnológica
- China lidera o processamento industrial global do setor
- Brasil possui uma das maiores reservas conhecidas do planeta
Neste ano, os Estados Unidos apresentaram propostas de cooperação mineral para diferentes países. O Brasil, porém, rejeitou o modelo americano após avaliar que a proposta feria princípios ligados à soberania nacional.
O governo brasileiro tenta construir um modelo diferente do histórico de exportação de commodities, como minério de ferro e ouro. A ideia defendida pelo Palácio do Planalto é que o processamento industrial aconteça dentro do território nacional, ampliando geração de tecnologia, empregos e valor agregado.
Lula também criticou escolha de profissões guiada pelo mercado
No mesmo evento, Lula afirmou que muitos jovens escolhem cursos universitários apenas por retorno financeiro. O presidente citou a medicina como exemplo e declarou que parte dos estudantes não pretende atuar no Sistema Único de Saúde.
“Muita gente que estuda medicina não é pra trabalhar no SUS, mas pra abrir uma clínica e ganhar muito dinheiro”, disse.
Ao defender investimentos públicos em educação e ciência, Lula afirmou que cabe ao Estado identificar áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento nacional e incentivar a formação de profissionais nesses setores.
Segundo o G1, as declarações ocorreram durante a inauguração de novas estruturas do Sirius, projeto científico brasileiro ligado ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas. O governo federal deve ampliar discussões sobre mineração estratégica e industrialização mineral nas próximas semanas, em meio ao aumento da pressão internacional por acesso às reservas brasileiras.
Foto: Ricardo Stuckert / PR.
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