Renault Kwid E-Tech vai sair de linha? elétrico barato desaparece após pressão das chinesas
A Renault confirmou o fim do Kwid E-Tech no Brasil após vendas fracas e avanço acelerado de rivais chineses no mercado de elétricos.
A Renault decidiu retirar o Kwid E-Tech do mercado brasileiro depois de quase quatro anos de trajetória discreta no segmento de elétricos. O modelo, que chegou ao país em 2022 carregando o título de carro elétrico mais barato do Brasil, perdeu espaço rapidamente diante da ofensiva chinesa e já não aparece mais no configurador oficial da marca.
A fabricante confirmou que interrompeu a importação de novas unidades do hatch e justificou a decisão pela dificuldade em obter volumes suficientes para manter a operação comercial do modelo no país.
A saída acontece em um momento em que o mercado brasileiro de elétricos passa por uma reorganização acelerada. O avanço de BYD e Geely transformou completamente a dinâmica do segmento, pressionando fabricantes tradicionais que chegaram antes da explosão dos carros chineses.
Vendas do Kwid elétrico ficaram muito abaixo dos rivais
Os números ajudam a explicar o encerramento da operação. Entre janeiro e abril de 2026, o Renault Kwid E-Tech acumulou apenas 217 unidades vendidas no Brasil.
No mesmo período, o BYD Dolphin Mini alcançou 21.647 emplacamentos e virou o elétrico mais vendido do país com ampla vantagem. O Geely EX2, que disputa diretamente o mesmo público urbano e compacto, registrou 6.076 unidades.
A diferença de escala deixou evidente o isolamento do hatch francês dentro do novo cenário da eletrificação brasileira.
| Modelo | Vendas em 2026 |
|---|---|
| BYD Dolphin Mini | 21.647 |
| Geely EX2 | 6.076 |
| Renault Kwid E-Tech | 217 |
O movimento também altera diretamente o segmento de entrada dos elétricos. Até então, o Kwid E-Tech ocupava o posto de elétrico mais barato do Brasil com preço de R$ 99.990.
Agora, a posição passa para o BYD Dolphin Mini, tabelado em R$ 119.990. O Geely EX2 aparece logo acima, custando R$ 123.990.
Parceria entre Renault e Geely ajuda a explicar mudança
A retirada do Kwid E-Tech acontece simultaneamente ao aprofundamento da parceria entre Renault e Geely no Brasil. As empresas criaram uma joint venture nacional e anunciaram investimento de R$ 3,8 bilhões na fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná.
A unidade passará a produzir veículos das duas marcas e deve assumir papel estratégico na expansão da operação chinesa no país.
Dentro dessa lógica, o crescimento do Geely EX2 acabou ocupando o espaço que antes pertencia ao compacto francês. O modelo chinês ganhou participação rapidamente no segmento e passou a representar uma alternativa mais competitiva dentro da própria estratégia conjunta entre as empresas.
O Geely EX2 vendeu quase 28 vezes mais que o Kwid E-Tech no primeiro quadrimestre de 2026.
Kwid elétrico recebeu atualização, mas reação do mercado foi pequena
A Renault ainda tentou prolongar a trajetória do hatch com uma atualização recente. O modelo recebeu mudanças visuais e um novo pacote de equipamentos de segurança e tecnologia.
Entre as novidades estavam frenagem autônoma de emergência, reconhecimento de placas de velocidade, sensor de fadiga e central multimídia de 10 polegadas.
Mesmo assim, o desempenho comercial continuou distante dos rivais chineses.
O conjunto mecânico permaneceu inalterado desde o lançamento. O Kwid E-Tech utiliza motor elétrico de 65 cv e 11,5 kgfm de torque, acelera de 0 a 100 km/h em 14,6 segundos e tem velocidade máxima de 130 km/h.
A bateria de 26,8 kWh entrega autonomia de 180 quilômetros segundo medições do Inmetro.
Segundo o Estadao, enquanto o hatch deixa o mercado, o Megane E-Tech passa a ser o único modelo totalmente elétrico vendido oficialmente pela Renault no Brasil. A mudança ocorre justamente quando as fabricantes chinesas ampliam participação e transformam o segmento elétrico nacional em um dos mais disputados da indústria automotiva brasileira.
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