Vacina da dengue do Butantan: fique atendo aos sinais que merecem atenção
Após a suspensão temporária da vacina da dengue do Butantan, o Ministério da Saúde orienta quem recebeu a dose nos últimos 21 dias a observar sintomas como febre e sangramentos.
A suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan levou o Ministério da Saúde a reforçar orientações para pessoas que receberam recentemente o imunizante. A medida foi anunciada após o registro de 42 eventos adversos graves em indivíduos vacinados, casos que seguem sob investigação para determinar eventual relação com a vacina.
Segundo informações divulgadas pelo governo federal, a suspensão tem caráter preventivo e não altera a eficácia já demonstrada pelo imunizante. A recomendação atual é que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias acompanhem o aparecimento de sintomas específicos e procurem atendimento médico caso apresentem sinais considerados de alerta.
Quem precisa ficar atento neste momento
A orientação do Ministério da Saúde é direcionada principalmente para quem recebeu a vacina há menos de 21 dias.
Nesse período ocorre o chamado processo de viremia vacinal, fase em que a versão enfraquecida do vírus utilizada na formulação ainda pode circular no organismo enquanto estimula a produção de anticorpos e a resposta imunológica.
De acordo com o diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti, a observação dos sintomas é importante para permitir atendimento rápido em caso de necessidade.
Quais sintomas devem ser observados

Os sinais considerados relevantes são semelhantes aos observados em casos de dengue.
- Febre
- Dor no corpo
- Manchas na pele
- Sinais de sangramento
- Vômitos
A recomendação é procurar uma unidade de saúde caso qualquer um desses sintomas apareça durante o período de monitoramento.
Pessoas vacinadas nos últimos 21 dias devem procurar assistência médica caso apresentem febre, manchas na pele, sangramentos, vômitos ou dores no corpo.
Quem recebeu a vacina há mais tempo não precisa se preocupar
O Ministério da Saúde afirma que pessoas vacinadas há mais de 21 dias não precisam procurar atendimento preventivamente apenas por terem recebido a dose.
Segundo a pasta, esse grupo já ultrapassou a fase considerada de observação relacionada ao mecanismo de funcionamento da vacina e permanece protegido contra a dengue dentro dos índices de eficácia demonstrados nos estudos clínicos.
A orientação oficial é que não há necessidade de medidas adicionais para quem já completou esse período sem apresentar sintomas.
O que se sabe sobre os casos investigados
A suspensão ocorreu após o registro de 42 eventos adversos graves envolvendo pessoas imunizadas. Entre os casos reportados, três resultaram em internações e dois evoluíram para óbito.
As investigações continuam para esclarecer se existe ligação direta entre os acontecimentos e a vacina aplicada. Até o momento, as autoridades sanitárias não divulgaram conclusão definitiva sobre a origem dos eventos.
O Ministério da Saúde destaca que a interrupção temporária segue protocolos de segurança utilizados em campanhas de imunização e permite aprofundar a análise dos registros recebidos.
Vacina foi incorporada ao SUS neste ano
A vacina do Butantan passou a integrar o Sistema Único de Saúde em janeiro de 2026 após aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Até 30 de maio, mais de 501 mil pessoas haviam sido imunizadas. A aplicação começou em municípios-piloto, incluindo Botucatu, em São Paulo, Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais.
Posteriormente, a estratégia foi ampliada para a região de Araguaína, no Tocantins, além de contemplar profissionais da atenção primária à saúde.
Proteção segue reconhecida pelas autoridades
Mesmo diante da suspensão temporária, o Ministério da Saúde reforça que os resultados observados durante os estudos clínicos continuam válidos.
Os dados utilizados na aprovação do imunizante indicaram redução de aproximadamente 65% nos casos de dengue e proteção superior a 80% contra formas graves da doença e hospitalizações, revelou a Band.
Antes da autorização para uso no país, mais de 11 mil voluntários participaram dos estudos clínicos e permaneceram sob acompanhamento por até cinco anos. Enquanto as investigações avançam, a recomendação oficial permanece concentrada na observação dos sintomas por parte das pessoas vacinadas recentemente e na busca por atendimento médico caso algum sinal de alerta seja identificado.

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