Sandra Santana: da gestão pública à disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo

Sandra Santana, vereadora de São Paulo e candidata a deputada estadual pelo MDB, construiu trajetória na gestão pública, nas subprefeituras e na liderança da CCJ paulistana. A força feminina na política se constrói com presença, experiência e voz nos espaços de decisão. Sandra Santana representa uma trajetória de mulheres que transformam participação em protagonismo e ajudam a escrever novos capítulos na vida pública paulista.

São Paulo
Publicado por em 11/09/2026
Sandra Santana: da gestão pública à disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo

Vereadora de São Paulo, ex-subprefeita e primeira mulher a presidir a CCJ da Câmara Municipal, Sandra Santana construiu uma trajetória de mais de três décadas entre administração pública, articulação comunitária e política; em 2026, retorna à disputa por uma vaga de deputada estadual

A trajetória de Sandra Santana na política paulista começou muito antes de seu nome aparecer nas urnas. Formada em Direito, com experiência acumulada nos bastidores do Legislativo e do Executivo, duas passagens pelo comando de subprefeituras paulistanas e dois mandatos na Câmara Municipal de São Paulo, a vereadora do MDB chega às eleições de 2026 tentando ampliar para o Estado uma carreira construída, sobretudo, a partir da gestão pública e da atuação territorial na capital.

Aos 59 anos, Sandra Cristina Leite Santana é candidata a deputada estadual por São Paulo pelo MDB, com o número 15456. Seu registro de candidatura consta como deferido pela Justiça Eleitoral. A disputa representa uma espécie de reencontro com um projeto político iniciado anos atrás: em 2018, quando ainda integrava o PSDB, Sandra concorreu pela primeira vez à Assembleia Legislativa e conquistou 43.204 votos, mas terminou aquela eleição como suplente.

Oito anos depois, retorna à disputa em uma condição política diferente. Nesse intervalo, foi eleita vereadora da maior cidade do país, reeleita praticamente dobrando sua votação e conquistou quatro vezes a presidência da Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa — CCJ — da Câmara Municipal.

Sua história ajuda a compreender como uma personagem que permaneceu durante muitos anos nos bastidores da política transformou experiência administrativa em capital eleitoral próprio.

Uma carreira política construída antes das urnas

Nascida em São Paulo em 19 de maio de 1967, Sandra é formada em Direito e pós-graduada em Urbanismo Social pelo Insper. Moradora da Freguesia do Ó, é a mais velha entre cinco irmãos, mãe e avó. Segundo seu perfil institucional na Câmara Municipal, começou ainda jovem sua atuação como mobilizadora social.

Foi na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo que parte significativa de sua formação política ocorreu.

Durante mais de 25 anos, Sandra esteve ligada ao gabinete do ex-deputado estadual Celino Cardoso, chegando à função de chefe de gabinete. O período deu à futura vereadora experiência no funcionamento do Legislativo paulista e no relacionamento entre mandatos parlamentares, comunidades e órgãos públicos.

A Câmara Municipal atribui a essa fase uma atuação voltada especialmente para demandas de bairros mais vulneráveis, envolvendo educação, saúde, assistência social, infraestrutura, sustentabilidade, geração de renda, zeladoria e desenvolvimento econômico.

Mas sua experiência não ficou restrita ao Legislativo.

Sandra também passou pelo Executivo paulista e municipal. Trabalhou na Secretaria da Casa Civil durante o governo Mário Covas, no gabinete do então vice-governador Alberto Goldman e na Secretaria Municipal de Esportes e Lazer de São Paulo, onde participou de iniciativas voltadas à recuperação de equipamentos esportivos da cidade.

A combinação entre Legislativo, administração pública e articulação territorial acabaria se tornando uma das marcas de sua trajetória.

De assessora política a subprefeita

Entre 2007 e 2009, Sandra Santana assumiu a então Subprefeitura de Perus/Anhanguera, na região Noroeste da capital.

A experiência representou uma mudança significativa de posição. Se anteriormente sua atuação estava ligada à articulação política e institucional, como subprefeita passou a responder diretamente pela administração regional e pela execução de políticas públicas.

Segundo o histórico publicado pela Câmara de São Paulo, sua administração desenvolveu projetos de reformulação de praças, utilizou recursos provenientes de créditos de carbono e participou do projeto de urbanização da Favela do Bamburral.

Anos mais tarde, Sandra voltaria a comandar uma administração regional.

Entre janeiro de 2019 e março de 2020, foi subprefeita da Freguesia do Ó/Brasilândia, território que também possui forte presença em sua trajetória política.

Naquele período, estiveram entre as ações da administração regional iniciativas de combate a pontos de descarte irregular de lixo, revitalização de espaços públicos, sustentabilidade, geração de emprego e renda, gastronomia, artesanato, cultura e ações destinadas às mulheres.

O currículo institucional da parlamentar cita como marcos daquele período a revitalização do Largo do Clipper, a requalificação do Calçadão do Iracema e a reforma do Largo da Pretinha.

Foi justamente entre essas duas experiências como subprefeita que Sandra fez sua primeira tentativa de conquistar um mandato eletivo.

Primeira disputa para deputada estadual

Em 2018, Sandra Santana concorreu a deputada estadual pelo PSDB.

Recebeu 43.204 votos e ficou na condição de suplente na disputa por uma das 94 cadeiras da Assembleia Legislativa paulista.

A votação, porém, mostrou que sua influência eleitoral ultrapassava os limites da capital.

Dados eleitorais referentes àquela eleição apontam presença relevante em municípios da região metropolitana. Em Caieiras, por exemplo, Sandra obteve 2.264 votos. Em Francisco Morato, foram 2.208; em Mairiporã, 1.745; e em Franco da Rocha, 1.702 votos.

Para o público do Fala Regional, esse recorte é particularmente significativo.

Muito antes da candidatura de 2026, Sandra já encontrava eleitores em municípios que integram o entorno metropolitano das regiões Norte e Noroeste da Grande São Paulo.

A eleição estadual não lhe deu uma cadeira na Alesp, mas dois anos depois outro caminho eleitoral se abriria.

A chegada à Câmara Municipal de São Paulo

Em 2020, Sandra disputou pela primeira vez uma vaga de vereadora na capital paulista.

Ainda pelo PSDB, recebeu 19.591 votos e foi eleita para a Câmara Municipal.

A eleição representou uma inflexão em sua carreira: depois de décadas auxiliando outros agentes políticos e de comandar estruturas administrativas regionais, Sandra passou a possuir um mandato parlamentar próprio.

Dentro da Câmara, sua projeção cresceu principalmente a partir da Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa — CCJ.

Em 2022, tornou-se a primeira mulher a presidir a comissão.

O marco ultrapassa a dimensão simbólica. A CCJ ocupa posição estratégica na estrutura legislativa porque analisa a constitucionalidade e a legalidade das proposições que tramitam pela Câmara antes de seu avanço no processo legislativo.

Sandra voltou a presidir o colegiado em 2023 e 2025.

Em 5 de março de 2026, foi eleita por unanimidade para comandar novamente a comissão, chegando à sua quarta presidência da CCJ.

Segundo a Câmara Municipal, Sandra continua sendo a primeira mulher a ter presidido o colegiado.

O cargo colocou a parlamentar no centro de discussões que ultrapassam os projetos de seu próprio mandato. Como presidente da comissão, participa de uma das etapas fundamentais da análise jurídica das propostas apresentadas pelos vereadores e pelo Executivo municipal.

Mudança de partido e crescimento nas urnas

Entre seu primeiro e segundo mandato ocorreu outra mudança importante.

Sandra deixou o PSDB, partido no qual havia construído grande parte de sua trajetória política, e ingressou no MDB.

Pela nova legenda, disputou a reeleição em 2024.

O resultado demonstrou um crescimento significativo de sua base eleitoral.

Sandra recebeu 38.326 votos e conquistou novamente uma cadeira na Câmara Municipal. Foram 18.735 votos a mais do que em 2020, o que corresponde a um crescimento aproximado de 96%.

Na prática, Sandra praticamente dobrou seu eleitorado entre uma eleição municipal e outra.

A parlamentar entrava no segundo mandato não apenas como vereadora reeleita, mas também com maior densidade eleitoral e experiência institucional.

Urbanismo, periferia e mobilidade

Parte da atuação política de Sandra dialoga diretamente com sua pós-graduação em Urbanismo Social.

Questões relacionadas à infraestrutura urbana, ocupação do território, mobilidade, periferias e equipamentos públicos passaram a ocupar espaço importante na agenda da vereadora.

Sua experiência à frente das subprefeituras também ajuda a explicar essa característica.

Na política municipal, subprefeituras lidam justamente com aquilo que o cidadão percebe de maneira mais imediata: ruas, praças, drenagem, zeladoria, ocupação urbana, conservação de espaços públicos e demandas locais.

No mandato parlamentar, Sandra ampliou esse olhar para outras políticas relacionadas às periferias.

Sua apresentação institucional aponta como frentes de atuação a infraestrutura urbana, acesso à saúde e cultura, capacitação profissional, empreendedorismo, geração de emprego e renda, sustentabilidade, gastronomia e economia criativa.

Cooperativismo e geração de renda

Outra bandeira recorrente de Sandra Santana é o cooperativismo.

A parlamentar tem defendido o modelo como alternativa para geração de renda, organização econômica e desenvolvimento social.

A pauta ganhou espaço institucional dentro da própria Câmara Municipal e passou a integrar sua agenda relacionada à capacitação profissional, empreendedorismo e economia local.

Em 2025, ao apresentar suas prioridades para o segundo mandato, Sandra voltou a citar o cooperativismo de negócios como uma das áreas nas quais pretendia avançar na cidade.

Essa preocupação com oportunidades econômicas aparece ao lado de propostas relacionadas à cultura, gastronomia, terceiro setor, qualificação profissional e economia criativa.

Saúde também entra na agenda legislativa

No segundo mandato, Sandra também passou a aparecer em proposições relacionadas diretamente à saúde pública.

Em 2026, por exemplo, figura como uma das autoras do Projeto de Lei 134/2026, ao lado dos vereadores Sansão Pereira e Silvão Leite.

A proposta estabelece diretrizes para o fornecimento gratuito, pela rede pública municipal, de medicamentos indicados para o tratamento da obesidade grave, incluindo aqueles à base de tirzepatida, observados critérios médicos e de elegibilidade previstos no texto.

Também participa de iniciativas nas áreas cultural e educacional, entre elas propostas relacionadas a fanfarras educativas e culturais, integração entre educação, cultura, juventude e inclusão social.

São exemplos de uma produção legislativa que precisa ser analisada também por seu estágio de tramitação: a apresentação de um projeto não significa automaticamente que ele tenha se transformado em política pública, razão pela qual é importante distinguir propostas apresentadas, projetos aprovados e leis efetivamente sancionadas.

Uma trajetória marcada pelo território

Há um componente geográfico particularmente importante na história de Sandra Santana.

Perus, Anhanguera, Freguesia do Ó, Brasilândia, Pirituba e bairros da região Noroeste aparecem repetidamente em sua trajetória administrativa, política e eleitoral.

Esse vínculo territorial ajuda a explicar sua construção política.

Ao contrário de candidaturas que surgem inicialmente por meio de grande exposição pública, Sandra desenvolveu sua trajetória principalmente pela presença em estruturas administrativas e pela relação com comunidades.

A expansão desse modelo para além da capital será um dos desafios da campanha estadual de 2026.

Afinal, uma eleição para deputado estadual transforma completamente a dimensão territorial da disputa: o eleitorado deixa de estar limitado à cidade de São Paulo e passa a compreender todos os municípios paulistas.

É nesse ponto que cidades da Região Metropolitana — entre elas Caieiras, Franco da Rocha, Francisco Morato, Mairiporã e Cajamar — tornam-se particularmente relevantes.

Os resultados de 2018 mostram que Sandra já havia conquistado votos expressivos em parte desse território quando disputou a Alesp pela primeira vez.

O retorno ao projeto estadual

Em 31 de agosto de 2026, Sandra Santana realizou em São Paulo o lançamento de sua campanha para deputada estadual.

O evento ocorreu no Pro Magno Centro de Eventos, na capital.

A candidatura pelo MDB foi registrada com o número 15456. A eleição será realizada em 4 de outubro de 2026.

A candidata chega à disputa estadual com um currículo substancialmente diferente daquele apresentado aos eleitores em 2018.

Na primeira tentativa, carregava principalmente a experiência adquirida na administração pública, nos gabinetes políticos e nas subprefeituras.

Agora acrescenta a essa trajetória dois mandatos de vereadora, uma reeleição com crescimento de quase 100% dos votos e quatro passagens pela presidência da CCJ da Câmara Municipal de São Paulo.

O desafio também mudou.

Se antes precisava transformar a experiência nos bastidores em reconhecimento eleitoral, agora precisa transformar uma liderança consolidada principalmente na capital e em parte da Região Metropolitana em votos suficientes em uma disputa estadual.

Quem é Sandra Santana

A trajetória de Sandra Santana pode ser resumida por uma característica marcante na política contemporânea: ela passou muitos anos aprendendo e operando a máquina pública antes de conquistar seu primeiro mandato próprio.

Foi assessora, chefe de gabinete, integrante do Executivo estadual, gestora municipal, subprefeita, candidata a deputada estadual, vereadora eleita, presidente de uma das principais comissões do Legislativo paulistano e vereadora reeleita.

Não é, portanto, uma trajetória construída em uma única eleição.

É resultado de décadas circulando entre gestão pública, comunidades, Legislativo e Executivo.

Em 2026, Sandra retorna exatamente ao cargo que tentou conquistar oito anos antes.

Mas chega diferente.

A pergunta que as urnas responderão em outubro é se a experiência acumulada na maior cidade do país e a presença conquistada em regiões da Grande São Paulo serão suficientes para transformar uma liderança municipal em um mandato estadual.

Essa será a próxima página de uma história política que começou muito antes de Sandra Santana colocar seu próprio nome diante do eleitor.


Fontes consultadas

Bianca Ludymila Peres Corrêa
Bianca Ludymila Peres Corrêa
Jornalista (MTB 0081969/SP) dedicada à cobertura de temas regionais e nacionais, atua com olhar atento ao cotidiano, política e sociedade. Produz conteúdo claro, informativo e relevante para diferentes públicos.

Leia mais em São Paulo

De rua em rua: registros mostram intervenções associadas ao mandato de Sandra Santana na região de Perus
São Paulo
Em Perus, diferentes intervenções urbanas registradas ao longo do território evidenciam uma atuação voltada a resolver problemas concretos e melhorar a qualidade de vida da...
Sabesp instala caixa d’água grátis para famílias de baixa renda em SP
São Paulo
Sabesp oferece caixa d’água de 500 litros sem custo: “A instalação também é gratuita” para clientes de tarifa social em São...
São Paulo convoca 54,1 mil estudantes para provas do programa de intercâmbio, marcadas entre 3 e 7 de agosto nas escolas estaduais das 91 regiões de ensino
São Paulo
Mais de 54 mil estudantes foram chamados para a prova de inglês, mas somente 500 viajarão no primeiro semestre de 2027 após todas as etapas da...
Pacientes relatam falta de insulina em sete UBSs de São Paulo
São Paulo
Falta de insulina NPH e seringas em unidades de São Paulo obriga pacientes com diabetes a comprar o tratamento e percorrer outros bairros em busca dos...
Tabela SUS Paulista amplia exames e atendimento oncológico em SP
São Paulo
Tabela SUS Paulista aumenta exames, reforça hospitais e amplia atendimento contra o câncer em SP, com alta em tomografias, ressonâncias e...
Federação PSDB-Cidadania decide lançar candidatura majoritária em São Paulo após desistência de Paulo Serra
São Paulo
A Federação PSDB-Cidadania ainda não escolheu se vai disputar o governo ou o Senado em São Paulo, mas a decisão já muda o tabuleiro eleitoral de...

Últimas novidades

REVISTECA transforma o FESTECA em convite para descobrir as histórias, a cultura e os caminhos de Caieiras
Entretenimento
A REVISTECA nasce para unir teatro, cultura, memória e turismo, valorizando o FESTECA e convidando moradores e visitantes a conhecerem melhor Caieiras e suas...
Programa Remédio em Casa vai entregar medicamentos a pacientes com dificuldade de locomoção
Franco da Rocha
Programa Remédio em Casa permite que idosos, pessoas com deficiência e pacientes acamados recebam medicamentos de uso contínuo sem sair de...
Caieiras reforça campanha Agosto Lilás e divulga canais para denunciar violência contra a mulher
Caieiras
Agosto Lilás em Caieiras reforça combate à violência física, psicológica, moral, sexual e patrimonial e divulga telefones para atendimento e...
Senado aprova Pix Pensão para automatizar pagamento de pensão alimentícia
Direito e Leis
Pix Pensão poderá automatizar depósitos, alcançar processos antigos e bloquear ativos quando não houver saldo, mas a medida ainda depende de sanção...
ECO VIC Panorama avança em Franco da Rocha com apartamentos de dois dormitórios e lazer completo
Franco da Rocha
A VIC Engenharia avança com o ECO VIC Panorama, em Franco da Rocha, empreendimento com apartamentos de dois dormitórios, varanda, garagem e estrutura de lazer completo na...
Janja explica viagens oficiais e rebate críticas sobre gastos públicos: “misoginia pura”
Política
Janja rebate críticas sobre viagens e gastos, explica compromissos internacionais e afirma que a fama de "gastadeira" faz parte de uma ofensiva política contra...

Jornal Fala Regional

Nosso objetivo é levar conteúdo de forma clara, sem amarras e de forma independente a todos. Atendemos pelo jornal impresso as cidades de Caieiras, Franco da Rocha, Francisco Morato, Mairiporã e Cajamar, toda sexta-feira nas bancas. Pela internet o acesso é gratuito e disponível a todos a qualquer momento, do mundo inteiro.

Vamos Bater um Papo?