PM impede ato sindical na Paulista no 1º de Maio e decisão amplia tensão política em São Paulo
A decisão da Polícia Militar de impedir um ato sindical na avenida Paulista no Dia do Trabalhador, ao mesmo tempo em que autorizou manifestações de grupos políticos, abriu uma nova frente de tensão em São Paulo. O episódio levanta dúvidas sobre critérios adotados e o impacto no direito de manifestação em um ano marcado por disputas eleitorais.
A Polícia Militar de São Paulo decidiu impedir a realização de um ato organizado por centrais sindicais na avenida Paulista no dia 1º de maio, data marcada pelo Dia do Trabalhador, após constatar que outros grupos já haviam solicitado autorização para o uso da via com antecedência.
A decisão foi formalizada em reunião realizada na sexta-feira, 24 de abril de 2026, e comunicada às entidades presentes. Segundo a corporação, três grupos de perfil alinhado ao bolsonarismo haviam protocolado pedidos anteriormente, o que, de acordo com a regra vigente, garantiu prioridade para a ocupação do espaço público.
Critério cronológico e risco de conflito
De acordo com a Polícia Militar, o planejamento seguiu critérios técnicos e a ordem cronológica das solicitações. A corporação também mencionou o contexto eleitoral como fator relevante para a decisão.
“Tendo em vista ser ano eleitoral e possibilidade de tensão entre os movimentos”, consta na ata da reunião que tratou do tema.
Ainda segundo a PM, o objetivo é evitar confrontos entre grupos com posicionamentos políticos distintos e garantir a segurança de participantes e da população.
Reação das entidades sindicais
A central CSP-Conlutas e outras organizações ligadas a trabalhadores classificaram a medida como arbitrária e questionaram o fato de a negativa ter sido comunicada poucos dias antes da data prevista para o ato.
Dirigentes afirmam que o 1º de maio tem caráter histórico e internacional, sendo tradicionalmente associado a manifestações de trabalhadores, o que, segundo eles, deveria ser considerado na análise.
As entidades discutiram alternativas durante a reunião e cogitaram transferir a mobilização para outros pontos da cidade.
- Praça do Ciclista, na região da Consolação
- Praça Roosevelt, no centro de São Paulo
Grupos autorizados e mobilização política
Entre os grupos que tiveram autorização para se manifestar na avenida Paulista estão Patriotas do QG, A Voz da Nação e Marcha da Liberdade, organizações de pequeno porte.
Um dos atos previstos está marcado para as 11h do dia 1º de maio, em frente ao prédio da Fiesp. A pauta inclui apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, críticas ao Supremo Tribunal Federal e pedidos relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Possibilidade de intervenção policial
Segundo a Folha, a Polícia Militar informou que, caso o veto seja descumprido e haja tentativa de ocupação da avenida Paulista por parte das entidades sindicais, o Batalhão de Choque poderá ser acionado para desobstrução da via.
Em nota oficial, a corporação afirmou atuar de forma isonômica e que não considera a natureza ou a pauta dos organizadores como critério de decisão.
“Não há distinção quanto à natureza, pauta ou representatividade dos organizadores, sendo adotados os mesmos critérios legais de segurança e de ordem cronológica”, afirmou a PM.
Cenário aberto às vésperas do feriado
O impasse ocorre a poucos dias do 1º de maio e mantém indefinido o formato das manifestações previstas para a data em São Paulo. Entidades sindicais indicam que pretendem manter mobilizações, ainda que fora da avenida Paulista, enquanto a Polícia Militar prepara um esquema de segurança específico para o feriado.
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