OMS monitora mais de 900 casos suspeitos de Ebola na África após avanço rápido da doença no Congo e em Uganda
A OMS monitora mais de 900 casos suspeitos de Ebola na África após avanço rápido da doença no Congo e em Uganda. Já existem 101 confirmações oficiais.
O novo surto de Ebola registrado na África colocou autoridades sanitárias internacionais em estado de atenção máxima após a rápida expansão de casos suspeitos em diferentes regiões do continente. A Organização Mundial da Saúde informou que mais de 900 ocorrências estão sob monitoramento enquanto 101 infecções já foram oficialmente confirmadas.
O epicentro inicial foi identificado na República Democrática do Congo em 15 de maio. Em menos de 48 horas, Uganda também confirmou novos registros da doença em Kampala, capital do país, sem relação epidemiológica aparente entre os casos detectados até o momento.
A velocidade da disseminação levou a OMS a declarar emergência de saúde pública de preocupação internacional em 17 de maio. Dias depois, o nível de risco do surto dentro do Congo foi elevado de alto para muito alto, a classificação máxima usada pela agência.
Nova cepa preocupa por não possuir vacina aprovada
O principal fator de preocupação entre especialistas não está apenas na expansão territorial do vírus, mas no tipo específico identificado neste surto. Segundo a OMS, os casos atuais estão associados ao vírus Bundibugyo, uma variante para a qual ainda não existe vacina aprovada nem tratamento específico disponível.
O cenário difere de surtos anteriores ligados à cepa Ebola-Zaire, que já contava com estratégias de imunização emergencial utilizadas em países africanos nos últimos anos.
A ausência de imunizante e de terapias específicas aumentou o grau de preocupação internacional diante do novo avanço da doença.
Dados divulgados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos apontam 176 mortes suspeitas relacionadas ao atual surto até 22 de maio.
Como ocorre a transmissão do Ebola

O Ebola não é transmitido pelo ar. A infecção ocorre por contato direto com fluidos corporais de pessoas contaminadas, incluindo sangue, secreções, vômito e fezes. Também existe risco de transmissão no contato com animais mortos infectados pelo vírus.
Segundo autoridades sanitárias, a doença exige exposição significativa ao material contaminado, o que diferencia o Ebola de vírus respiratórios de alta disseminação como Covid-19 ou sarampo.
- Contato com sangue contaminado pode transmitir o vírus
- Secreções corporais representam alto risco de infecção
- Não existe transmissão pelo ar
- Período de incubação varia entre 2 e 21 dias
- Pessoas sem sintomas não transmitem a doença
Os primeiros sintomas costumam surgir de forma repentina. Febre alta, dores musculares intensas e alterações gastrointestinais aparecem entre cinco e dez dias após a contaminação na maior parte dos casos.
Nos quadros mais graves, pacientes podem desenvolver manifestações hemorrágicas semelhantes às observadas em formas severas de dengue, incluindo queda de plaquetas, choque, hipotensão e sangramentos em mucosas e trato gastrointestinal.
Conflitos e pobreza dificultam resposta sanitária
A situação no Congo também é agravada por problemas estruturais que dificultam a contenção do vírus. Regiões afetadas convivem com instabilidade política, pobreza extrema e dificuldades de acesso a hospitais e equipes médicas.
O deslocamento populacional em áreas de conflito amplia os desafios logísticos para rastreamento de contatos e isolamento de pessoas infectadas. Em algumas localidades, equipes humanitárias dependem de apoio internacional para manter operações básicas de atendimento, revelou o G1.
| Dados do surto | Números divulgados |
|---|---|
| Casos suspeitos monitorados | Mais de 900 |
| Casos confirmados | 101 |
| Mortes suspeitas | 176 |
| Países afetados | Congo e Uganda |
A OMS mantém monitoramento contínuo sobre possíveis novos registros em países vizinhos enquanto equipes internacionais trabalham para ampliar a vigilância epidemiológica nas regiões afetadas pelo avanço da doença.
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