Nova obra muda o mapa do saneamento em SP e corta bilhões de litros de esgoto dos rios; veja o tamanho da transformação na ETE de Perus
Nova estação de tratamento de esgoto em Perus começa a operar com capacidade inicial de 15 milhões de litros por dia e integra um pacote bilionário de obras de saneamento na Grande São Paulo.
Uma das maiores intervenções recentes em saneamento na capital paulista começou a operar na zona noroeste da cidade. A nova Estação de Tratamento de Esgoto de Perus entrou em funcionamento com capacidade inicial para tratar 15 milhões de litros de esgoto por dia, marcando a chegada da coleta e do tratamento de esgoto a uma das últimas áreas da cidade que ainda não contavam com cobertura completa desse serviço.
A estrutura foi implantada com investimento de R$ 651 milhões e representa uma das principais frentes de expansão da infraestrutura de saneamento na região. Quando atingir sua capacidade máxima, prevista para outubro deste ano, a unidade será capaz de tratar até 60 milhões de litros diariamente.
Impacto direto nos rios e córregos da região
A operação da nova estação permitirá que um volume equivalente a 24 piscinas olímpicas de esgoto deixe de ser lançado diariamente nos mananciais da região. Na prática, isso representa a retirada mensal de aproximadamente 1,8 bilhão de litros de esgoto que antes chegavam aos cursos d’água sem tratamento adequado.
O impacto ambiental se estende a diversos corpos hídricos da zona noroeste da capital.
- Ribeirão Perus
- Ribeirão Eusébio
- Córrego dos Abreus
- Córrego Bom Sucesso
- Córrego Itaim
- Córrego Furnas
Além da redução da poluição local, a medida também influencia a qualidade da água da bacia do Rio Juqueri, responsável por alimentar a represa Paiva Castro, integrante do Sistema Cantareira, um dos principais sistemas de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo.
Obra alcança bairros que ainda não tinham tratamento de esgoto
A implantação da estação exigiu a construção de 33 quilômetros de tubulações, incluindo redes coletoras e coletores-tronco destinados ao transporte do esgoto até a unidade de tratamento.
A infraestrutura atende bairros localizados nos distritos de Perus e Jaraguá, incluindo áreas como Jardim Ipanema, Jardim Alvina, Jardim Marilu, Jardim Pirituba e outras comunidades da região.
Segundo o cronograma divulgado, cerca de 400 mil moradores serão beneficiados diretamente quando a estação alcançar sua capacidade operacional plena.
A segunda fase da obra está prevista para outubro de 2026, quando a capacidade de tratamento passará de 15 milhões para 60 milhões de litros por dia.
Projeto integra programa bilionário de recuperação do Tietê
A ETE de Perus faz parte do conjunto de intervenções vinculadas ao programa de recuperação do Rio Tietê e de seus afluentes. O projeto está inserido em um pacote de 42 frentes de obras distribuídas pela capital e municípios da Grande São Paulo.
Os investimentos previstos nesse conjunto de ações somam R$ 17,2 bilhões e têm como meta beneficiar aproximadamente 5 milhões de pessoas até o final de 2027.
Além da ampliação da coleta e do tratamento de esgoto, as obras buscam reduzir a carga poluidora despejada nos rios que integram a bacia hidrográfica da região metropolitana.
Tecnologia permite reaproveitamento e geração de energia
A estação utiliza sistema de ultrafiltragem capaz de devolver os efluentes tratados aos mananciais com redução superior a 90% dos níveis de poluição, reduzindo significativamente os riscos de contaminação ambiental.
Outro aspecto do projeto envolve o aproveitamento dos resíduos sólidos gerados durante o processo. O material resultante do tratamento passa por processos que permitem a produção de biometano, combustível renovável utilizado como alternativa aos combustíveis fósseis.
Segundo a Agenciasp, o biometano produzido será consumido pela própria estação no processo de secagem térmica do lodo gerado no tratamento, ampliando a eficiência operacional da unidade. Enquanto a primeira etapa já está em funcionamento, a expansão prevista para outubro deverá elevar a capacidade da estação e consolidar a integração do empreendimento ao conjunto de obras de saneamento em andamento na Grande São Paulo.

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