Metade dos gatos chega aos lares sem ser comprada: números mostram uma mudança na adoção de animais no Brasil
Quase metade dos gatos que vivem em lares brasileiros chegou por adoção ou resgate das ruas, segundo levantamento nacional realizado com mais de 4 mil tutores.
A imagem do animal de estimação adquirido em criadouros ou pet shops vem perdendo espaço para outra realidade. Um levantamento realizado com tutores em todas as regiões do país mostra que praticamente metade dos gatos que vivem hoje em residências brasileiras chegou por meio de adoção ou após ter sido encontrado nas ruas.
Os dados fazem parte do Estudo CVA Petcare 2026, pesquisa realizada com 4.032 consumidores de produtos voltados para cães e gatos. O resultado reforça uma transformação observada há alguns anos no mercado pet: o fortalecimento do vínculo emocional entre famílias e animais de estimação e o crescimento da adoção como principal forma de acolhimento.
Entre os tutores de gatos entrevistados, 30,7% afirmaram ter encontrado o animal abandonado ou vivendo nas ruas. Outros 19,2% relataram ter adotado o pet em abrigos, ONGs ou feiras de adoção. Somados, esses grupos representam 49,9% dos felinos analisados pela pesquisa.
O resultado sugere que, para uma parcela crescente dos brasileiros, a decisão de levar um gato para casa está mais ligada ao acolhimento do que à compra.
Mudança também aparece entre os cães
O levantamento identificou tendência semelhante entre os cachorros, embora em proporções diferentes.
Entre os entrevistados, 38% afirmaram ter recebido o animal de amigos, parentes ou conhecidos. Outros 18,8% adotaram seus cães em abrigos ou organizações de proteção animal, enquanto 11,6% disseram ter encontrado os animais nas ruas.
Os números indicam que a adoção e o acolhimento informal continuam desempenhando papel importante na formação das famílias com animais de estimação.
Pets ocupam cada vez mais espaço dentro de casa

A pesquisa também identificou uma mudança no cotidiano dos animais. Segundo o estudo, cães e gatos passaram a ocupar áreas da residência que antes nem sempre faziam parte de sua rotina.
Mais da metade dos cães entrevistados, 50,3%, passa a maior parte do tempo dentro de casa. Entre os gatos, esse percentual é ainda maior e chega a 71,4%.
O movimento acompanha um fenômeno frequentemente apontado por especialistas do setor: a crescente humanização dos animais de estimação.
Os pets deixaram de ocupar apenas quintais e áreas externas e passaram a compartilhar de forma mais intensa os espaços e a rotina das famílias.
Essa mudança tem impacto direto nos hábitos de consumo relacionados aos animais.
Maior convivência aumenta os gastos com cuidados
Com os pets mais presentes dentro das residências, cresce também a demanda por produtos e serviços voltados ao bem-estar animal.
O levantamento calculou os gastos médios mensais dos tutores com diferentes categorias de cuidados.
- Ração
- Medicamentos antipulgas
- Vermífugos
- Vacinas
- Consultas veterinárias
- Exames
- Planos de saúde
- Banho e tosa, no caso dos cães
Segundo os dados da pesquisa, os gastos médios mensais chegam a R$ 690 por cão e R$ 574 por gato.
A alimentação continua sendo a principal despesa recorrente. Os tutores desembolsam, em média, R$ 202 por mês com ração para cães e R$ 158 para gatos.
Mercado acompanha transformação dos hábitos
O crescimento da adoção e o fortalecimento da convivência entre famílias e animais ajudam a explicar a expansão contínua do setor pet nos últimos anos.
Mais do que um movimento ligado ao consumo, os números revelam mudanças culturais na forma como cães e gatos são percebidos dentro dos lares brasileiros. Animais resgatados das ruas ou adotados em instituições passaram a ocupar um espaço cada vez mais central na vida cotidiana de seus tutores.
Segundo a CNN, a tendência também influencia diretamente o mercado, que amplia a oferta de produtos voltados para saúde, alimentação, conforto e bem-estar animal. Com mais pets vivendo dentro das casas e participando da rotina familiar, empresas do setor acompanham uma demanda que segue em crescimento em diferentes regiões do país.
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