Mãe de Thiago Ávila, ativista preso em Israel, morre enquanto Justiça mantém brasileiro detido e sem acesso às acusações
A morte de Teresa Regina de Ávila e Silva, mãe do ativista brasileiro Thiago Ávila, ampliou a pressão internacional sobre Israel após a Justiça local decidir manter a prisão do brasileiro até domingo (10). O caso ganhou repercussão política depois que o governo Lula passou a exigir a libertação imediata do ativista, acusado por autoridades israelenses de ter ligação com organizações ligadas ao Hamas.
Teresa Regina de Ávila e Silva morreu nesta segunda-feira (5), aos 63 anos, enquanto o filho, o ativista brasileiro Thiago Ávila, permanece detido em Israel. A confirmação foi publicada nas redes sociais pelo Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF) em conjunto com Luana Ávila, irmã de Thiago.
A causa da morte não foi divulgada pela família. Até o momento, também não foram informados detalhes sobre velório e sepultamento.
Nas redes sociais, Luana publicou um apelo direcionado às autoridades israelenses.
“Libertem o Thiago para que possa velar nossa mãezinha”, escreveu a irmã do ativista.
Ela afirmou ainda que não conseguiria enfrentar o momento sem o irmão e não esclareceu se Thiago já foi oficialmente comunicado sobre a morte da mãe.
Prisão foi prorrogada pela Justiça israelense
Thiago Ávila e Saif Abu Keshek compareceram nesta segunda-feira pela segunda vez diante de um tribunal em Ashkelon, cidade localizada a cerca de 60 quilômetros de Tel Aviv.
Segundo jornalistas presentes no local, os dois chegaram à audiência com os pés algemados. O tribunal decidiu ampliar a prisão por mais seis dias.
A advogada Hadeel Abu Salih, representante da organização israelense de direitos humanos Adalah, afirmou que a decisão permitiu a continuidade de uma medida que considera ilegal.
Ela também acusou autoridades israelenses de submeter os dois ativistas a tortura psicológica durante o período de detenção.
Israel acusa ativistas de ligação com Hamas
O governo israelense acusa Thiago Ávila e Saif Abu Keshek de manter vínculos com organizações ligadas ao Hamas. Os dois negam as acusações.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel, os ativistas teriam relação com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), organização sancionada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
Washington afirma que a entidade atuaria clandestinamente em nome do Hamas, grupo que controla a Faixa de Gaza.
A defesa sustenta que não houve apresentação pública de provas. A esposa de Thiago, Lara Souza, criticou o uso de informações classificadas durante o processo judicial.
“O juiz considerou informações sigilosas para determinar que ele deve continuar passando por interrogatórios”, afirmou Lara à AFP.
Segundo ela, nem Thiago nem sua advogada tiveram acesso ao conteúdo utilizado para justificar a manutenção da prisão.
Governo Lula cobra libertação imediata
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou publicamente sobre o caso e pediu a libertação imediata dos dois ativistas.
Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que o governo brasileiro exige garantias de segurança e classificou a ação israelense como injustificável.
O governo da Espanha também criticou a prisão e declarou que Israel não apresentou provas sobre as supostas conexões dos ativistas com o Hamas.
A audiência de recurso apresentada pela defesa deve ocorrer nesta quarta-feira no tribunal de Beersheba, no sul de Israel.
Flotilha tentava chegar à Faixa de Gaza
Thiago Ávila integrava a flotilha Global Sumud, formada inicialmente por cerca de 50 embarcações. Segundo os organizadores, a missão tinha como objetivo romper o bloqueio naval imposto por Israel à Faixa de Gaza e ampliar o acesso de ajuda humanitária ao território palestino.
A ONG Adalah afirmou ter identificado relatos de maus-tratos durante visitas realizadas aos ativistas na prisão. As acusações foram negadas pelas autoridades israelenses.
Segundo o UOL, enquanto a defesa tenta reverter a decisão judicial, a pressão diplomática aumentou após a morte de Teresa Regina de Ávila e Silva, fato que passou a mobilizar manifestações públicas de apoio à família do ativista brasileiro.

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