Homem com câncer terminal organiza o próprio velório em vida e transforma despedida em encontro coletivo
Um homem com câncer terminal decidiu organizar o próprio velório enquanto ainda está vivo, reunindo amigos, música e experiências em um evento que vem chamando atenção e provocando reflexões sobre como lidar com a morte, o luto e a despedida em vida.
A poucos meses de uma data já definida, um homem de 49 anos decidiu transformar o próprio velório em um evento que rompe com a lógica tradicional de despedida. Em vez do silêncio e da ausência do homenageado, a proposta reúne música, encontros e participação ativa de quem, em outras circunstâncias, estaria apenas se despedindo.
A iniciativa ocorre em Campo Grande, onde ele vive atualmente, após retornar para ficar próximo da família. O evento está marcado para o dia 30 de maio e deve atravessar a noite com apresentações musicais, convidados diversos e participação aberta a quem quiser comparecer.
Diagnóstico mudou a perspectiva
O ponto de virada começou no fim de 2023, quando sintomas persistentes levaram a uma investigação médica que se estendeu por meses. Em março de 2024, exames confirmaram um adenocarcinoma gástrico, tipo de câncer que representa a maioria dos tumores no estômago.
A expectativa inicial incluía cirurgia e continuidade da vida após o tratamento. No entanto, durante o procedimento, foram identificadas metástases no intestino, comprometimento do peritônio e sinais iniciais de avanço pulmonar, o que inviabilizou a abordagem cirúrgica.
A partir dali, o tratamento passou a ter caráter paliativo, focado em controlar o avanço da doença e preservar a qualidade de vida.
Evento reúne música, convidados e participação aberta
A organização do evento ficou a cargo de antigos parceiros profissionais, responsáveis por estruturar palco, som e programação. O espaço escolhido foi cedido por uma cervejaria local.
- Apresentações de bossa-nova e samba ao vivo
- Participação de bandas de amigos e voluntários
- DJ com repertório de música brasileira
- Atividades como flash mob e pintura ao vivo
A proposta não se limita a convidados próximos. Após divulgação nas redes sociais, o evento passou a atrair desconhecidos, músicos e pessoas interessadas em participar da iniciativa.
Reação nas redes e impacto da decisão
A repercussão ultrapassou o círculo pessoal. Relatos enviados por desconhecidos indicam impacto emocional e mudanças na forma de encarar a vida após conhecer a história. Também houve críticas, embora em menor volume.
O planejamento inclui não apenas o evento, mas também a organização de aspectos práticos da vida pessoal, como senhas, bens e responsabilidades futuras.
Rotina adaptada e novos objetivos
Atualmente, o tratamento combina quimioterapia paliativa e imunoterapia. A rotina inclui acompanhamento médico contínuo e adaptações alimentares para lidar com limitações físicas impostas pela doença.
Mesmo com restrições, atividades seguem presentes no cotidiano:
- Aulas de guitarra iniciadas recentemente
- Encontros com amigos e jogos de sinuca
- Viagens e experiências físicas dentro do limite possível
Em uma das últimas viagens, ele desceu cerca de 70 metros em rapel até uma caverna em Bonito e, no dia seguinte, realizou um salto de paraquedas.
Decisão conecta experiência pessoal e reflexão coletiva
A ideia de organizar o próprio velório surgiu após a experiência com a morte do pai, quando percebeu a ausência do homenageado em meio às histórias contadas. A partir disso, decidiu criar um encontro em que pudesse estar presente.
A proposta altera o sentido tradicional do ritual e coloca o próprio protagonista no centro da despedida.
Segundo o G1, o evento segue em preparação, com programação em aberto e participação crescente de interessados. Enquanto isso, o tratamento continua e a agenda inclui novos planos, entre eles uma viagem ao litoral para tentar aprender a surfar, experiência ainda não realizada até o momento.
Foto: Renan Heimbach/Divulgação
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