Greve na USP acabou: o que levou estudantes a aprovar o encerramento do movimento

Estudantes da USP aprovaram recomendação para encerrar a greve iniciada em abril. Agora, cada curso decidirá se retoma as atividades nas respectivas unidades.

São Paulo
Publicado por em 8/06/2026
Greve na USP acabou: o que levou estudantes a aprovar o encerramento do movimento

A greve estudantil na Universidade de São Paulo (USP), iniciada em 14 de abril, entrou em uma nova fase nesta segunda-feira (8), quando uma assembleia geral aprovou a recomendação para o encerramento do movimento. A decisão não determina o retorno imediato das atividades em todas as unidades, mas sinaliza uma mudança importante no cenário da mobilização que marcou o primeiro semestre letivo da instituição.

O próximo passo será definido por assembleias realizadas em cada curso. Os estudantes de diferentes faculdades votarão individualmente se acompanham ou não a recomendação aprovada no encontro geral. A expectativa é que as decisões ocorram nos próximos dias.

Nos últimos dias, o movimento já demonstrava sinais de enfraquecimento. Unidades tradicionais da universidade, entre elas Direito, Medicina e Escola Politécnica, haviam encerrado suas paralisações antes mesmo da votação geral realizada nesta segunda-feira.

Segundo levantamento da Reitoria da USP, 19 unidades ainda registravam algum tipo de paralisação, enquanto outras 24 já haviam retomado as atividades acadêmicas.

O que motivou a greve

A paralisação foi aprovada pelos estudantes em 14 de abril e teve como principal articulador o Diretório Central dos Estudantes (DCE). O movimento ocorreu paralelamente à mobilização dos servidores da universidade, que também iniciaram uma greve em protesto contra uma gratificação anunciada exclusivamente para professores.

Enquanto os servidores encerraram a paralisação após negociações que resultaram em avanços salariais, os estudantes decidiram manter a mobilização e ampliar a pressão sobre a administração da universidade.

Entre as principais reivindicações estavam melhorias nas políticas de permanência estudantil, nas condições dos restaurantes universitários e na estrutura das moradias destinadas aos alunos.

Disputa em torno dos auxílios estudantis

O centro das discussões envolve o Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Papfe), responsável por oferecer auxílio financeiro a estudantes em situação de vulnerabilidade.

Atualmente, os benefícios variam de R$ 335 para moradores das residências estudantis a R$ 885 para quem recebe o auxílio integral.

  • Auxílio para moradores da moradia estudantil: R$ 335
  • Auxílio integral atual: R$ 885
  • Proposta da USP para auxílio integral: R$ 912
  • Proposta dos estudantes: R$ 1.804

A administração da universidade apresentou uma proposta de reajuste baseada no IPC-FIPE. Com isso, o auxílio integral passaria para R$ 912 por mês, enquanto o benefício destinado a estudantes residentes em moradia estudantil subiria para R$ 340.

Os estudantes consideram o reajuste insuficiente e defendem a elevação do valor para R$ 1.804, quantia equivalente ao salário mínimo paulista.

Outras críticas ao funcionamento da universidade

Além das questões financeiras, a greve também incorporou críticas relacionadas à infraestrutura e aos serviços oferecidos pela universidade.

Os manifestantes apontam problemas na gestão dos restaurantes universitários, conhecidos entre os alunos como Bandejão, além de reclamações sobre as condições das moradias estudantis.

Outro tema recorrente nas mobilizações foi a situação do Hospital Universitário (HU). Segundo os estudantes, a unidade perdeu aproximadamente 30% do quadro de funcionários ao longo da última década, afetando o atendimento e a capacidade operacional do hospital.

A mobilização estudantil combinou reivindicações por reajuste dos auxílios, melhorias estruturais e críticas à política orçamentária da universidade.

Segundo o Estadao, com a recomendação de encerramento aprovada em assembleia geral, a continuidade da greve passa agora pelas decisões específicas de cada curso. As votações locais definirão quais unidades retomam imediatamente as atividades e quais optarão por manter a paralisação por mais tempo.

Alan Correa
Alan Correa
Jornalista multimídia e analista de tendências (MTB: 0075964/SP). Com olhar versátil que transita entre o setor automotivo, economia e cultura pop, é especialista em traduzir dinâmicas complexas do mercado e do comportamento do consumidor. No Carro Das Notícias e portais parceiros, assina de testes técnicos e guias de compra a análises de engajamento e entretenimento, sempre com foco em dados e interesse do público.

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