CNH a quase R$ 5 mil vira barreira social no Brasil e empurra 20 milhões à informalidade

Tirar a primeira carteira de habilitação no Brasil custa, em média, de dois a quase cinco mil reais. Para muitos, é o equivalente a escolher entre comer ou ter um documento obrigatório para trabalhar. No topo da lista, o Rio Grande do Sul lidera com o valor mais alto do país: R$ 4.951,35 para a categoria AB. Mesmo estados tradicionalmente mais acessíveis, como a Paraíba, ainda praticam valores que ultrapassam os R$ 1.900,00 — o que, para uma grande parcela da população, continua sendo inviável.

Brasil
Publicado por Bianca Ludymila em 7/08/2025

Pontos Principais:

  • A CNH mais cara do país é no RS: R$ 4.951,35.
  • Na Paraíba, o menor valor: R$ 1.950,40, ainda considerado alto.
  • Mais de 20 milhões de brasileiros dirigem sem habilitação.
  • 81% da população com até 1 salário mínimo não possui CNH.
  • Alta no preço alimenta a informalidade e compromete a segurança.

O peso no bolso é tão grande que se tornou o principal motivo para que milhões simplesmente desistam da legalidade. Segundo dados do Instituto Nexus, mais de 20 milhões de brasileiros dirigem sem habilitação. E 32% afirmam que o custo proibitivo é o que os impede de buscar o documento. A realidade escancara um abismo entre as normas do sistema e a realidade vivida por grande parte da população.

Entre os que mais sofrem com essa exclusão estão os trabalhadores de baixa renda. Entre aqueles que ganham até um salário mínimo, 81% não possuem CNH. O dado é alarmante, considerando que, em muitas cidades brasileiras, especialmente as do interior e periferias, a condução de veículos particulares é a única forma viável de acesso ao emprego, à educação e à saúde.

No Rio Grande do Sul, tirar a CNH custa quase R$ 5 mil, valor que impede milhares de trabalhadores de se habilitarem e compromete a mobilidade.
No Rio Grande do Sul, tirar a CNH custa quase R$ 5 mil, valor que impede milhares de trabalhadores de se habilitarem e compromete a mobilidade.

A análise regional também aponta desigualdade gritante. No Nordeste, 71% da população adulta não é habilitada, índice que chega a 64% no Norte. Em estados como a Bahia, o custo médio para a carteira ultrapassa R$ 4.120,00, valor que não condiz com a realidade econômica local. No Acre, por exemplo, o custo também gira em torno de R$ 3.906,60 — um valor que representa um entrave para quem sequer tem acesso digno ao transporte coletivo.

O alto custo, aliado à percepção de serviço ineficiente, gera um ciclo de insatisfação. Cerca de 80% dos entrevistados pela pesquisa consideram a CNH cara ou muito cara, e 66% afirmam que o serviço prestado não justifica o valor cobrado. Essa desconfiança generalizada sobre o processo reforça o distanciamento entre o cidadão e o Estado.

Esse distanciamento tem consequências práticas: 49% dos motoristas não habilitados reconhecem que o valor é o principal motivo da irregularidade. A informalidade no trânsito, por sua vez, compromete a segurança viária, uma vez que condutores sem formação técnica adequada tendem a não conhecer as regras básicas de condução e sinalização.

Na Paraíba, o custo da carteira de motorista é menos da metade do valor cobrado no Sul, mas ainda é considerado alto por boa parte da população.
Na Paraíba, o custo da carteira de motorista é menos da metade do valor cobrado no Sul, mas ainda é considerado alto por boa parte da população.

A ausência de um programa nacional acessível de formação de condutores também é apontada como falha estrutural. A política atual é tida por especialistas como excludente e ineficaz, pois restringe o acesso à legalidade justamente aos grupos mais vulneráveis — aqueles que mais precisam da carteira para se deslocar com autonomia e segurança.

Enquanto isso, surgem propostas que tentam aliviar o impacto do custo da habilitação, como a possibilidade de tirar CNH sem passar por autoescolas e a ampliação de políticas públicas para motoristas de baixa renda. Essas alternativas, embora debatidas, enfrentam forte resistência institucional e de setores do mercado.

A formação de condutores no Brasil deixou de ser apenas uma questão técnica e passou a ser um espelho da desigualdade social. Com a habilitação tornando-se um privilégio restrito, o país continua produzindo cidadãos à margem da lei, não por desrespeito, mas por falta de opção. A realidade clama por uma reforma que una eficiência, inclusão e segurança — algo que vá além da burocracia e do lucro.

Fonte: Agenciabrasil e Agenciagov.

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