Chevrolet Onix Eco chega ao Brasil com motor turbo só a etanol e preço abaixo de versões manuais; entenda a estratégia
Chevrolet lançou o Onix Eco com motor 1.0 turbo exclusivo para etanol e preço próximo das versões manuais de entrada.
A Chevrolet decidiu mudar uma das características mais tradicionais dos compactos brasileiros para tentar segurar preços em um dos segmentos mais pressionados do mercado. A nova versão Eco dos modelos Onix e Onix Plus abandona o sistema flex e passa a operar exclusivamente com etanol, movimento que permitiu à marca enquadrar os carros nos benefícios fiscais ligados ao programa Carro Sustentável e ao chamado IPI Verde.
O resultado aparece diretamente na tabela de preços. O Onix Eco hatch estreia por R$ 103.190, enquanto o Onix Plus Eco parte de R$ 106.990. Na prática, os dois entram no mercado com motor 1.0 turbo e câmbio automático de seis marchas custando praticamente o mesmo que versões aspiradas com transmissão manual.
Versão automática fica próxima do preço das configurações básicas
A diferença mais chamativa aparece dentro da própria linha. O Onix Eco custa apenas R$ 1.400 acima do Onix manual aspirado mais barato, vendido por R$ 101.790. No sedã, o efeito é ainda maior. O Onix Plus Eco passa a ocupar o posto de versão mais acessível da gama ao custar menos que o modelo aspirado manual, tabelado em R$ 108.990.
A estratégia da General Motors tenta resolver um problema que afetava justamente as versões automáticas turbo. Os modelos 1.0 aspirados e os turbo manuais já tinham isenção de IPI por atenderem às metas de eficiência energética previstas no programa federal. As versões automáticas, porém, continuavam fora desse enquadramento.
Ao transformar o conjunto em um sistema dedicado exclusivamente ao etanol, a fabricante conseguiu reduzir a tributação. O novo enquadramento garante desconto inicial de 0,5% sobre a alíquota-base de 6,3% do IPI, percentual que ainda pode variar conforme eficiência energética e potência do veículo.
Motor turbo foi mantido, mas recebeu nova calibração
Apesar da mudança no combustível, a Chevrolet evitou criar uma motorização inédita. O Onix Eco utiliza o conhecido motor 1.0 turbo de três cilindros já presente nas demais versões da linha, agora ajustado apenas para rodar com etanol.
O conjunto entrega 115 cv a 5.500 rpm e 16,8 kgfm entre 2.000 e 4.500 rpm, sempre associado ao câmbio automático de seis marchas.
A adaptação envolveu alterações eletrônicas e ajustes específicos para o combustível vegetal, incluindo novos mapas de injeção e bloqueio do uso de gasolina.
Segundo informações publicadas por Autoesporte e Quatro Rodas, a engenharia da marca também trabalhou em mudanças relacionadas à taxa de compressão, avanço de ignição e gerenciamento eletrônico do motor para melhorar o rendimento térmico usando apenas etanol.
A decisão também evita custos maiores de desenvolvimento. Criar uma nova estrutura mecânica do zero reduziria justamente a vantagem financeira obtida com os incentivos tributários.
Equipamentos mantêm pacote básico, mas preservam itens importantes
O posicionamento da versão Eco deixa claro que a prioridade foi reduzir preço sem desmontar completamente o pacote de equipamentos. O modelo traz seis airbags, ar-condicionado, direção elétrica, partida por chave presencial, controlador automático de velocidade, vidros e retrovisores elétricos e acendimento automático dos faróis.
A central multimídia utiliza tela de 8 polegadas, menor que a usada nas versões superiores da linha. Para conter custos, a Chevrolet manteve rodas de aço de 15 polegadas com calotas.
- Motor 1.0 turbo de três cilindros
- 115 cv de potência
- 16,8 kgfm de torque
- Câmbio automático de seis marchas
- Seis airbags de série
- Central multimídia de 8 polegadas
Projeto também mira futuro após fim do programa federal
Nos bastidores do setor, a nova configuração é vista como uma forma de preparar o Onix para o período posterior ao encerramento do programa Carro Sustentável, previsto para dezembro deste ano.
Sem os incentivos atuais, versões flex podem sofrer aumento de preço. Nesse cenário, um carro exclusivamente a etanol pode continuar usufruindo vantagens tributárias e ocupar o espaço de entrada da linha com valores mais competitivos.
O movimento ocorre em um momento de forte pressão sobre os compactos nacionais, segmento que enfrenta aumento de custos industriais, exigências maiores de eficiência energética e avanço dos SUVs compactos no mercado brasileiro.
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