30% dos carros do mundo serão eletrificados em 2026: Relatório internacional expõe mudança acelerada na forma como compramos carros
Agência Internacional de Energia prevê 30% de carros eletrificados em 2026, mas Brasil já avança acima do esperado. Dados divergem e mercado muda rápido.
A transformação do mercado automotivo mundial ganhou velocidade maior do que parte das previsões internacionais consegue acompanhar. Um relatório publicado pela Agência Internacional de Energia, a IEA, estima que 30% dos carros vendidos no mundo em 2026 serão eletrificados, mas os números do Brasil mostraram um cenário mais agressivo do que o documento registrou.
O estudo Global EV Outlook aponta que os veículos eletrificados chegaram a 20 milhões de unidades vendidas mundialmente em 2025, crescimento de 20% na comparação anual. Segundo a agência, 60% dessa produção saiu da China, consolidando o país como o principal centro global da indústria elétrica automotiva.
No caso brasileiro, porém, os dados apresentados pela IEA já nasceram pressionados pela velocidade das mudanças locais. O relatório afirma que 9% dos veículos vendidos em 2025 no país eram eletrificados. Os números cruzados entre Fenabrave e ABVE indicam outro cenário.
Em janeiro de 2025, o Brasil produziu 123.359 veículos, dos quais 12.556 já eram elétricos. Na prática, isso representava 10% dos emplacamentos naquele momento. No fechamento anual, os eletrificados atingiram 210.732 unidades, sendo 33.905 elétricos, percentual que chegou a 16%.
Diferença entre dados brasileiros e relatório internacional chama atenção
A divergência entre os números virou um dos pontos mais relevantes do relatório. Enquanto a IEA contabilizou 180 mil veículos eletrificados no Brasil, a ABVE registrou 221.624 emplacamentos, diferença superior a 41 mil unidades.
Segundo dados da Fenabrave, o mercado brasileiro encerrou 2025 com 1.996.531 veículos entrando em circulação. Com isso, os eletrificados fecharam o ano representando cerca de 11% do total.
Mesmo assim, os números envelheceram rapidamente. Em abril de 2026, os eletrificados já alcançavam 20% dos emplacamentos no país, avanço impulsionado principalmente pelos modelos totalmente elétricos, que começaram a superar os híbridos plug-in em vendas mensais.
O próprio relatório destaca que o Brasil era um dos poucos mercados onde híbridos plug-in vendiam mais que elétricos puros, cenário que mudou rapidamente no começo deste ano.
O avanço brasileiro ocorre mesmo em meio ao retorno gradual do imposto de importação para veículos chineses, medida que deve voltar ao patamar integral de 35%. A IEA observa que outros países latino-americanos seguiram caminho contrário, oferecendo incentivos e descontos para importação de elétricos.
Brasil domina mercado latino-americano de eletrificados
Ainda assim, o tamanho do mercado brasileiro mantém o país como protagonista regional. Segundo o relatório, Brasil e México concentraram 75% dos emplacamentos de veículos eletrificados na América Latina nos últimos anos.
- O Brasil registrou alta de 85% nas vendas de eletrificados segundo a IEA
- A média da América Latina ficou em 75%
- O México avançou cerca de 300% no período
- A ABVE aponta crescimento superior a 100% no primeiro trimestre de 2026
Os dados da associação brasileira mostram que os emplacamentos passaram de 39.858 unidades no primeiro trimestre de 2025 para 83.252 no mesmo período de 2026.
Segundo o Evdrops, enquanto isso, parte do mercado global desacelerou. A IEA afirma que as vendas mundiais tiveram retração anual de 8%, movimento associado à redução de incentivos nos Estados Unidos e também na China, justamente os dois maiores polos do setor.
Crise do petróleo acelera corrida global pelos elétricos
A agência também relaciona o avanço dos elétricos à instabilidade internacional envolvendo petróleo. O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte da commodity, aparece como fator central para mudanças recentes no setor energético.
O diretor executivo da IEA, Fatih Birol, afirmou que o crescimento dos veículos elétricos passou a funcionar como mecanismo de proteção diante do maior choque de fornecimento de petróleo da história recente.
Segundo ele, a redução contínua do custo das baterias e possíveis respostas regulatórias à crise energética devem ampliar ainda mais o avanço global dos eletrificados.
A projeção da agência indica que, mantidas as políticas atuais, o mundo poderá atingir 510 milhões de veículos elétricos circulando em 2035. Hoje, a frota global gira em torno de 80 milhões. A previsão considera um cenário de aproximadamente 2 bilhões de veículos em circulação naquele período.
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