Caso Tainara chocou São Paulo, agora a Justiça decide o futuro do homem acusado de atropelar e arrastar a vítima
A Justiça de São Paulo decidiu levar a júri popular o homem acusado de atropelar e arrastar Tainara Santos por cerca de 1 km na Marginal Tietê em 2025.
O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu levar a júri popular Douglas Alves da Silva, acusado de atropelar e arrastar a ex-companheira Tainara Souza Santos na Marginal Tietê, na capital paulista. O caso ocorreu em 29 de novembro do ano passado e ganhou repercussão nacional pela violência do crime e pelas circunstâncias apontadas pela investigação.
Segundo a decisão judicial, Douglas responderá por feminicídio. O acusado foi preso um dia após o crime e permaneceu detido durante o andamento das investigações conduzidas pela Polícia Civil.
Tainara Santos tinha 31 anos e deixou dois filhos. Após ser atingida pelo carro, ela ficou presa sob o veículo e foi arrastada por cerca de um quilômetro na via expressa da zona norte de São Paulo. A vítima chegou a ser socorrida com vida, passou por procedimentos médicos e teve as pernas amputadas, mas morreu em 24 de dezembro em decorrência dos ferimentos.
Testemunhas foram ouvidas antes da decisão
Durante a audiência de instrução realizada pela Justiça paulista, 12 testemunhas prestaram depoimento e o réu foi interrogado. Ao fim da sessão, o juiz decidiu pela pronúncia do acusado, etapa em que a Justiça entende haver elementos suficientes para que o caso seja analisado pelo Tribunal do Júri.
O julgamento ainda não teve data definida, mas a decisão abre caminho para que jurados populares decidam sobre a responsabilidade criminal do acusado.
Segundo o Tribunal de Justiça, as alegações finais foram apresentadas oralmente pelas partes durante a audiência. A acusação sustenta que o crime ocorreu em contexto de violência de gênero e sem possibilidade de defesa da vítima.
Investigação apontou crueldade durante o crime
O delegado Fernando Barbosa Bossa, responsável pela investigação, classificou o caso como tentativa de feminicídio com extrema violência. De acordo com os relatos da Polícia Civil, partes das pernas da vítima se desprenderam ao longo do trajeto em que ela foi arrastada pelo veículo.
A investigação aponta que Douglas Alves da Silva não aceitava o fim do relacionamento com Tainara. Os dois haviam mantido um relacionamento breve antes do crime.
A Polícia Civil classificou o caso como feminicídio cometido sem possibilidade de defesa da vítima e com requintes de crueldade.
O episódio provocou mobilizações em São Paulo e passou a ser citado em atos públicos ligados ao combate à violência contra a mulher. Em março deste ano, um ato em memória de Tainara reuniu representantes do governo federal, ministras e movimentos sociais na própria Marginal Tietê, local onde a agressão ocorreu.
Caso ampliou debate sobre violência contra mulheres
A morte de Tainara reacendeu discussões sobre feminicídio, violência doméstica e medidas protetivas no estado de São Paulo. O caso também ampliou a pressão por respostas mais rápidas em situações envolvendo ameaças, perseguições e violência praticada por ex-companheiros.
Dados de investigações recentes mostram que crimes de feminicídio frequentemente acontecem após separações ou tentativas de rompimento afetivo, cenário apontado pela Polícia Civil também neste caso.
Segundo a Agenciabrasil, enquanto aguarda a definição da data do julgamento, Douglas Alves da Silva segue como réu preso. O Tribunal do Júri deverá analisar os depoimentos, laudos periciais e demais provas reunidas durante a investigação conduzida pela Polícia Civil paulista.
Foto: © Paulo Pinto/Agência Brasil.
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