Eleições 2026 chegam ao último dia de campanha com disputa presidencial acirrada
Lula e Flávio Bolsonaro concentram a disputa pela Presidência às vésperas da votação; pesquisas divulgadas neste sábado mostram diferenças dentro ou próximas das margens de erro
A campanha eleitoral de 2026 chegou neste sábado (3) às últimas horas antes do primeiro turno, marcado para domingo (4), com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentrando a maior parte das intenções de voto para a Presidência. Depois de semanas de disputa marcada pela polarização e pela tentativa de conquistar eleitores menos identificados com os dois principais campos políticos, os levantamentos divulgados na véspera da votação mostram diferenças pequenas entre os dois candidatos, enquanto os demais concorrentes aparecem distantes das primeiras posições.
Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, a reta final ganhou atenção especial das campanhas. Lula e Flávio Bolsonaro realizaram atos políticos no estado neste sábado, em uma última tentativa de mobilizar apoiadores antes da abertura das urnas. A estratégia reforça o peso do eleitorado paulista em uma disputa nacional na qual pequenas variações podem ter impacto importante sobre a composição do resultado do primeiro turno.
Os números divulgados neste sábado ajudam a dimensionar o grau de equilíbrio da corrida presidencial. Na pesquisa Quaest, Lula aparece com 46% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro registra 45%. Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem com 3% cada. Os demais candidatos registram 0% no levantamento. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, Lula e Flávio estão tecnicamente empatados.
O levantamento da Quaest ouviu 3.702 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 2 e 3 de outubro. A pesquisa possui nível de confiança de 95% e foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-02197/2026. Os percentuais de votos válidos excluem brancos e nulos, seguindo o critério utilizado pela Justiça Eleitoral para determinar o resultado da eleição. Para vencer a Presidência já no primeiro turno, um candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos.
Outros institutos divulgados neste sábado também registram uma disputa concentrada nos dois primeiros colocados, embora apresentem diferenças nos percentuais. Na pesquisa CNT/MDA, por exemplo, Lula aparece com 47,8% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro com 42,1%. Considerando os votos totais — incluindo brancos, nulos e indecisos — os percentuais são de 43,1% para Lula e 38% para Flávio. O levantamento ouviu 2.007 pessoas entre 30 de setembro e 2 de outubro e tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
A existência de resultados diferentes entre os institutos não significa, por si só, contradição entre as pesquisas. Cada levantamento constitui uma fotografia produzida a partir de uma amostra, período de coleta e metodologia próprios. Por isso, oscilações de alguns pontos percentuais precisam ser interpretadas considerando as respectivas margens de erro, e pesquisas de institutos diferentes não devem ser tratadas como se formassem uma única sequência direta de crescimento ou queda de determinado candidato.
O cenário observado neste sábado atualiza a fotografia apresentada pelo Fala Regional no início da semana. Na análise publicada em 30 de setembro, a campanha já demonstrava que Lula e Flávio Bolsonaro enfrentavam o desafio de ultrapassar suas bases eleitorais mais consolidadas e conquistar principalmente os eleitores independentes. A proximidade registrada nas pesquisas finais aumenta a importância tanto desse grupo quanto da capacidade das campanhas de transformar intenção de voto em comparecimento efetivo às urnas.
São Paulo também permanece no centro da disputa política porque o eleitor paulista fará escolhas simultâneas para diferentes cargos. Isso significa que a preferência por um candidato à Presidência não determina necessariamente a escolha para o governo estadual, fenômeno conhecido como voto cruzado. As pesquisas para cargos distintos, portanto, precisam ser interpretadas separadamente, sem presumir transferência automática de votos entre candidatos aliados nacional e regionalmente.
A última rodada de pesquisas também deve ser compreendida pelo que efetivamente representa: intenção de voto medida antes da abertura das urnas, e não antecipação do resultado eleitoral. Mudanças de última hora, comparecimento, abstenção e a decisão dos eleitores que permaneceram indecisos durante a campanha podem interferir na composição final dos votos válidos. Os próprios levantamentos trabalham com margens de erro e níveis estatísticos de confiança, razão pela qual diferenças numéricas pequenas exigem cautela na interpretação.
Com o encerramento da campanha e a votação neste domingo, caberá agora aos eleitores definir nas urnas se a disputa presidencial será concluída no primeiro turno ou seguirá para uma segunda etapa. O que as pesquisas disponíveis até a véspera permitem afirmar é que Lula e Flávio Bolsonaro chegam ao dia da eleição concentrando a disputa presidencial, em um cenário no qual os números dos diferentes institutos reforçam a necessidade de acompanhar a apuração antes de qualquer conclusão sobre o resultado das Eleições 2026.












