Alexander Zverev encerra anos de frustração e conquista em Roland Garros o primeiro Grand Slam da carreira
Após três vice-campeonatos em torneios de Grand Slam, Zverev venceu uma final dramática em Paris e se tornou o primeiro alemão campeão de um Slam desde Boris Becker em 1996.
Durante anos, Alexander Zverev conviveu com a sensação de estar sempre próximo do maior objetivo de sua carreira. Campeão olímpico, vencedor de Masters 1000 e presença constante entre os melhores tenistas do mundo, o alemão acumulava títulos importantes, mas carregava uma lacuna que insistia em acompanhá-lo: a ausência de um troféu de Grand Slam.
Neste domingo, em Paris, essa história finalmente mudou. Aos 29 anos, Zverev derrotou o italiano Flávio Cobolli por 3 sets a 2, com parciais de 6/1, 4/6, 6/4, 6/7 (5) e 6/1, conquistando Roland Garros e encerrando uma espera que atravessou praticamente toda sua trajetória profissional.
Ao cair no saibro da quadra Philippe-Chatrier após o último ponto, o alemão não comemorava apenas um título. Celebrava o fim de uma sequência de derrotas dolorosas que marcaram sua caminhada nos maiores torneios do circuito.
As derrotas que moldaram o campeão
O caminho até o troféu em Paris foi construído sobre frustrações que se acumularam ao longo dos últimos anos.
A primeira grande oportunidade surgiu em 2020, quando alcançou a final do US Open. Na ocasião, acabou derrotado pelo austríaco Dominic Thiem.
A segunda veio justamente em Roland Garros. Em 2024, chegou à decisão carregando a expectativa de conquistar o principal torneio do saibro mundial, mas encontrou pela frente Carlos Alcaraz.
A terceira derrota aconteceu no Australian Open, diante do italiano Jannik Sinner.
As três finais perdidas transformaram Zverev em um dos melhores jogadores do circuito sem um título de Grand Slam.
Por isso, a conquista deste domingo carregava um peso diferente.
Durante a cerimônia de premiação, o alemão fez questão de lembrar a trajetória percorrida até chegar ao momento mais importante de sua carreira.
“Nessa quadra vivi as piores derrotas da minha vida e, hoje, celebro o melhor momento.”
Uma final de altos e baixos
A decisão contra Flávio Cobolli parecia caminhar rapidamente para uma vitória tranquila.
Zverev dominou o primeiro set e precisou de apenas 35 minutos para fechar a parcial em 6/1.
Mas o italiano, que disputava a maior final de sua carreira, reagiu.
Cobolli elevou o nível no segundo set, passou a pressionar mais os games de saque do alemão e conseguiu igualar a partida ao vencer por 6/4.
O terceiro set manteve o equilíbrio. O italiano chegou a abrir vantagem em alguns momentos, mas Zverev aproveitou uma queda de rendimento do adversário nos pontos decisivos para retomar a liderança.
A partida ganhou contornos dramáticos na quarta parcial.
Cobolli abriu vantagem, viu Zverev reagir e levou a decisão para o tie-break. Ali, o italiano mostrou personalidade para fechar o set e forçar a quinta parcial.
O cenário parecia favorável ao azarão.
Mas a reação final nunca veio.
O set que mudou tudo
A experiência acumulada em anos disputando as maiores partidas do circuito apareceu no momento decisivo.
Logo no início do quinto set, Zverev conseguiu uma quebra de saque.
Pouco depois, ampliou a vantagem.
Cobolli ainda tentou resistir, mas o desgaste físico e emocional começou a aparecer. O alemão controlou os pontos importantes, administrou a vantagem e transformou a parcial decisiva em um domínio absoluto.
O placar de 6/1 no último set contrastou com o equilíbrio que marcou boa parte da partida.
Quando o italiano mandou um smash para fora no ponto final, Zverev caiu no saibro e iniciou uma comemoração que parecia represada há anos.
O fim de uma espera de três décadas para a Alemanha
A conquista também tem significado histórico para o tênis alemão.
O último jogador do país a vencer um Grand Slam havia sido Boris Becker, campeão do Australian Open em 1996.
Trinta anos depois, Zverev encerra esse jejum e consolida uma carreira que já figurava entre as mais relevantes de sua geração.
O título surge em um momento de transição no circuito masculino. Carlos Alcaraz ficou fora do torneio por lesão no punho direito, enquanto Jannik Sinner foi eliminado precocemente após problemas físicos. Os dois haviam vencido os nove Grand Slams anteriores e monopolizavam as principais conquistas da modalidade.
Sem os protagonistas recentes dominando o cenário, Zverev aproveitou a oportunidade que tantas vezes escapou de suas mãos.
Do outro lado da rede, Cobolli também deixa Paris em posição inédita. Apesar da derrota, o italiano alcançou a melhor campanha de sua carreira em torneios de Grand Slam e deve retornar ao grupo dos dez melhores tenistas do ranking mundial.
Mas a tarde era de Zverev.
Depois de anos convivendo com derrotas em decisões, questionamentos e expectativas frustradas, o alemão finalmente encontrou em Roland Garros a vitória que perseguia desde o início da carreira. O troféu erguido em Paris encerra uma das maiores pendências do tênis masculino contemporâneo e coloca seu nome, pela primeira vez, entre os campeões de Grand Slam.

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